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Ricardo Lima Salomão, médico veterinário do Hospital Veterinário da Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram)
30/09/2013

ANIMAIS COM PELE CLARA TÊM MAIS TENDÊNCIA A CONTRAIR CÂNCER


Veterinário do Hospital da Fafram, Ricardo Lima Salomão, dá dicas para proteger os pets da doença

Uma das doenças mais temidas pelos humanos, o câncer de pele tem também se tornado cada vez mais comum entre os animais. Assim como ocorre com as pessoas, os mais propensos a contrair a doença são os de pele clara. Isso ocorre porque quanto mais clara é a pele, seja ela do ser humano ou do animal, menor é a quantidade de melanina, substância que ameniza os efeitos dos raios solares no organismo.

De acordo com Ricardo Lima Salomão, médico veterinário do Hospital Veterinário da Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram), muitos cães e gatos são propensos a contrair o câncer de pele. “Entre os felinos, os que apresentam maios predisposição são de coloração branca. Já entre os cães, as raças com mais chances são boxer, pitbull e bull terrier. Porém, é importante lembrar que qualquer animal em grande exposição ao sol poderá desenvolver doenças de pele”, observa Salomão, em entrevista à Tribuna de Ituverava.

O principal cuidado que se deve ter para evitar que animais sejam acometidos pela doença, é não permitir que fiquem muito tempo expostos ao sol. “Também é indicado aplicar, sempre que possível, filtro solar próprio para animais”, diz Salomão.

Sintomas
O médico alerta sobre os principais sintomas encontrados em animais com câncer de pele. “São hiperemia local (vermelhidão), queda de pêlo local e lesões de difícil cicatrização. As regiões mais acometidas são orelhas e espelho nasal. No entanto, a doença pode se instalar em todo corpo do animal”, destaca.

“É preciso muita atenção quando se vai adquirir um animal. Se ele apresentar qualquer tipo de lesão, é importante levá-lo ao veterinário, para que o profissional indique todos os cuidados que devem ser tomados”, enfatiza.

Tratamento
Existem três tipos de tumor no câncer de pele: carcinoma, hemangioma e melanoma. O carcinoma, tumor epitelial maligno, é o mais comum. O melanoma também é maligno, mas de origem do melanócito. Já o hemangioma é benigno, originário dos vasos sanguíneos.

O câncer por ser tratado por cirurgia normal ou por criocirurgia, quando o tumor é congelado. Muitas vezes, a quimioterapia é usada para complementar o procedimento, o que garante ao animal mais chances de cura.

Esclareça as principais dúvidas em relação à doença nos animais
Por que os animais brancos são mais acometidos?

A melanina presente em animais com pele escura confere proteção contra radiação ultravioleta. Pode-se concluir que quanto mais escuro for o pêlo do animal, menores são as chances de se desenvolver esse tipo de câncer.

Como o câncer aparece?

As células do corpo dos animais estão em constante renovação durante a vida. Os raios solares ultravioleta são capazes de alterar o DNA das células que estiverem em processo de multiplicação (mitose).

Sempre que ocorre exposição solar prolongada, várias células da pele estão sendo alteradas pela radiação recebida. Existem mecanismos protetores, que identificam as alterações ou defeitos causados, corrigindo-os ou destruindo as células afetadas.

No entanto, se houver qualquer falha, as células que passaram por mutação continuarão a se multiplicar produzindo células alteradas como elas, formando um aglomerado cada vez maior.

Como é possível prevenir o câncer de pele nos animais?

Não existe uma forma totalmente eficiente de prevenção, no entanto, é indicado que se evite a exposição solar nas horas de maior incidência, entre 10h e 16h.

O uso de roupinhas, cobrir o telhado do canil, o uso de filtro solar também são boas estratégias de prevenção.

Existem outras doenças de pele comuns em animais.

Além do câncer, há várias outras doenças de pele freqüentes em animais, como sarna, micoses, dermatites bacterianas, alérgicas ou endócrinas. Todas são graves, portanto, é fundamental levar o animal ao veterinário quando apresentar qualquer comportamento fora do normal.

Dermatite Atópica

Existem vários tipos de dermatite, causadas pelas mais variadas razões, desde alergia a alimentos, picadas de pulgas, etc. Contudo é a Dermatite Atópica que mais afeta os cães. Ele é uma reação alérgica a causas ambientais, tais como o pólen, produtos de limpeza, coleiras anti-parasitas, plástico dos recipientes de comida, etc.

Este tipo de dermatite é uma doença de pele bastante freqüente, sobretudo nos animais mais jovens, surgindo geralmente até os dois anos de idade. É bastante incômoda para os cães, uma vez que se sentem bastante comichão, tecnicamente apelidada de prurido. As áreas mais afetadas são a zona do focinho, olhos e queixo, os pés, a base do dorso e coxas.

A Dermatite Atópica não tem cura, pois o cão sempre desenvolverá uma reação quando exposto ao agente causador da irritação da pele. Contudo, pode ser tratada de forma a garantir ao animal uma vida com qualidade, diminuindo os sintomas até ao ponto de serem imperceptíveis.

Tipos
Existem dois tipos de dermatite atópica: a seca e a úmida, sendo a última mais perigosa. A dermatite seca provoca a queda de pêlo e a vermelhidão da pele. A dermatite úmida é uma infecção com pus onde a carne está exposta. É resultado da ação contínua do cão que lambe e coça a região. Os cães com subpêlo estão mais propensos à formação de dermatites úmidas.

Conforme a gravidade dos casos, podem ser usados vários tipos de tratamentos. Banhos freqüentes, anti-histamínicos ou corticóides são as medidas mais utilizadas. Descobrir qual a causa da dermatite não é fácil, mas é necessário reduzir esse estímulo. Cada caso é específico e deve ser o veterinário a determinar qual a forma de ação mais eficaz.

Sarna
Existem vários tipos de Sarna, sendo os mais comuns: a sarcóptica e a demodéctica. A sarna manifesta-se sobre a forma de borbulhas, regiões vermelhas ou perda localizada de pêlo. O tratamento passa por banhos regulares e a aplicação de produtos específicos, alguns bastante agressivos, por isso confie apenas no veterinário na escolha dos produtos a utilizar. Em algumas ocasiões é necessário tosquiar o pêlo para aumentar a eficácia do tratamento.

A sarna sarcóptica é uma doença transmissível ao homem e deve ser tratada assim que possível. Apesar de a sarna no homem ser de fácil tratamento, esta doença causa tanto nos seres humanos como nos animais um prurido intenso. Pode ser curada.

Já a sarna demodécica não é transmissível aos seres humanos. É transmitida de mães para filhos na altura do aleitamento, ou entre cães. Começa por isso a manifestar-se na zona do focinho e propaga-se depois pelo resto do corpo. Causada pelo Demodex, animal microscópico que se aloja junto aos folículos. Não tem cura, mas pode ser controlada. Se não for tratada pode levar à morte, devido a infecções secundárias. Ao contrário da sarna sarcóptica, regra geral, não causa prurido.