André Vargas (PT-PR) disse que quis mostrar que julgamento foi injusto. Presidente do STF participou de cerimônia no Congresso Nacional.Sentado na cerimônia de abertura dos trabalhos no Congresso ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, o vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), manifestou apoio a deputados condenados no julgamento do mensalão fazendo um gesto usado pelo PT como sinal de "resistência – o punho cerrado erguido para o alto.
Em vários momentos da solenidade, Vargas repetiu o gesto e também tirou fotos dele mesmo ao lado de Joaquim Barbosa. Apesar do constrangimento, o ministro do STF permaneceu calado e não respondeu às provocações.
Após o evento, o deputado petista afirmou que o punho cerrado foi uma forma de criticar e “reagir” à condenação de parlamentares do PT no julgamento do mensalão.
“A gente tem se cumprimentado assim, um símbolo de reação aos nossos companheiros que foram injustamente condenados. O ministro está na nossa casa, então ele é um visitante, tem nosso respeito, mas estamos bastante à vontade para cumprimentar do jeito que a gente achar que deve”, justificou Vargas.
Férias
O petista ainda criticou Joaquim Barbosa por sair de férias em janeiro sem assinar o mandado de prisão do deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP). Em janeiro, o ministro rejeitou recursos do deputado e publicou o trânsito em julgado da condenação (quando não há mais possibilidade de recursos).
No entanto, o magistrado saiu de férias em 7 de janeiro sem assinar o mandado de prisão – documento necessário para que a Polícia Federal encaminhe o petista ao presídio. “Na verdade, parece que ele [Barbosa] está se comportando de forma sádica. Ele dá sentença negativa dos recursos, João Paulo veio para se entregar e não houve o mandado”, ironizou André Vargas.
Também na cerimônia de abertura do ano Legislativo de 2014, Barbosa foi indagado por jornalistas se iria mandar prender o petista ainda nesta tarde. "Não, hoje, não", respondeu.
Barbosa foi para Paris e Londres em janeiro para proferir palestras em universidades e se reunir com autoridades da União Europeia.
O comando do Supremo foi ocupado no regime de plantão pela ministra Cármen Lúcia e, posteriormente, pelo ministroRicardo Lewandowski, revisor do processo do mensalão. Os dois não assinaram o mandado por entenderem que é prerrogativa única do relator do processo, no caso Joaquim Barbosa, decretar a prisão.
Da Europa, Barbosa chegou a criticar a opção dos colegas de tribunal. Em entrevista a correspondentes brasileiros, ele afirmou que não entendeu o motivo de os ministros que o substituíram não terem expedido o mandado contra João Paulo Cunha.
"Se eu estivesse como substituto jamais hesitaria em tomar essa decisão", disse o magistrado, na ocasião.
Fonte: g1.globo.com