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Casal brigando: agressões verbais e físicas são características comuns em pessoas com o Transtorno Explosivo Intermitente (TEI)
01/03/2014

PESSOAS AGRESSIVAS PODEM TER SÍNDROME DO PAVIO CURTO


Doença atinge 3,8% dos brasileiros, que não conseguem controlar a raiva e agridem outras pessoas

Algumas pessoas são mais “esquentadas” que outras, porém, em muitos casos, a agressividade e a raiva podem ser indícios de uma doença psiquiátrica popularmente conhecida como síndrome do pavio curto. As pessoas portadoras dessa doença, cerca de 3,8% de brasileiros, simplesmente não conseguem controlar a raiva e muitas vezes agridem outras pessoas verbalmente ou até fisicamente.

Pessoas que sofrem do Transtorno Explosivo Intermitente (TEI), o chamado pavio curto, são agressivas mesmo em situações em que uma boa conversa poderia resolver. Elas não pensam na conseqüência dos atos e acabam agindo pelo impulso, se deixando serem levadas pela raiva. Apenas depois da “explosão” é que vão refletir o que fizeram, e passam a sentir vergonha, culpa, arrependimento e tristeza.

Nas situações em que ficam irritadas, as pessoas com pavio curto ficam extremamente agressivas. Elas xingam, agridem fisicamente, quebram e arremessam objetos. Em um problema de trânsito, por exemplo, são capazes de perseguir um motorista até para agredi-lo, seja verbalmente ou fisicamente.

Isso acontece porque as pessoas com TEI têm personalidade rígida, ou seja, não aceitam que as outras pessoas cometam nada que elas consideram errado. Quando isso ocorre, a explosão é instantânea. Nessa situação, as pessoas de pavio curto são capazes de machucar, emocional ou fisicamente, qualquer pessoa, mesmo as que mais amam, como pais, marido ou esposa.

Diferenças
É importante lembrar, no entanto, que existem diferenças entre as pessoas que estão apenas mais estressadas com as pessoas que realmente sofrem do transtorno. No caso das portadoras de TEI, o ataque de fúria ocorre ao menos três vezes por semana, de forma mais brutal, quando quebram objetos, ofendem ou batem em outras pessoas.

Elas ainda têm ataques de fúria em situações que não parecem exageradas, já que a maioria das pessoas não se zangaria a este ponto. Um exemplo é na fila de banco. Enquanto uma pessoa comum pode ficar impaciente, irritada e até reclamar em voz alta, as de pavio têm um surto de gritos e agridem a equipe do banco ou mesmo as pessoas que estão à sua frente de forma verbal ou física.

Se o caixa eletrônico de uma agência bancária estiver quebrado, o portador de TEI é capaz de xingar, bater no caixa ou até quebrá-lo. Em caso de discussões, a pessoa não aceita argumentos da outra e é capaz de fazer ameaças e agressões.

Tratamento
No entanto, se engana quem acredita que esse jeito “esquentado” é normal da pessoa e jamais mudará. Quem tem o pavio curto pode fazer tratamento com psicólogo ou psiquiatra, através de sessões de terapia, que permitem que ela se livre da raiva descontrolada.

Neste tipo de tratamento, também podem ser prescritas terapias em grupo, que comprovadamente dão excelentes resultados.

Fatores genéticos e biológicos são as principais causas do TEI
A causa exata do Transtorno Explosiva Intermitente é desconhecida, mas é provável que seja causado por uma série de fatores ambientais e biológicos. A maioria das pessoas com este transtorno cresceu em famílias onde o comportamento explosivo e abuso verbal e físico eram comuns. Estar exposto a este tipo de violência em idade precoce torna mais provável que essas crianças apresentam esses mesmos traços à medida que amadurecem. Pode se manifestar na infância, com o ápice ocorrendo em torno de 30 anos, vindo a declinar por volta dos 50 anos.

Também existe a influência genética, em que a doença é passada de pais para filhos e de química cerebral, pois podem existir diferenças na maneira como a serotonina, um importante mensageiro químico no cérebro, funciona em pessoas com Transtorno Explosivo Intermitente.



Sintomas




A duração das explosões

geralmente são inferiores a 30 minutos e resultam em agressões

Irritabilidade

Aumento da energia

Raiva

Pensamentos acelerados

Parestesias (formigamento)

Tremores

Taquicardia

Aperto no peito

Sensação de pressão na cabeça



Diagnóstico




A pessoa tem tendência a ter o TEI se:

Tiver ataques de fúrias duas ou mais vezes por semana;

Os ataques de agressividade são desproporcionais ao fato que o gerou;

Os ataques explosivos não são premeditados;

Após as explosões, aparecerem sentimentos de vergonha, culpa,

arrependimentos e tristeza;

A família possui outros membros com o mesmo comportamento;

Os episódios de agressividade incluem ataques físicos e destruição de objetos e/ou propriedades;

Os ataques de agressividade são repentinos;

O comportamento agressivo é acompanhado por sensações físicas de fadiga, forte tensão, formigamento, tremores, palpitações, aperto no peito, tensão nas costas, pressão na cabeça, pensamentos raivosos que levam a fortes impulsos de agir agressivamente.