CIDADE

Projeto deve desenvolver ações para implantação, gestão e conservação das áreas verdes na cidade, para ampliar a cobertura vegetal em Ituverava
12/12/2013

ITUVERAVA TERÁ PROGRAMA DE ARBORIZAÇÃO URBANA


Lei, publicada no último sábado, foi proposta pelo vereador Antônio Sérgio Cardoso Telles

Que as árvores deixam as áreas urbanas mais bonitas e inspiradoras é indiscutível, mas além da beleza, trazem qualidade de vida. Causando melhoria do ar com diminuição da poluição, mais sombreamento e frescor, o que permite uma temperatura mais agradável, as árvores também reduzem o excesso de ruídos.

Está de parabéns o vereador Antônio Sérgio Cardoso Telles que propôs o Projeto de Lei que institui o Programa Municipal de Arborização Urbana, que, se aplicado, será uma importante ferramenta para desenvolver ações para implantação, gestão e conservação das áreas verdes na cidade, para ampliar a cobertura vegetal em Ituverava, que beneficia o meio ambiente.

Aprovado por unanimidade, o projeto já se tornou lei, publicada no último sábado, 1º de dezembro. Agora, o Poder Executivo tem o prazo de até 60 dias para regulamentar a lei.

Segundo o autor do projeto, a lei também determina que espécies de mudas poderão ser distribuídas à população, no entanto, para isso, será realizado um estudo para identificar quais as espécies adequadas para o plantio urbano. “O Programa Municipal de Arborização Urbana será desenvolvido através de um conjunto de ações educativas, preventivas e de manejo e conservação de áreas verdes”, explica o vereador.

Objetivos do programa
Ainda segundo Antônio Sérgio, dentre os objetivos do Programa estão: assegurar a gestão do patrimônio verde pelo serviço público municipal especializado; desenvolver e aplicar métodos de acompanhamento habilitado de plantio e poda de árvores; estabelecer a conscientização pública sobre a importância das áreas verdes urbanas como elemento indispensável ao município, inclusive como indicador de qualidade de vida; incentivar iniciativas voluntárias individuais e coletivas de plantios em bairros, ruas, áreas de recreação e demais espaços previamente verificados através de demandas técnicas e manifestações de interesses da comunidade, distribuindo espécies de mudas mais adequadas ao plantio urbano; coordenar programas específicos de educação e monitoramento ambiental e autorizar ou não, através de parecer do órgão competente especializado, a poda ou mesmo a remoção de árvores em logradouros públicos.

Justificativa
Segundo o vereador, a implantação do programa trará uma série de benefícios ao município. “A arborização em áreas urbanas é fator preponderante para melhor qualidade de vida dos cidadãos e a garantia de um ambiente ecologicamente equilibrado. Além do controle da poluição, através da absorção de poeiras e gases tóxicos, as árvores garantem o sombreamento nas calçadas e leitos viários, reduzem enchentes, através da infiltração da água no solo, melhoram o clima e conservam a biodiversidade tão necessária para nossas vidas”, afirma.

“As árvores também possuem importante função estética, visto que os projetos paisagísticos, atualmente, sempre buscam harmonizar a relação entre o meio ambiente e o meio urbano, relação esta que contribui decisivamente para o embelezamento da cidade e, comprovadamente, reduz o estresse de seus habitantes”, ressalta.

Abrangência
Ainda de acordo com Telles, o programa tem ampla abrangência. “É uma política urbana pautada por diretrizes, que visam também o controle da degradação ambiental e a proteção, a preservação e a recuperação do meio ambiente natural”, destaca.

“Assim, com o objetivo de intervir junto à comunidade, sensibilizando-a e informando-a sobre a importância de se ter uma cidade mais agradável, arborizada, no que se refere à melhoria da qualidade do ar e do clima, decidi apresentar este projeto, que teve uma aceitação positiva entre os vereadores e na sociedade como um todo”, diz.

Fafram pode ser parceira no projeto
Para implantar o Programa Municipal de Arborização Urbana, será importante firmar parcerias com órgãos e pessoas físicas e jurídicas, além da doação de mudas. Uma excelente parceira para administrar o projeto seria com a Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram), instituição de Ensino Superior mantida pela Fundação Educacional de Ituverava, que oferece cinco cursos superiores, entre eles, Agronomia. A Fundação Educacional de Ituverava, através de sua mantida FFCL, oferece também o curso de Biologia, que forma profissionais capacitados para assumirem essas exigências.

O diretor da Fafram é o biólogo Márcio Pereira, que é doutor em Agronomia (Recursos e Manejo Florestal), tem profundo conhecimento na área de arborização e é membro da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU). A instituição já desenvolveu e apresentou diversos projetos voltados à arborização, inclusive em congressos científicos.

Um deles, de autoria de Márcio Pereira e dos ex-alunos de Biologia, Renato de Souza Mariano e Renato Luis Nunes Oliveira, criou um inventário de arborização para doze praças do município: Nestor Alves Ferreira, Henrique Soares de Oliveira, João Ataíde de Souza, Prof.ª Maria Inácia Coelho e Ida Migliori Coimbra, localizadas na Cohab; José Aparecido Fernandes, João Paulo II e Bispo Oliveira (Vila Galize); Flávio Cavalari (Jardim Vale do Carmo); José Costa Junior e Orlando Teodoro da Silva (Vila Industrial), e a Praça dos Maçons, na Vila São Sebastião.

Estudo
O estudo foi realizado de janeiro e junho de 2007, e resultou na coleta de dados sobre a arborização de cada uma dessas praças. Ao final do estudo, concluiu-se que as praças apresentam pouca arborização, pouca variedade em espécies e falta de qualidade nas plantas, por conseqüência da poda sem critério. “Para fazer a arborização existem regras que sempre devem ser seguidas, pois existem mudas adequadas para cada região e a poda sempre deve ser feita por um profissional capacitado, já que tem sido de forma equivocada, o que resulta em sérios prejuízos para a planta”, ressalta Márcio Pereira, em entrevista à Tribuna de Ituverava.

Sobre o Programa Municipal de Arborização Urbana, Pereira colocou a Fafram à disposição para colaborar. “A Faculdade está capacitada para orientar a arborização e, inclusive, poderá retomar o inventário para catalogar todas as árvores da cidade”, ressalta.

Árvores frutíferas
Márcio Pereira também é um defensor do plantio de árvores frutíferas em Ituverava, no entanto, alerta que um estudo aprofundado deve ser realizado. “Diversos critérios devem ser seguidos, inclusive, é fundamental que não se plante este tipo de árvore em locais onde passam um grande número de veículos e em estacionamentos. Porém, em praças este tipo de árvore é muito indicado”, conclui Pereira.

Escolha da espécie
As espécies utilizadas na arborização de ruas devem ser muito bem selecionadas, devido às condições adversas a que são submetidas. Em condições de mata natural, fatores como porte, tipo e diâmetro de copa, hábito de crescimento das raízes e altura da primeira bifurcação se comportam diferentemente em comparação ao meio urbano. Na seleção de espécies, devem-se considerar também fatores como adaptabilidade, sobrevivência e desenvolvimento no local de plantio.

Podem-se utilizar espécies nativas ou espécies exóticas, observados os critérios citados e as características das espécies. Algumas espécies apresentam limitações para arborização urbana, por isso não são recomendadas.

Saiba como escolher a espécie
É importante a escolha de uma só espécie para cada rua, ou para cada lado da rua ou para um certo número de quarteirões. Isso facilita o acompanhamento de seu desenvolvimento e as podas de formação e contenção, quando necessárias.

Deve-se evitar as espécies cujos troncos tenham espinhos.

Dependendo do local a ser arborizado (cidades de clima frio), a escolha de espécies caducifólias (perdem as folhas em certo período do ano) é extremamente importante para o aproveitamento do calor solar nos dias frios; já em outras cidades, as espécies de folhagem perene são mais adequadas.

A copa deve ter formato, dimensão e engalhamento adequado. A dimensão deve ser compatível com o espaço físico, permitindo o livre trânsito de veículos e pedestres, evitando danos às fachadas e conflito com a sinalização, iluminação e placas indicativas.

Nos passeios, deve-se plantar apenas espécies com sistema radicular pivotante - as raízes devem possuir um sistema de enraizamento profundo para evitar o levantamento e a destruição de calçadas, asfaltos, muros de alicerces profundos.

Dar preferência a espécies que não dêem flores ou frutos muito grandes.

Selecionar espécies rústicas e resistentes à pragas e doenças, pois não é aconselhável o uso de fungicidas e inseticidas no meio urbano.

Escolher espécies de árvores de crescimento rápido, pois em ruas, avenidas ou nas praças estão muito sujeitas à predação, sobretudo quando ainda pequenas.