Trabalhador de Franca é réu em crime praticado em Sumaré (SP) em 2007. Defesa recorreu da decisão; Indignação, diz acusado, que alega inocência.Um pedreiro em Franca (SP) alega inocência após ter sido condenado a cinco anos de prisão pelo crime de receptação de veículos em Sumaré (SP). Alexandre Aparecido Bonfim, de 34 anos, afirma que foi vítima de um golpe, já que teve os dados da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) clonados. Segundo ele, bandidos usam documentos falsos para cometer crimes em seu nome. O advogado de Bonfim afirma que já recorreu da decisão, mas que seu cliente pode ser preso a qualquer momento por algo que ele não cometeu.
“Fui condenado por uma coisa que não fiz. O sentimento é de indignação”, diz Bonfim, que afirma nunca ter saído de Franca.
A notícia sobre a condenação à prisão chegou ao conhecimento de Bonfim na segunda-feira (14). O caso, que envolve um esquema de furto e desmanche de veículos clandestinos, corre na Justiça de Sumaré (SP) desde 2007.
O pedreiro conta que descobriu ser vítima de falsificação de documento no final de 2008, quando recebeu uma intimação da Justiça de Orlândia (SP) que o apontava como suspeito de furto de um veículo. "Fui atrás do meu advogado, ele foi até a cidade e descobriu que haviam apreendido uma CNH com meus dados e a foto de outra pessoa. Foi aí que começaram os problemas", diz.
No caso de Orlândia, os documentos passaram por perícia, onde ficou reconhecido que a CNH apreendida era falsificada. "Conseguimos a absolvição do Alexandre neste caso. Mas enquanto o processo de Orlândia estava correndo, soubemos que o nome dele era citado em outra ação, em Sumaré (SP). Pegamos então uma cópia do processo de Orlândia e encaminhamos para o juiz de lá. Mesmo assim, nunca fomos intimados em relação a essa ação", explica Gomes.
Sentença
O pedreiro e o advogado ficaram surpresos nesta semana com a decisão judicial proferida em Sumaré. Na sentença, o juiz diz que "há erro na identificação do criminoso que praticou o crime descrito na denúncia. Por outro lado, este juiz não pode afastar a sentença que pesa contra a pessoa de Alexandre Aparecido Bonfim." A decisão ainda diz: "tendo em vista que a pessoa de Alexandre Aparecido Bonfim não foi intimada da sentença pessoalmente no endereço constante nos autos, torno sem efeito a certidão de trânsito em julgado, para que da sentença seja intimado pessoalmente no endereço mencionado a fls. 224."
Para o advogado, a posição do juiz foi contraditória. "Ele reconhece que existe um erro de identificação do criminoso, mas diz que não pode fazer nada. Embora, tecnicamente, possa estar correta a sentença, sabemos que existe uma terceira pessoa envolvida que não é o Alexandre. Ele nunca esteve em Sumaré. Nunca tivemos acesso a esse processo. Sabíamos que existia uma ação e informamos o juiz que já existia um processo anterior onde ficou provado que o documento dele já havia sido usado", diz.
A defesa de Bonfim já recorreu da sentença e aguarda apreciação do juiz sobre o caso.
Indignação
Para Bonfim, o sentimento de pagar por um crime que não cometeu é de indignação. "Só fiquei sabendo desse processo de Sumaré pelo meu advogado. Ele que me informou que eu estava com esse problema tão grave. Achei que o mais grave fosse o que eu já tinha passado em Orlândia. A reação que a gente tem é de indignação. Estou sendo condenado de uma coisa que não fiz e o juiz sabe disso", afirma.
Bonfim diz que espera conseguir voltar a ter uma vida normal. "Espero esclarecer esse mal entendido, essa bagunça que fizeram na minha vida. Dá até constrangimento. Já aconteceu de a polícia me parar no trânsito, ver meu documento e dizer que eu já fui preso, que já tenho passagem. Nunca sai da cidade de Franca, estou aqui até hoje. É difícil", conclui.
Fonte: g1.globo.com(EPTV)