O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, deve pedir nesta segunda-feira (18) a prisão de mais sete réus condenados do mensalão. Entre eles estão dois deputados federais: Valdemar Costa Neto, do PR de São Paulo, e Pedro Henry, do PP do Mato Grosso. Também pode ser expedido o mandado para o delator do esquema, Roberto Jefferson, do PTB.
Barbosa também pode determinar o início do cumprimento das penas para os condenados que escaparam da prisão: o ex-deputado José Borba; o ex-tesoureiro do PTB, Emerson Palmieri; e o ex-sócio da corretora Bonus Banval, Enivaldo Quadrado, que terão de pagar multa e prestar serviços comunitários.
O juiz da vara de execuções penais, Ademar de Vasconcelos, deve decidir como e onde os condenados do mensalão que já tiveram as prisões decretadas devem cumprir pena.
Eles aguardam a decisão no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. Os do regime fechado devem ficar na ala um no Complexo da Papuda. Os do semiaberto devem ficar no Centro de Integração e Reeducação, também no complexo.
Foi a segunda noite consecutiva em que nove dos onze presos dormiram no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. As duas mulheres, Simone Vasconcelos e Katia Rabello, ficaram presas na superintendência da Polícia Federal.
Nos mandados de prisão, o ministro Joaquim Barbosa determinou que, ao prender os condenados, a polícia assegurasse o respeito às garantias constitucionais. O último a se entregar à polícia foi o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares. Ele chegou à Superintendência da PF em Brasília de carro.
O avião da Polícia Federal saiu de Brasília no sábado para buscar nove presos. Em São Paulo, embarcaram o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente do PT, José Genoíno. Da capital paulista o avião decolou para Belo Horizonte. Lá, José Genoíno foi atendido por um médico porque estava com pressão alta.
No aeroporto de Belo Horizonte, alguns advogados questionaram porque os presos teriam que ser algemados. Foram informados de que esta é uma regra de segurança de vôo, que não era para humilhar os condenados.
Eles ainda receberam outras orientações: durante o vôo, não poderiam conversar entre si e nem estar com qualquer objeto que pudesse ser usado como arma. Por isso, uma das presas teve tirar uma presilha do cabelo.
Na viagem até Brasília os nove presos sentaram-se nas poltronas das janelas. Ao lado de cada um estava um agente da Polícia Federal. José Roberto Salgado ficou na primeira fileira. Atrás dele, pela ordem, estavam Cristiano Paz, Katia Rabelo, José Genoino, José Dirceu, Romeu Queiroz, Simone Vasconcelos, Ramon Hollerbach e Marcos Valério, que ficou mais atrás.
Do hangar da Polícia Federal, em Brasília, os condenados seguiram, em um micro-ônibus, para a Papuda. Nessas primeiras noites ficaram no Centro de Detenção Provisória, uma unidade da Polícia Federal dentro do complexo penitenciário.
Lá, os nove homens foram divididos em duas celas. Cada uma tem 12 metros quadrados, um chuveiro de água fria, um sanitário e seis camas.
O ex-presidente do PT, José Genoíno, voltou a se sentir mal na noite de sábado para domingo e foi atendido por um médico dentro da Papuda. Em uma rede social na internet, a assessoria dele publicou mensagem afirmando que Genoíno está preso em regime fechado, sendo que foi condenado ao semiaberto, diz que isso é uma arbitrariedade e que ele está muito doente.
O advogado de Genoíno já entrou com pedido no Supremo Tribunal Federal para a pena do cliente, que é no regime semiaberto, seja cumprida em prisão domiciliar porque ele ainda se recupera de uma cirurgia no coração, feita em agosto.
Como o juiz Ademar de Vasconcelos, da Vara de Execuções Penais de Brasília, só recebeu no domingo os documentos com os mandados de prisão, ele ainda analisa a situação de cada um dos presos. A expectativa é que nesta segunda sejam expedidas as guias de recolhimento e o juiz deve determinar onde cada condenado vai começar a cumprir a pena.
Fonte: g1.globo.com