É importante lembrar que qualquer ação que humilhe, constranja ou ridicularize uma pessoa é considerada assédio moralCriadas para aproximar as pessoas, as ferramentas da internet, como o e-mail e o Facebook, atingiram os seus objetivos de tal forma, que hoje as chamadas fofocas não se limitam mais aos cafezinhos e papos informais. Hoje, elas são feitas online e, em muitos casos, dentro do próprio ambiente de trabalho.
A seriedade da situação é tamanha, que o tema foi debatido na reportagem de capa da revista Época, na edição do dia 9 de setembro. Segundo levantamento, 40% dos brasileiros já foram alvos de fofocas nas redes sociais.
Outro problema é que o Facebook é um site que permite que o usuário poste informações publicamente e, desta maneira a pessoa pode, por exemplo, postar uma foto do colega de trabalho em alguma situação embaraçosa.
Ainda segundo o levantamento da Época, um em cada três de 500 funcionários de pequenas, médias e grandes empresas brasileiras entrevistados, afirma ter sofrido algum tipo de constrangimento por e-mail, mensagem de texto ou por redes sociais, seja do chefe ou de colegas. Os números no Brasil são alarmantes, já que em países da Europa e nos Estados Unidos, este índice aponta apenas 8%.
Ofensas e brincadeiras
Uma característica comum do brasileiro pode ter sido fundamental para que os números extrapolassem. Ele geralmente aceita brincadeiras, mesmo as mais agressivas, sem se queixar. No entanto, é importante lembrar que qualquer ação que humilhe, constranja ou ridicularize uma pessoa é considerada assédio moral.
Outro agravante é que as piadas ou fofocas feitas pela internet não se limitam ao horário de trabalho. Um trabalhador pode agredir ou mesmo falar mal de outro a qualquer momento pela internet.
Dentre os índices de trabalhadores que mais sofrem o chamado bullying virtual estão os estagiários. Por serem novos na empresa e, em muitos casos, ainda sem formação, eles costumam ser alvo de piadas pelos colegas de trabalho e, até por superiores.
Maior impacto
Na maioria das vezes, as agressões feitas pela internet acabam tendo maior impacto do que as presenciais. Isso vale tanto para a vítima, que fica ainda mais constrangido porque a agressão se espalha, quanto para a empresa, que pela Lei, responde pelo comportamento de seus funcionários.
Outra queixa freqüente, segundo a pesquisa da Época, se refere a chefes agressivos. Muitos deles enviam e-mails com mensagens hostis aos funcionários e, chegam a cometer o assédio sexual.
Solução para este problema precisa ser melhor estudada
Cabe às empresas incentivarem os seus profissionais a não fazerem piadas abusivas com os colegas de trabalho, especialmente pela internet. Já os profissionais devem respeitar a política das empresas e agir com seriedade durante o trabalho, o que não quer dizer, necessariamente, que não se possa existir um ambiente de trabalho agradável. O que deve existir, no entanto, é um limite entre o agradável e o abusivo.
Enquete
Para saber se os ituveravenses já cometeram ou foram vítimas das fofocas e brincadeiras pela internet, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana. Dos doze entrevistados, apenas um afirma já ter sido vítima desse tipo de agressão, no entanto, todos acreditam que essa prática ocorra freqüentemente em empresas.