A farmacêutica Tatiane Figueiredo Agostinho Marques, da Drogaria FarmacyDeverá ser publicada no Diário Oficial da União na próxima quarta-feira, 3 de outubro, uma nova resolução do CFF (Conselho Federal de Farmácia), que autoriza farmacêuticos a prescreverem remédios que não exijam prescrições médica, como analgésicos e antitérmicos. O prazo para a medida ser implantada é 180 dias.
Com a norma, os farmacêuticos poderão tratar o que chamam de "transtornos menores", como dores de cabeça ou diarréia. O cliente que chegar ao balcão da farmácia para comprar um analgésico poderá passar por uma "consulta" e receber um receituário com a assinatura e o carimbo do farmacêutico. A prescrição, no entanto, não será obrigatória.
Também está sendo estudada a possibilidade dos farmacêuticos receberem a permissão de renovar receitas médicas em casos de algumas doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. O paciente passaria pelo médico, receberia o diagnóstico e a primeira receita. Depois disso, o farmacêutico poderia orientar e assumir os cuidados do doente e, se necessário, repetir a receita do médico.
Automedicação
Segundo o presidente do CFF, Walter Jorge João, com essa medida, o brasileiro poderá até deixar de se automedicar. "O Brasil é o quinto país que mais se automedica no mundo. E isso resulta em muitos casos de intoxicação por medicamentos", diz.
"Estamos tendo a coragem de dar mais responsabilidade ao farmacêutico. Ele não é profissional só do medicamento, ele também tem que cuidar do paciente", defende.
A medida tem causado polêmica. “A lei do Ato Médico abriu brecha para qualquer um prescrever medicamentos. É bem complicado. O diagnóstico de qualquer doença e os respectivos tratamentos são atribuições exclusivas do médico. Uma simples aspirina pode matar, causar reação alérgica e sangramentos. De quem será a responsabilidade legal por esse doente?", critica o presidente do Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo), Renato Azevedo Júnior.
Ituverava
Para Tatiane Figueiredo Agostinho Marques, farmacêutica responsável pela Drogaria Farmacy, instalada no Extra Hipermercado, o comentário de Renato Azevedo Júnior foi muito preconceituoso. “Essa declaração vê o farmacêutico como profissional incapaz de exercer seus conhecimentos adquiridos em anos de estudos e experiências. O farmacêutico tem capacidade para prescrever essa classe de medicamentos e até outras, como já acontece em outros países”, afirma em entrevista à Tribuna de Ituverava.
“O profissional antigamente tinha o papel de descobrir e fabricar o medicamento. Com o passar do tempo, com a modernização e a fabricação de medicamentos em larga escala pelos laboratórios farmacêuticos, ele passou a ter mais responsabilidade com a ação do medicamento no organismo do paciente, trazendo para si uma responsabilidade muito maior do que somente a fabricar do medicamento”, ressalta.
Papel do farmacêutico
Tatiane ainda afirma que o farmacêutico desempenha um papel fundamental no sistema nacional de saúde. “Atualmente, é ele quem tem total contato com o paciente de forma simplificada e acessível, pois para muitos brasileiros é impossível ter acesso a um médico”, destaca.
“O farmacêutico é muito mais do que uma figura que fica atrás do balcão vestido de branco. Ele é um profissional conceituado, dedicado, com acesso direto ao paciente, e que usa todos os seus conhecimentos nas diversas áreas da saúde para melhor orientar à população. Considero, portanto, a medida como uma conquista da classe farmacêutica”, completa.