BRASIL

Semáforo apagado na Zona Oeste de São Paulo (Foto: André Paixão/G1)
05/02/2014

MINISTÉRIO NEGA RELAÇÃO DE APAGÃO COM ALTA DO CONSUMO DE ENERGIA




O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, descartou que a falha registrada na tarde desta terça-feira (4), e que provocou apagão em parte das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além do Tocantins, no Norte, esteja relacionada com o aumento do consumo de energia nas últimas semanas, provocado pelo calor.Ao todo, 11 estados foram atingidos. O diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, calcula que 6 milhões de pessoas foram afetadas pelo apagão. Para isso, ele considerou a média de densidade populacional de todos os estados das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, com quatro moradores por residência atingida. Seriam, portanto, 1,5 milhão de unidades consumidoras, de acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico.

`Sistema funcionou´, diz governo
O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia apontou, durante a entrevista coletiva desta terça, que não houve “desligamento descontrolado” e que a interrupção no fornecimento de energia foi provocada por um sistema automático que atua na rede de transmissão de energia elétrica e impede que uma falha cause problemas maiores.

“Aparentemente, o sistema funcionou como deveria funcionar. Poderia ter acontecido [interrupção no fornecimento de energia] como em outros eventos, como quando apagou o Nordeste todo”, disse Zimmermann.

Ele se refere ao episódio ocorrido em agosto do ano passado, quando uma queimada em uma fazenda do Piauí atingiu a rede de distribuição de energia e levou à falta de luz todos os estados da Região Nordeste. Na ocasião, a distribuição caiu de 10 mil megawatts para mil megawatts e deixou no escuro por algumas horas boa parte dos municípios nordestinos.

Zimmermann disse ainda que o sistema de energia brasileiro é “complexo”, conta com mais de 100 mil quilômetros de linhas de transmissão, e que falhas como a registrada nesta terça “ocorrem, apesar de trabalharmos com nível de confiabilidade muito alto”.

“[A falha no fornecimento de energia registrada nesta terça] não tem nada a ver com estresse do sistema”, disse Zimmermann durante entrevista coletiva na sede do Ministério de Minas e Energia, em Brasília.

Negou risco de desabastecimento
No início da entrevista, Zimmermann afirmou que não existe risco de faltar energia no país devido à falta de chuva e queda no nível dos principais reservatórios de hidrelétricas. "Esse aspecto conjuntural agravado [falta de chuva] é um processo que um sistema como o nosso é planejado para lidar”, disse o secretário.

Em entrevista à GloboNews, Zimmermann disse ainda que o sistema está equilibrado e que "foi planejado para aguentar condições muito piores" do que a atual, de pouca chuva.

O discurso repete o do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que afirmou na segunda-feira (3) que é “zero” o risco de faltar energia no país por conta da queda no nível dos reservatórios de hidrelétricas.

Recorde negativo
O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, afirmou que a afluência (quantidade de água que chega aos reservatórios das hidrelétricas e pode ser transformada em energia) do mês de janeiro é o pior desde 1954 para as regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde estão as usinas responsáveis por 70% da geração de energia do país.

“Em termos de afluência, tivemos um janeiro atípico, muito abaixo da média de longo prazo. Apesar disso, temos um equilíbrio estrutural entre oferta e demanda [de energia elétrica]. Temos uma grande quantidade de usinas e uma diversificação que permitem que, mesmo tendo um janeiro ruim em termos de afluência, não tenhamos nenhum problema no fornecimento de energia”, disse Tolmasquim.

Fonte: g1.globo.com