AGRICULTURA

Granja: país já é o terceiro maior produtor mundial de ração
24/12/2013

BRASIL É O TERCEIRO MAIOR PRODUTOR DE RAÇÕES DO MUNDO


Houve avanço significativo na qualidade e na produtividade dos produtos destinados à alimentação animal produzidos no país

A exigência de adoção das Boas Práticas de Fabricação (BPF) pelas indústrias de produtos para alimentação animal está completando 10 anos. A Instrução Normativa Nº 01, de 13 de fevereiro de 2003, posteriormente substituída pela Instrução Normativa Nº 4, de 23 de fevereiro de 2007, promoveu um avanço significativo na qualidade e na produtividade dos produtos destinados à alimentação animal produzidos no país, destacando o Brasil como o terceiro maior produtor de rações do mundo.

As BPFs correspondem a um conjunto de procedimentos higiênicos, sanitários e operacionais aplicados à produção para a garantia da qualidade, conformidade e segurança desses alimentos. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) tem como função promover, coordenar e executar a fiscalização da fabricação, importação e comercialização das rações.

“A publicação da norma brasileira representou um importantíssimo marco regulatório para o setor e segue tendência internacional em reconhecer a importância das BPFs para a proteção da saúde dos animais e para a segurança dos alimentos deles obtidos para o consumo humano”, afirma a coordenadora de Fiscalização de Produtos para Alimentação Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa, Janaína Garçone.

Avanços
Decorridos uma década desde a publicação, importantes avanços foram obtidos. Para o médico veterinário Mário Rabelo, do Serviço de Insumos Pecuários da Superintendência Federal de Agricultura em Mato Grosso do Sul, as empresas investiram bastante em melhorias na estrutura física, de modo a atender às exigências das Boas Práticas de Fabricação, algumas realizaram reformas e ampliações significativas e outras chegaram a construir novas indústrias para atender às exigências da Instrução Normativa. “Todo esse investimento foi muito positivo, pois refletiu na modernização dos equipamentos e na contratação de pessoal qualificado para trabalhar na Garantia da Qualidade das empresas”, salientou Rabelo.

O médico veterinário também ressalta que as auditorias e fiscalizações realizadas pelos Fiscais Federais Agropecuários dos Serviços de Fiscalização de Insumos Pecuários nos estados e as orientações repassadas às empresas fomentaram ainda mais esse processo de adequação da estrutura das empresas às Boas Práticas de Fabricação que seguramente influenciaram positivamente na qualidade dos produtos destinados à alimentação animal: “Essas empresas conseguiram aplicar as Boas Práticas de Fabricação, seja por iniciativa própria ou a partir de consultorias, sempre com a orientação dos Fiscais Federais Agropecuários para o atendimento da Instrução Normativa do Mapa”, explicou.

Comprometimento
O vice-presidente executivo do Sindirações, Ariovaldo Zani, diz que nota o comprometimento das empresas na implementação do sistema: “Observamos, pela grande demanda de treinamento e participação ativa das empresas, a preocupação no entendimento da regulamentação, os conceitos e como implementá-los. Treinamos, até o momento, 240 delas e a maioria não é associada ao Sindirações. Mas, ainda há muito por fazer, especialmente em regiões mais afastadas e que têm pouco acesso à informação ou onde se observa menor intensidade de atividades de fiscalização”, finalizou.

Na opinião de Janaína Garçone, a alimentação animal é a base da cadeia de produção animal e promove a melhoria de desempenho dos animais produtores de alimentos. A ligação direta entre a alimentação dos animais e a segurança dos alimentos de origem animal exige que a produção das rações seja considerada parte importante da cadeia de produção de alimentos no contexto da sua segurança, e por isso, as Boas Práticas de Fabricação têm contribuído para a expansão do comércio de alimentos para animais e alimentos de origem animal para o consumo humano.

Produção de cana-de-açúcar pode estagnar no próximo ano
A baixa rentabilidade e a estimativa de que nove usinas podem deixar de produzir na próxima safra fizeram com que o setor sucroalcooleiro projete estagnação da produção de cana-de-açúcar em 2014. O anúncio foi feito esta semana pela Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), entidade que tem como associadas usinas do centro-sul do país.

De acordo com a entidade, a safra atual conseguiu cumprir a demanda de combustíveis no país por causa da maior renovação de canaviais devido a financiamentos com juros subsidiados, formação de estoques e desonerações de PIS e Cofins. "As condições climáticas deste ano podem refletir negativamente na safra do ano que vem", afirmou Antonio Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica.

Safra atual
Na atual safra, houve um aumento de 10% na produção de cana em relação à passada, com 587 milhões de toneladas de cana, cenário de alta que não deve se refletir no próximo ano. Os dados são referentes ao dia 1º, quando 75 usinas já haviam terminado suas safras.

Celso Torquato Junqueira Franco, presidente da Udop (União dos Produtores de Bionergia), disse concordar com a previsão e fala até em queda de produção na safra 2014/15. "Ainda é prematuro avaliar essas previsões, o período mais seguro é abril."

Já para Thiago Campaz, especialista da consultoria FG Agro, a próxima safra de cana poderá ter um crescimento de até 3% na produção, por conta da capacidade de moagem das usinas. "O que deve ditar isso é o regime de chuvas do ano que vem ", declarou.

Cenário
A produção de etanol na atual safra cresceu 18,97%. A de açúcar 0,66%. “Foi uma safra bem mais alcooleira do que açucareira. Seria preciso importar 7,4 bilhões de litros de gasolina caso não houvesse crescimento", disse Rodrigues.

Para Campaz, para aumentar a produção, a indústria deveria investir em capacidade de moagem, não em cana.