A Kombi foi produzido pela Volkswagen ininterruptamente de meados de 1956 até 20 de dezembro de 2013. O utilitário é considerado o precursor das vans de passageiros e cargaO Conselho Nacional de Trânsito (Contran) no mês de dezembro decidiu que a perua Kombi não poderá ser fabricada no país a partir de 2014. A informação foi revelada pelo ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, havia cogitado a possibilidade de abrir uma exceção na regra que determinava que todos os veículos fabricados no Brasil a partir de 1º de janeiro de 2014 saiam de fábrica com airbag duplo e freios ABS.
"Não houve resistência das montadoras em criar um perdão para a Kombi porque o produto não tem concorrência. Não é caminhonete, não é automóvel. Não é veículo. É um produto diferente, sem similar", afirmou o ministro.
Aguinaldo Ribeiro, inclusive, contrariou o discurso de Mantega. "Seria um retrocesso à revogação da resolução. Há uma preocupação em elevar o padrão de segurança dos carros brasileiros. Estamos focados na vida e na segurança das pessoas. A solução para a vida das pessoas não pode prescindir destes equipamentos que comprovadamente reduzem a quantidade de vitimas nos acidentes de trânsito.".
“Velha Senhora”
A Kombi foi produzido pela Volkswagen ininterruptamente de meados de 1956 até 20 de dezembro de 2013. O utilitário é considerado o precursor das vans de passageiros e carga.
A Kombi foi idealizada pelo holandês Ben Pon na década de 1940, que projetou a combinação do Volkswagen Sedan em um veículo de carga leve.
Lançada na Alemanha em 1950, o modelo era equipado com motor 4 cilindros 1.2 l com refrigeração a ar e 25 cavalos de potência. Ao lado do Fusca, a Kombi marcou o início das atividades da Volkswagen no País, há 60 anos. Sua montagem começou no ano de 1953, em um galpão no bairro do Ipiranga, em São Paulo.
A partir de 2 de setembro de 1957 o modelo passou a ser efetivamente produzido no Brasil, na fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo. A Kombi foi o primeiro veículo fabricado pela Volkswagen do Brasil, antes mesmo do Fusca, e o primeiro feito pela empresa fora da Alemanha. O nome Kombi é uma abreviação, adotada no Brasil, para o termo em alemão Kombinationsfahrzeug, que em português significa “veículo combinado”. Na Alemanha o modelo recebeu o nome VW Bus T1.
A trajetória internacional da Kombi brasileira se iniciou com as exportações da Volkswagen do Brasil nos anos 1970 para mais de 100 países. Os principais mercados externos da Kombi foram Argélia, Argentina, Chile, Peru, México, Nigéria, Venezuela e Uruguai.
Nova geração
O mecânico Antônio José Alves (“Toizinho da Dacar”), especializado há 39 anos em veículos da marca Volkswagem, falou sobre o veículo. “Acredito que a Kombi já está ultrapassada, apesar de ser um veículo bom que sempre teve um ótimo motor e não dá muitos problemas”, afirma o mecânico.
Mas isso não significa que Volkswagen acabará com a história da “Velha Senhora”. Pensando no fiel público consumidor do utilitário, que preza por uma boa relação custo-benefício e baixo custo de manutenção, o novo veículo, que atenderá as exigências da legislação, deve chegar com preço praticamente igual ao do atual modelo. E para quem quiser algo mais sofisticado também serão oferecidas versões com mais equipamentos e que elevarão o valor do veículo.
A sucessora da Kombi será totalmente diferente. Inclusive, não será desenvolvida pelas mãos dos engenheiros da Volkswagen. Isso quer dizer que a vinda de um dos modelos vendidos pela Volkswagen no mercado europeu está descartada. De acordo com a fonte, a fabricante alemã comprará a patente de um carro criado por outra empresa e o venderá com o logo VW.
“Uma nova versão, mais moderna e com os itens de série exigidos pela nova lei, fará com que ela concorra no mercado e, até, desbanque outros utilitários do mercado atual”, completa o mecânico.
Tradição
Ao longo dos anos, para trabalho ou lazer, a Kombi desde que foi lançada sempre esteve no dia-a-dia dos brasileiros.
Tenho a perua em minha vida há muitos anos, pois meu pai também foi proprietário de uma para transportar os filhos. Ela é um ótimo utilitário para o trabalho e um carro espaçoso para, por exemplo, viajar com a família. A Kombi já se tornou uma tradição em minha casa”, diz a proprietária da Art Flor, Regina Eli de Almeida Pereira.
“Como tenho a perua desde cedo na minha vida, assim que tivemos oportunidade compramos uma para a floricultura, para realizar o transporte de mudas e afins, pois tem maior espaço, e também pode servir para passeio. Fiquei triste ao saber que ela iria sair de linha, por isso, até comprei uma nova. Tomara que uma nova versão venha com os ajustes de segurança e conforto para a comodidade dos consumidores”, conclui Regina.