BRASIL

Wagner Giudice, diretor do Deic (Foto: Kleber Tomaz/G1)
25/02/2014

40 SUSPEITOS DE `COMANDAREM´ BLACK BLOCS SÃO INVESTIGADOS EM SP




Cerca de 40 pessoas são investigadas pela Polícia Civil por suspeita de comandarem a tática black bloc em manifestações violentas em São Paulo, segundo o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), o delegado Wagner Giudice. Em entrevista ao G1 na segunda-feira (24), ele declarou que os suspeitos poderão ser indiciados por formação de quadrilha armada no inquérito que tenta associar os black blocs a uma organização criminosa.

“A pena para esse tipo de crime varia de quatro a oito anos de reclusão”, afirmou o delegado. O departamento integra a força-tarefa criada após os protestos de junho para, juntamente com a Polícia Militar e Ministério Público, coibir, deter, identificar e responsabilizar vândalos em manifestações violentas.

Nesse período, a investigação compilou todos os boletins de ocorrência envolvendo os protestos e registrados em diversos distritos policiais, bem como recebeu dados de pessoas averiguadas e liberadas pela PM nos atos. De posse desse material, o Deic centralizou a apuração e passou a intimar os suspeitos para serem ouvidos.

Preliminarmente, Giudice acredita que até 40 investigados usem a internet e telefones para se comunicarem, comandarem, organizarem, convocarem e arregimentarem pessoas para os atos violentos.

Até o momento, nenhum suspeito está preso. Todos aqueles que foram detidos acabaram liberados após prestar depoimento. “São entre 30 a 40 organizadores dos black blocs em São Paulo. Eles são suspeitos de usarem a internet e telefones para liderarem e organizarem essas manifestações”, disse o diretor. “Foram pedidas as quebras dos sigilos de meia dúzia de páginas do Facebook e celulares. Em relação ao site, apesar de a Justiça ter determinado isso, ele ainda não cumpriu a decisão para nos passar os dados dos donos das páginas.”

Segundo o delegado, mais de 300 potenciais black blocs foram listados até o momento e são investigados. “Além das lideranças, existem aquelas pessoas que atendem aos chamados das convocações e vão aos atos com a intenção de quebrar e terão de responder por danos ao patrimônio público e privado”, disse Giudice, que possui um arquivo com mais de 700 fotografias de pessoas que foram averiguadas como manifestantes violentos.

De acordo com o chefe do departamento, “os black blocs se reúnem e agem como organização criminosa”. No entendimento dele, um manifestante pacífico não vai protestar armado com pedras, paus, estilingues com bolinhas de gude e coquetel molotov. Parte desses objetos foi apreendida com suspeitos detidos, segundo Giudice.

O diretor disse que o objetivo da investigação não é o de inibir as manifestações pacíficas, mas sim os atos violentos. “Toda a vez que esse grupo de mascarados se reuniu, houve depredação. O raciocínio é simples: depredação é crime. No caso, quem o pratica se organiza, convoca um pessoal, um grupo, que sai para zoar e quebrar e ele pode ser enquadrado aí na formação de quadrilha”.

Para Giudice, além de individualizar as responsabilidades dos suspeitos, a investigação está sendo importante para entender e saber quem são os `black blocs´. “Daqueles suspeitos que acompanhei os depoimentos, para mim, eles são despolitizados. Os que eram black blocs, por exemplo, falavam que iriam para os atos como quem vai a uma `micareta punk´. Eles vão para zoar e quebrar tudo. Se juntam e fazem o efeito manada”.

Para ajudar na investigação, dois delegados do Deic foram ao Rio de Janeiro saber como a polícia carioca está apurando o caso dos black blocs. O intuito da visita foi a de trocar informações, já que alguns dos detidos em São Paulo também estiveram no Rio. “Estamos usando a expertise de prender ladrão para pegar a molecada”, disse Giudice.

“O perfil dos black blocs não muda. É quase sempre o mesmo: desempregado e jovem, acha que a única maneira de resolver seu problema é quebrando tudo. Já está se tornando uma diversão para eles, como se fosse sair numa sexta-feira à noite”, afirmou.

No sábado (22), 262 foram detidos pela PM por suposta participação em atos de vandalismo durante protesto no centro da capital paulista contra à Copa do Mundo. Pela primeira vez, a corporação usou a “Tropa do Braço” nos atos violentos. Os boletins de ocorrência desse caso foram registrados nos 3º e 5º distritos policiais, respectivamente, Santa Ifigênia e Aclimação. “Pedimos esses boletins para serem juntados a nossa investigação. Depois, vamos chamar esse pessoal para ser ouvido aqui novamente.”

Fonte: g1.globo.com