ENQUETES

Criança obesa: Programa visa combater problemas de saúde causados pela alimentação inadequada e sedentarismo. No destaque, o autor do Projeto de Lei, Antônio Sérgio Cardoso Telles
16/02/2014

EDIÇÃO 3067 ENQUETE - ITUVERAVA PODERÁ TER PROGRAMA NUTRICIONAL EM ESCOLAS PÚBLICAS


Projeto de Lei, aprovado na última semana, é de autoria do vereador Antônio Sérgio Cardoso Telles

Não é de hoje que em várias partes do mundo, inclusive o Brasil, têm índices alarmantes de crianças e adolescentes obesos. Alimentação inadequada somada a uma vida sedentária, com muitas horas em frente ao videogame ou à televisão, tem feito cada vez mais vítimas nesta faixa etária. Diante disso, diversos órgãos, entidades e profissionais promovem campanhas contra a obesidade infantil. Em Ituverava, a realidade é a mesma.

Foi aprovada na última sessão da Câmara Municipal, realizada no dia 4 de fevereiro, o projeto de Lei de autoria do médico e vereador Antônio Sérgio Cardoso Telles que cria o Programa Nutricional em Escolas Públicas. O objetivo do projeto, aprovado por unanimidade, é fazer com que o município contrate nutricionistas para implantar programas nutricionais em cada uma das dez escolas municipais de Ensino Fundamental de Ituverava. O objetivo é prevenir a obesidade infantil, bem como a hipertensão arterial e o diabetes.

Avaliação
De acordo com o projeto, o pediatra avaliaria o programa mensalmente. Após esta primeira fase, que será realizada por meio de uma parceria das secretaria municipais da Saúde e Educação, os estudantes com o IMC (Índice de Massa Corporal) acima do normal e com a pressão arterial alterada seriam encaminhados a endocrinologistas e nutricionistas, para serem acompanhados, junto aos pais, durante todo o ano letivo.

Os alunos com risco elevado também seriam acompanhados pelo Programa Saúde da Família (PSF) e pelo Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). Além disso, o nutricionista orientaria dietas próprias em residência para toda família.

Recursos
De acordo com o autor do projeto, Ituverava foi contemplada com o Programa Saúde na Escola, que proporcionará recursos para implantação do Projeto. “A partir desse ano, a cidade também deverá participar do Programa Brasil Carinhoso. Através dele, alunos de creches e pré-escola também devem passar pela triagem da saúde”, anuncia.

Justificativa
Antônio Sérgio Cardoso Telles explica que o projeto foi elaborado porque a obesidade infantil é hoje um problema de saúde pública mundial.

“É uma doença que se não for combatida preventivamente, se agrava na fase adulta, provocando um grande número de mortes prematuras. Não é por acaso que a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, tem como prioridade a defesa da adoção de programas nutricionais e médicos para evitar a obesidade infantil”, afirma o vereador.

“No Brasil, inclusive no Estado de São Paulo, este problema vem se agravando de maneira alarmante nos últimos anos e, por isso, exige medidas imediatas para combatê-lo. Segundo estudo da nutricionista paulista Sylvia Elizabeth Sanner, a obesidade infantil aumentou cinco vezes em nosso país nas últimas duas décadas”, alerta Cardoso Telles.

Entre as conseqüências mais graves para as crianças que sofrem deste mal, de acordo com ele, está o surgimento de diabetes, problemas cardiovasculares, hipertensão arterial e o incremento da incidência de alguns tipos de carcinoma, além do aumento dos níveis de colesterol e triglicérides. “Não é por acaso que muitos especialistas renomados da área da Saúde afirmam, de maneira categórica, que a obesidade é uma das piores aquisições da civilização moderna”, destaca.

“Hoje 40% das crianças brasileiras de 5 a 9 anos estão acima do peso, um contingente 4 vezes superior aos apresentado nos anos 70. O risco de uma criança obesa se tornar um adulto obeso é muito alto. Uma criança obesa aos 2 anos tem 15% de se tornar um adulto obeso. Aos 5 anos, este índice vai para 35%; aos 7 anos, 50% e aos 10 anos chega a 80%”, afirma o médio e vereador.

Enquete
A Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana para saber se os ituveravenses aprovam o Programa Nutricional em Escolas Públicas. A maior parte dos entrevistados é favorável.

Diabetes
Ainda de acordo com ele, a obesidade infantil pode antecipar em 10 a 20 anos a manifestação de diabetes e doenças cardiovasculares. “Julgo ser dever do Poder Público adotar programas para esclarecer, alertar e educar a população sobre importância da adoção de hábitos alimentares saudáveis. Contratar nutricionista para elaborar programas nutricionais nas escolas públicas para prevenir a obesidade infantil e disponibilizar médicos pediatras para avaliar a eficiência deste programa e, ao mesmo tempo, acompanhar a evolução do peso de cada criança são procedimentos de fácil execução e que melhorarão a qualidade de vida e a auto-estima de milhões de crianças, além de evitar, no futuro, uma imensa quantidade de mortes prematuras”, conclui.

Estudo aponta três fatores de risco para obesidade infantil
Um estudo recente da Universidade de Illinois identificou os três fatores de risco mais importantes para o desenvolvimento de obesidade infantil: sono inadequado, mãe ou pai com sobrepeso ou obesos e restrição a certos alimentos, com a intenção de controlar o peso.

Os pesquisadores chegaram a essas conclusões depois de compilar os resultados de uma extensa pesquisa realizada em 329 famílias. Com o resultado dessa análise, os especialistas devem oferecer algumas recomendações para as famílias.

Segundo eles, os pais devem reconhecer que as suas preferências alimentares estão sendo repassados para seus filhos e que esses gostos são estabelecidos nos anos pré-escolares.

“Esses são os fatores de risco mais importantes que precisamos resolver e eles fornecem um roteiro para o desenvolvimento de intervenções que podem levar a uma possível redução no status de peso das crianças. Devemos nos concentrar em convencer os pais para melhorar o seu próprio estado de saúde, disponibilizar sempre alimentos saudáveis e incentivar que as crianças durmam mais cedo”, afirma Brent McBride, professor da universidade.


“Se você viver rodeado de alimentos que lhe permitem manter um peso elevado, lembre-se que seu filho vive nesse ambiente também. Da mesma forma, se você é um adulto sedentário, você pode estar passando para ele a idéia de que é melhor assistir a televisão a brincar no parque”, ressalta.

Restrição
Os pesquisadores também afirmam que restringir o acesso a certos alimentos só faz as crianças desejarem aquilo ainda mais.


“Se as crianças nunca tiveram a chance de comer batatas fritas regularmente, elas podem comer demais quando ela aparecer no piquenique de um amigo”, ressalta.

A dica dos pesquisadores é trabalhar para mudar a oferta de alimentos em casa, sempre com ampla variedade de opções saudáveis e deixando os alimentos insalubres mais longe.

Não usar a comida para confortar os filhos e incentivar que as crianças pensem sobre o que estão comendo também são outras atitudes importantes indicadas pelos pesquisadores.


Confira as respostas: