O objetivo é evitar a transmissão materna de doenças ligadas a mutações no DNA mitocondrialUma nova técnica de reprodução assistida, que permitiria criar embriões humanos com DNA de três "pais" (um homem e duas mulheres), está sendo avaliada pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos, órgão equivalente à Anvisa no Brasil. A técnica já foi usada experimentalmente em macacos, aparentemente sem efeitos negativos, e agora cabe à FDA decidir se ela poderá ser testada em seres humanos, com o objetivo de evitar a transmissão materna de doenças ligadas a mutações no DNA mitocondrial.
Uma reunião de dois dias com especialistas foi convocada pela agência nesta semana para discutir o assunto. Até o início da noite de quarta-feira, 26 (horário de Brasília), ainda não havia uma decisão, mas a tendência do debate era de que ainda era cedo demais para autorizar testes com embriões humanos, segundo um balanço preliminar publicado no site da revista Science. Apesar dos resultados aparentemente seguros em macacos, há uma série de questionamentos éticos envolvidos no debate.
A técnica consiste em retirar o núcleo de um óvulo da mãe portadora de mutações no DNA mitocondrial e transferi-lo para o óvulo enucleado (com o próprio núcleo removido) de uma doadora com mitocôndrias "sadias". Assim, o resultado da fertilização in vitro seria um embrião com material genético de três pessoas: o DNA do núcleo do espermatozóide do pai, o DNA do núcleo do óvulo da mãe, e o DNA das mitocôndrias do óvulo da doadora. Um resultado que pode ser classificado, tecnicamente, como um "embrião humano geneticamente modificado" -- ainda que a contribuição do DNA mitocondrial para o genoma completo da pessoa seja muito pequena.
O principal defensor da técnica é o pesquisador Shoukhrat Mitalipov, da Universidade de Ciência e Saúde do Oregon, que inventou o procedimento e já produziu, desde 2009, cinco macacos geneticamente modificados -- e aparentemente saudáveis -- com ele. Mitalipov defende que a técnica seja usada para permitir que mulheres portadoras de mutações conhecidas no DNA mitocondrial tenham filhos saudáveis, por meio da fertilização in vitro.
As objeções éticas à manipulação genética de seres humanos, porém, são enormes. Ainda que o objetivo inicial seja evitar a transmissão de doenças, muitos temem que a liberação da técnica abra portas para a produção de "bebês customizados", com características genéticas selecionadas em laboratório.
Fonte:estadao.br.msn.com/