O padre Vilmar Volpato, a psicóloga Natália Galdiano Vieira de Matos, o advogado Antoninho Carlos Vieira de Matos e o padre Antônio de Pádua DiasCom muito desprendimento e amor ao próximo, a psicóloga ituveravense Natália Galdiano Vieira de Matos é um exemplo de trabalho voluntário. Depois de ter desenvolvido diversos projetos e ações em prol dos menos favorecidos, a jovem de 27 anos partirá, na próxima quarta-feira, 19 de fevereiro, para a comunidade de Alagados, em Salvador, na Bahia, onde participará de uma missão voluntária e de uma preparação de seis meses, para que em seguida possa trabalhar como voluntária em outros países.
Em entrevista à Tribuna de Ituverava, Natália falou sobre sua decisão. “Recentemente fui aprovada em uma ONG internacional, a Fidesco. Como primeira missão, vou participar de uma formação de 6 meses em Salvador, na comunidade de Alagados, lugar muito carente, onde existem índices elevados de desemprego, miséria, prostituição e tráfico de drogas”, afirma.
“Depois desse período, atuando como voluntária em projetos sociais em Alagados, a ONG me encaminhará para outro país, que pode ser o Peru, África ou Índia. No país determinado, também atuarei em projetos que visam beneficiar comunidades carentes”, ressalta.
Trabalho voluntário
Natália também falou sobre a sua relação com o trabalho voluntário. “Viver exige a busca por sentidos e, os sentidos da minha vida somente são encontrados na relação com o outro, reconhecendo nele amor, alegria, criatividade e resistência para enfrentar os obstáculos que a vida propõe. Sinto-me viva quando compartilho, me relaciono, aprendo, cuido e me redescubro a cada dia com o próximo. Vivo também quando não cruzo os braços diante do sofrimento humano”, destaca.
“Cresci e me desenvolvi em um país com grande desigualdade social, nele pude perceber o sofrimento causado, não somente pela falta de recursos materiais, mas principalmente pela falta de justiça, honestidade, afeto e humanidade. Tornei-me sensível às causas sociais universais ao ver tanta disparidade no Brasil e no mundo”, enfatiza.
Trabalho na França
Seu mais recente trabalho voluntário foi na França no ano passado. “Fiquei na cidade de Lourdes, que acolhe peregrinos do mundo todo, que vão fazer o Caminho de Santiago Compostela. Foi uma experiência marcante, inclusive por eu ser muito religiosa”, observa Natália.
Profissão
Segundo ela, sua graduação em Psicologia também contribuiu para despertar ainda mais o seu amor pelo trabalho voluntário. “Antes mesmo de completar minha formação, direcionei meus estudos teóricos e práticos para a psicologia social. Participei de projetos sociais com crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade social e riscos de violência. Trabalhei com dependentes químicos e em programas de inclusão social de egressos do sistema prisional”, conta.
“Nesses trabalhos o que mais me admirava não eram meus conhecimentos psicológicos sendo colocados em prática, mas a alegria, a coragem, a resistência e, principalmente, o sorriso estampado no rosto de seres tão castigados e frágeis, mas repletos de vida. Crianças, adolescentes e adultos que me ensinaram e ensinam a cada dia que a Psicologia não se faz somente em um setting terapêutico com divã, se faz presente sempre quando há encontros humanos”, ressalta.
Influências
Natália também fala da influência que recebeu em Ituverava. “O meu pai, o advogado Antoninho Carlos Vieira de Matos, sempre foi uma pessoa muito politizada, crítica e atenta às causas sociais. Também aprendi a viver e me relacionar com a minha mãe Elizeti, minhas irmãs, Stefânia, Amanda e Júlia. O meu padrinho, o padre Vilmar Volpato, o médico Ecyr Alves Ferreira e sua esposa, Zélia Mota Ferreira também me influenciaram muito, pois sempre foram muito prestativos e preocupados com o próximo”, enfatiza.
Para se manter no trabalho voluntário é preciso de apoio da comunidade
Ainda segundo ela, o apoio das pessoas, espiritual ou financeiro, é muito importante para que ela continue desenvolvendo o seu trabalho. “A ação voluntária é, sobretudo, um ato de desprendimento, período que me dedicarei exclusivamente ao próximo, sem qualquer contrapartida financeira. Entretanto, não há como negligenciar despesas básicas como moradia, alimentação, higiene pessoal e medicamentos. Por isso, a colaboração das pessoas será imprescindível para a materialização deste projeto”, enfatiza.
As doações poderão ser feitas por meio de depósito na conta bancária da Associação EMA Brasil, no Banco Itaú. A agência é a 3099 e a conta-corrente é número 18200-2. O CNPJ da Associação é 11.755.985/0001-81. “É importante lembrar que é necessário que as doações sejam nominais e depois de realizadas, comunicadas aos e-mails nataliagaldiano@yahoo.com.br e crika120@hotmail.com”, complementa.
Natália Galdiano Vieira de Matos, 27 anos, se formou em Psicologia em 2008, pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Ela conclui o mestrado em 2011, pela mesma instituição.
Ela é filha do advogado Antoninho Carlos Vieira de Matos e da bancaria aposentada Elizeti Vaz Galdiano Vieira de Matos e tem as irmãs Stefânia Vieira de Matos, casada com Anderson Garcia; Amanda Galdiano Vieira de Matos e Júlia Galdiano Vieira de Matos.