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Antônio Oliveira vai pedir revogação da prisão de Guilherme Longo (Foto: Ronaldo Gomes/EPTV)
14/11/2013

PADRASTO NEGA À POLÍCIA ENVOLVIMENTO NO SUMIÇO E NA MORTE DE JOAQUIM




O técnico em TI Guilherme Longo, suspeito da morte do enteado, o menino Joaquim Ponte Marques, de 3 anos, negou na tarde desta quarta-feira (13) à Polícia Civil o envolvimento na morte da criança. A afirmação é do advogado dele, Antônio Carlos Oliveira.

O depoimento aconteceu na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ribeirão Preto(SP) e foi acompanhado pelo delegado Paulo Henrique Martins de Castro, chefe das investigações, o promotor Marcus Túlio Nicolino e o advogado de defesa de Longo. O padrasto de Joaquim deixou o prédio por volta das 19h em uma viatura policial.

Em entrevista coletiva, o advogado afirmou que vai pedir a revogação da prisão de Longo na quinta-feira (14). Ele alega que a prisão foi decretada no fim de semana por um juiz plantonista, sendo que a responsabilidade pela decisão cabe à juíza responsável pelo caso. Longo está preso temporariamente desde domingo (10), após o corpo de Joaquim ter sido encontrado no Rio Pardo, em Barretos (SP).

O padrasto e a mãe de Joaquim, a psicológa Natália Ponte, são suspeitos do crime. Natália está presa na Cadeia Feminina de Franca (SP).

Guilherme Longo chegou à DIG por volta das 12h em um carro descaracterizado, e falou durante três horas à polícia. Segundo o advogado, Longo não confessou a autoria do crime ou sequer participação nele.

O padrasto afirmou, segundo o advogado, que semanas antes do desaparecimento de Joaquim havia aplicado 30 unidades de insulina em si mesmo, ao invés de duas como havia dito anteriormente à Natália. A informação foi confirmada pela mãe do menino em depoimento à polícia, mas segundo a psicóloga, Longo teria tentado se matar nessa ocasião, que ao contrário do que diz o advogado, teria acontecido dois dias antes do sumiço da criança.

Longo justificou a aplicação da insulina, destinada ao tratamento de Joaquim contra o diabetes, porque havia feito uso de quatro cápsulas de cocaína obtidas na troca de um celular. “Foi uma situação de desespero. Passando o efeito dessa substância entorpecente, e entendendo os efeitos da insulina, ele se autoaplicou 30 unidades. Para a esposa ele tinha dito que iria aplicar duas. Isso porque conhecendo os efeitos da insulina, ele acreditava que poderia se acalmar, poderia ficar mais calmo evitando a fissura, a vontade de consumir drogas cada vez mais.”

De acordo com Oliveira, após aplicar a insulina, Longo descreve que passou mal. “Ele foi até a cozinha, já sem condições. Ingeriu muitos chocolates, água com açúcar, e foi onde ele conseguiu que os efeitos minimizassem”, diz. O padrasto tinha conhecimento sobre o efeito do medicamento, porque havia pesquisado devido ao tratamento do menino.

Em relação à morte de Joaquim, Oliveira diz não ter conhecimento do que pode ter acontecido. “O que tem é que ele [padrasto] saiu de casa para buscar droga e deixou a porta aberta, trancando o portão. Quando ele voltou, o menino não estava mais”, afirma.

No entanto, em seu primeiro depoimento antes da prisão, Longo havia dito que ao retornar para casa na noite do sumiço de Joaquim, tinha ido direto para o quarto do casal. O advogado não comentou a afirmação. “A Justiça que vai ter que buscar as provas e verificar. É muito prematuro, nós ainda não temos os laudos que possam indicar qual a causa da morte da criança”, diz.

Ele negou que sentia ciúme de Joaquim e as agressões relatadas por Natália em depoimento à polícia. “Não havia ciúme, era uma convivência até acima do normal. Fato que até foi revelado pelo pai da criança. Nunca teve agressão. Era um casal que tinha suas briguinhas corriqueiras, não existe ameaça.O Guilherme corrigia o Joaquim na condição de ‘pai’ com a concordância da esposa”, diz o advogado.

Com relação ao fato de que o pai de Guilherme teria ido à casa da família na noite do sumiço de Joaquim, o advogado afirmou que Dimas Longo demonstrou apenas preocupação, porque durante o dia ele havia levado o filho ao hospital.

O delegado e o promotor do caso não deram declarações sobre o depoimento.

Fonte: g1.globo.com