ECONOMIA

Veículos em pátio de montadora: aumento de preço
28/12/2013

PREÇO DOS AUTOMÓVEIS SOBE EM JANEIRO DEVIDO O AUMENTO DO IPI


Montadoras dizem que alta será de 2,2% devido ao imposto

As montadoras de automóveis avaliam que o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) pode significar reajuste de até 2,2% no preço repassados ao consumidor. A alteração na alíquota, que estava reduzida desde maio de 2012, foi anunciada pelo governo terça-feira, dia 24, e entrará em vigor em duas etapas: a partir de janeiro e em 1.º de julho de 2014.

Com o anúncio do reajuste, a equipe econômica da presidente Dilma Rousseff começa a retirar as medidas anticíclicas usadas para amenizar os efeitos da turbulência internacional sobre a atividade doméstica.

Apenas com o retorno de parte do imposto para os carros, o governo espera um aumento de R$ 950 milhões na arrecadação no primeiro semestre. Levando-se em conta também o aumento do imposto para o setor de móveis, o aumento de receita chegaria a R$ 1,145 bilhão.

O Ministério da Fazenda acredita que não haverá impacto sobre a inflação nem demissões no setor por causa de um pacto fechado com a indústria.

Como será o aumento
Para veículos nacionais até 1.0, a alíquota, que era de 2% - já descontados os 30 pontos porcentuais do Programa Inovar-Auto, passa a 3% em janeiro de 2014 e retorna ao patamar original de 7% em julho do próximo ano. Para automóveis flex até 2.0 fabricados no País, a alíquota estava em 7% e sobe para 9% em janeiro, e retorna ao patamar original de 11% em julho de 2014. Os carros nacionais a gasolina até 2.0 tinham alíquota de 8% e passarão a ser tributados em 10% a partir de janeiro e voltam a 13% a partir de julho.

No caso dos utilitários nacionais, a atual alíquota de 2% passa a 3% em janeiro e retorna ao patamar original de 8% a partir de julho de 2014. O IPI para utilitários para transporte de carga, hoje em 2%, sobe para 3% em janeiro e 4% em julho, ficando ainda abaixo da alíquota original de 8% para o grupo. No caso dos caminhões, o IPI continua zerado.

Os automóveis também tiveram reajuste da alíquota de IPI, que passa em 1º de janeiro de 3,5% para 4%. Em junho, o governo vai avaliar o impacto da política para ver como vai prosseguir os aumentos do imposto para o setor.

O fim do IPI para caminhões, segundo o secretário executivo interino do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira, é "definitiva", ou seja, terá validade até que nova decisão seja apresentada. "Caminhão é um bem de capital. É, em particular, um bem de logística e que tem impacto em toda a economia", argumenta.

Impacto
Oliveira diz que a volta gradual do IPI é para "evitar um impacto muito grande nas vendas". "Do ponto de vista da decisão de política, todos sabiam que (a redução) era temporária", disse.

Ele acredita que o acordo fechado com a indústria automotiva barrará repasses além da recomposição da alíquota. "Há o compromisso de que o aumento dos preços não seja acima do justificado”. Ele acrescenta que, nos últimos meses, até por conta dos benefícios concedidos pelo governo, a inflação dos automóveis tem ficado abaixo da média. Além disso, lembra que a transmissão para os preços não ocorre de forma automática, pois há variáveis como estoques e condições de mercado.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) estima que para cada ponto porcentual de alta no IPI, há um impacto de 1,1% nos preços finais. "Os aumentos estão acima de nossas expectativas iniciais e ainda não podemos fazer prognósticos detalhados dos impactos no mercado, mas é importante lembrar que o 1 ponto adicional de IPI, no caso dos populares, representa o acumulado de dois meses de inflação, e certamente com impacto no volume de vendas", diz Luiz Moan, presidente da Anfavea.

Ele lembra que, de maio de 2012 a 30 de novembro deste ano, a indústria deixou de recolher pouco mais de R$ 4,9 bilhões com a redução de IPI, mas gerou R$ 11,6 bilhões em PIS/Cofins, IPVA, ICMS. Houve ainda produção adicional de 1,3 milhão de veículos e aumento de 10 mil de empregos.

"A arrecadação adicional comprova que a redução do IPI sobre os automóveis mais tributados do mundo tem efeito extremamente positivo para a economia brasileira", diz Moan.

Estoques
Com estoques elevados, entre 50 e 55 dias de vendas, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o repasse aos preços não deve ser imediato. "Mas os modelos 2014, fabricados a partir de janeiro, certamente ficarão mais caros", diz o presidente da entidade, Flávio Meneghetti.

Em sua opinião, a recomposição do IPI, ainda que parcial, terá "impacto significativo na demanda" por carros ao longo de 2014. "Além do IPI, tem a inclusão do airbag e do freio ABS", ressalta Meneghetti. A Anfavea calcula que os dois itens de segurança encarecem os veículos entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil, mas são poucos os modelos que ainda saem de fábrica sem esses equipamentos.

Para o consultor da Carcon Automotive, Julian Semple, só o efeito IPI pode não ser tão dramático. No caso de um modelo de R$ 30 mil, a alta seria de R$ 330, valor que ele considera "negociável" com a revenda.

O diretor da concessionária Volkswagen Amazon, Marcos Leite, já recebeu nova tabela de preços com reajustes para o dia 31 de 1,3% em média, mas em razão da mudança de ano/modelo. O IPI maior, portanto, não estaria contemplado.

"Quem quiser aproveitar para comprar nesse fim de ano vai ter vantagens, pois todo o estoque está com o IPI menor", avisa Leite. "Quem vai dar o usado na troca terá a vantagem de não recolher o IPVA desse modelo no início do ano, só o do novo carro."