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O atleta Joaquim Ferreira Marques, de 78 anos
10/09/2013

MUDANÇAS DA TERCEIRA IDADE AFETAM A VISÃO, O EQUILÍBRIO E ATÉ O PALADAR


É preciso saber lidar com as transformações desta fase, que também alteram musculatura

Por muito tempo os idosos foram considerados sinônimos de invalidez, como se fossem velhinhos que não entendessem muito bem o que se falasse ou que não conseguisse fazer nada sozinhos? Mas, isso está longe de ser verdade...

Hoje, muitos homens e mulheres, com mais de 60 anos, estão ativos levando a vida com saúde e sempre com um sorriso no rosto. No entanto, é importante entender que mesmo com essa mudança de paradigma, o envelhecimento chega acompanhado de certas transformações que na maioria das vezes são deixadas de lado.

"Muitas pessoas se preocupam com o declínio cognitivo e ossos mais fracos, mas há outras preocupações menos conhecidas que merecem atenção", explica o geriatra Roberto Dischinger, responsável pelo residencial para a terceira idade Lar Santana, em São Paulo. É importante estar cientes dessas mudanças para poder encontrar as melhores formas de contorná-las ou preveni-las, incentivando o envelhecimento saudável.

“Cuidados com a alimentação, prática de exercícios, controle de estresse e doenças, assim como consultas médicas periódicas, têm relação direta com a manutenção da qualidade de vida e a prevenção de doenças desde a juventude", afirma o geriatra.

Atividades saudáveis são importantes para o idoso
O Centro de Convivência da Terceira Idade – núcleo social mantido pela Prefeitura de Ituverava – é um exemplo de atendimento as pessoas da terceira idade. Supervisionado pela primeira-dama Sueli de Fátima Mattar Terra, cerca de 300 idosos estão inscritos no Núcleo.

No CCT, são desenvolvidas atividades físicas como Ginástica de Salão, Dança, Hidroginástica, Natação, aparelhos nas Estações da Praça do Idoso, Voleibol Adaptado, Musculação, Bocha, Malha, Jogos de Mesa (dominó, dama, buraco, truco), bordado, crochê e aulas de alfabetização.


“O envelhecimento saudável consiste na busca pela qualidade de vida por meio de uma dieta adequada e a prática de atividades físicas prazerosas, o que ajuda a diminuir o risco de quedas e fraturas, além de uma convivência social estimulante. Todos esses fatores trabalhados em conjunto ajudam a melhorar a auto-estima e a autoconfiança dos idosos, preservando sua independência física e psíquica”, observa a coordenadora do Núcleo, a professora de Educação Física e árbitra de futebol, Maria Eliza Barbosa Correia.

Segundo ela, na Terceira Idade, devem ser priorizados o corpo e a mente. “Nunca é tarde para começar a se cuidar. Os exercícios físicos adequados mantêm o organismo ativo e ajudam a prevenir doenças e a atividade intelectual funciona como uma fisioterapia mental”, afirmou a coordenadora do CCT.

Atividade física é importante instrumento de saúde, segundo coordenadora do núcleo

A atividade física é um excelente instrumento de saúde em qualquer faixa etária, em especial na terceira idade. De acordo com Maria Eliza, atividades como caminhadas ajudam a manter a capacidade cardiorrespiratória e diminuem a perda de massa óssea, “que acaba acontecendo com o passar do tempo, e potencializa-se a partir dos 50 anos”, disse.

“Exercícios de fortalecimento muscular aumentam a massa muscular ou simplesmente previnem sua perda (que nessa idade acontece em torno de 500gr por ano), melhorando a composição corporal e dando uma maior estabilidade articular, o que auxilia na prevenção de quedas que é muito comum nessa faixa etária”, ressaltou a professora de Educação Física.

Particularidades
Maria Eliza complementou dizendo que a chegada da Terceira Idade trás algumas limitações e que devem ser respeitada por suas particularidades, que refletem em algumas pessoas na capacidade de execução do exercício, na amplitude do movimento, na coordenação motora, lateralidade e equilíbrio.


“O professor de Educação Física ao ministrar uma aula para a Terceira Idade deve estar atento à capacidade física e patológica dos alunos, melhorando assim a qualidade de vida de cada um”, acrescentou coordenadora do núcleo.

Avaliação
médica é muito importante antes de iniciar série de exercícios

A coordenadora do CCT explica que antes do início da atividade física a um idoso sedentário deve, primeiramente, ser feita uma avaliação médica para saber se ele está apto ou se há algum tipo de restrição ou cuidado especial na escolha dos exercícios.

“As atividades devem ser bem escolhidas, levando-se em conta algo que proporcione prazer para que sejam realizadas com regularidade. É importante a orientação para não fazer exercícios em jejum, cuidados com vestimenta e hidratação, além de avaliar a duração, intensidade e freqüência da atividade, sem esquecer-se de qualquer sintoma que possa aparecer durante o exer- cício”, explicou a pro- fessora.

“Com os exercícios físicos regulares e terapia ocupacional, proporcionam uma melhora da atividade neurotransmissora que permitem uma sensação de bem-estar”, disse a coordenadora da Terceira Idade, que é categórica ao afirmar os inúmeros benefícios das atividades físicas para o organismo.

“Em relação aos efeitos psíquico-sociais, as atividades realizadas em nossa entidade reduzem os sintomas de depressão, ansiedade e a melhora do humor. As atividades realizadas em grupo também incentivam outros prazeres advindos da melhor socialização. O fato das pessoas se perceberem com melhor postura, mais força e mais vitalidade permite que se sintam mais seguras e confiantes. Estas atividades quando realizadas com regularidade melhoram a qualidade e a expectativa de vida do idoso”, completou Maria Eliza.

Atleta do CCT deve representar Ituverava na fase estadual do JORI
Com certeza uma dos grandes exemplos de disposição e de longevidade é o atleta Joaquim Ferreira Marques, 78 anos, que sempre é destaque nos Jogos Regionais do Idoso (JORI). Em novembro, ele representará Ituverava na fase estadual da competição, na cidade de Santos.

“Com certeza, é um grande orgulho divulgar o nome de Ituverava na competição. Vai ter gente de todo o Estado e eu devo competir na modalidade Atletismo”, disse o competir, que freqüenta o Centro de Convivência da Terceira Idade há 12 anos, e já foi campeão do JORI diversas vezes.

Aos 78 anos, Sr. Joaquim é considerado um modelo para seus companheiros da Terceira Idade. “Eu gosto muito de praticar exercícios, pois me deixa mais disposto, alegre e com maior disposição. E digo mais: o corpo está um pouco limitado, mas a cabeça continua a mil por hora”, concluiu.

Principais dificuldades encontradas na Terceira Idade

Dificuldades no paladar
A partir dos 60 anos, é comum ocorrer no idoso uma diminuição na capacidade de perceber gostos doces e salgados dos alimentos, enquanto os sabores ácidos e amargos se mantêm inalterados. "Isso acontece devido à atrofia das papilas gustativas que são responsáveis pelo paladar", diz o geriatra Roberto Dischinger, responsável pelo residencial para a terceira idade Lar Santana.

Outro fator que também pode alterar o paladar é o uso de certos medicamentos. O especialista afirma que é esse é o motivo porque os idosos tendem a acrescentar mais sal ou açúcar aos alimentos. "Uma alternativa é acrescentar temperos naturais aos pratos, tais como alho, cebola, cheiro verde, orégano e manjericão, que realçam o sabor dos alimentos e eliminam essa dificuldade", afirma a nutricionista Flavia Medeiros Leite, coordenadora do Programa Crescer e parte da equipe multidisciplinar do Lar Santana.

Pele ressecada
A pele é o órgão que mais evidentemente demonstra os sinais de envelhecimento. "Muitas alterações decorrentes da idade, como perda de tecido de sustentação de gordura subcutânea, diminuição dos pelos, alteração na distribuição de pigmentação de pele e pelos e diminuição de glândulas sudoríparas e sebáceas, ocasionam uma pele mais ressecada, frágil e sem a preservação de elasticidade", afirma o geriatra Roberto.

O especialista diz que pele dos idosos também tende a ficar mais ressecada devido à redução da quantidade de água corporal nessa fase da vida. "Todos esses fatores tornam a pele do idoso mais propensa a machucados e infecções." Entre os cuidados para esse problema estão a ingestão de água, banhos com sabonete neutro e água morna e aplicação de um hidratante corporal após.

Distúrbios da visão
Problemas relacionados à visão podem impedir ou dificultar a independência dos idosos na realização das atividades diárias. Com o envelhecimento, ocorre uma redução na acuidade visual e na acomodação à luminosidade, bem como na clareza da visão noturna e do campo de visão periférico.

“Conseqüentemente, ler, assistir TV e realizar atividades manuais podem ser mais cansativo e dificultoso", ressalta o geriatra Roberto. "Para evitar pequenos desconfortos, o ideal é manter a iluminação permanente, uma vez que a adaptação dos idosos a mudanças de luz torna-se mais lenta." Entre as alterações visuais mais freqüentes, os especialistas citam presbiopia, catarata, glaucoma, degeneração macular e retinopatia diabética. É importante a prevenção por meio da investigação e acompanhamento médico precoce dessas alterações, uma vez que elas são comuns na faixa etária.

Qual era a palavra mesmo?


Sentir dificuldade para encontrar o termo certo durante uma conversa é muito comum em idosos. "Isso acontece porque a capacidade de processar as informações fica mais lenta e a atenção também pode estar alterada, prejudicando assim a memória de trabalho (quando ele precisa memorizar algo para usar em seguida, como quando decoramos um número de telefone na agenda para digitá-lo logo após) e memória episódica (memória de histórias e eventos do próprio passado)", diz a psicóloga Roberta.

Quando há falta da atenção, a manutenção de informações pela memória fica prejudicada, dificultando a lembrança de palavras durante uma conversa. De acordo com a psicóloga o melhor a fazer nesses casos não é completar as palavras pelo idoso ou então repreendê-lo. Tente dar pistas que possam ajudá-lo a lembrar da palavra por si, de forma que ele exercite sua memória.

"Devemos ressaltar que nem toda a falta de atenção ou perda de memória é sinal de doenças, mas que qualquer problema que gere dificuldades em suas atividades diárias deve ser comunicado ao médico."

Manter o equilíbrio
Com o passar da idade, o corpo sofre alterações no controle da postura e do andar, que desempenham um papel importante no equilíbrio dos idosos. "Eles apresentam dificuldades na regulação das respostas relacionadas a velocidade e precisão dos movimentos, causando assim um desequilíbrio", explica o geriatra Roberto.

Outro fator que pode gerar desequilíbrio nos idosos são alterações no sistema vestibular, como a labirintite. De acordo com o geriatra, a atividade física contribui para ganho de força muscular, amplitude de movimento, percepção corporal e melhora os reflexos, podendo auxiliar na prevenção de quedas e alterações do equilíbrio.

Reflexos e raciocínio rápido
As funções cognitivas como memória, raciocínio, velocidade de processamento e reflexos tendem a diminuir conforme os neurônios vão envelhecendo. "Por isso o ideal é sempre estimular o cérebro, para que esse prejuízo seja o mínimo possível", afirma a psicóloga Roberta Seriacopi.


A melhor maneira de prevenir essa degeneração é adotando hábitos saudáveis, como dieta balanceada, prática de exercícios e controle de estresse e doenças, assim como consultas médicas periódicas.


"Mais uma vez, é importante ressaltar que simples alterações no raciocínio e reflexos nem sempre indicam doenças graves, entretanto, qualquer mudança deve ser investigada através de avaliações e exames."

Músculos e ossos mais fracos
Para entender porque os músculos e ossos ficam mais fracos com o passar da idade, é importante saber que nossos ossos crescem somente até os 20 anos e sua densidade aumenta até os 35 anos, começando a perder-se progressivamente a partir disso.

O mesmo acontece com os músculos: a partir dos 65 anos de idade, nossa massa muscular vai sendo perdida, cerca de 1% a cada ano. Pessoas que praticaram exercícios durante a juventude e mantiveram hábitos que contribuíram para o fortalecimento desses órgãos possuem um "pico" de massa óssea e muscular maior do que as pessoas que não mantiveram bons hábitos, e por isso demoram mais a apresentar problemas nesses sistemas.

"No entanto, pessoas que não possuíam altos picos de massa muscular e óssea tendem a sofrer de problemas como osteoporose e sarcopenia mais rapidamente", explica Roberto Dischinger.

O especialista afirma que praticar exercícios já na idade avançada ajuda a impedir a perda, prevenindo essas doenças, mas a pessoa não conquistará mais massa óssea ou muscular do que já tem.