BRASIL

Na Rua Visconde de Niterói, próximo da Mangueira, o lixo e bueiro vazavam na manhã desta quinta-feira (6). (Foto: Guilherme Brito / G1)
06/03/2014

GARIS DECIDEM MANTER GREVE EM NOVA ASSEMBLEIA NO RIO




Na Rua Sotero Reis, na Praça da Bandeira, nem o aviso "Não jogue lixo aqui" impediu que a via ficasse suja, sem coleta. A mesma situação foi encontrada próximo aos Arcos da Lapa, um dos cartões-postais do Rio, na Região Central.

Na Tijuca, a situação ainda era crítica. Em outras ruas do bairro, montanhas de lixo impediam a circulação nas calçadas. Na Rua dos Araújos, em um intervalo de 50 metros havia pelo menos três focos de lixo. Para piorar a situação, móveis velhos foram depositados e se misturavam ao detrito. A recomendação é que moradores acondicionem o lixo dentro de casa, em sacos plásticos, para não agravar a situação nas ruas.

Grevistas negam motivação política

Em entrevista nesta quarta, o vice-presidente do Sindicato de Empresas de Asseio e Conservação do Estado do Rio, Antônio Carlos da Silva, falou que há pessoas ligadas a partidos políticos no movimento grevista. Célio Viana, um dos representantes dos garis em greve no Rio de Janeiro, confirmou nesta quinta que é filiado ao Partido da Republica (PR), mas negou qualquer apoio do partido político ao movimento.

"Eu fui candidato a vereador e não me desfiliei ao partido, mas isso aqui não tem nada a ver com política, com eleição, tem a ver com salário. O partido não me dá dinheiro, não paga meu salário. Quem paga é a Comlurb", afirmou.

Célio disse que já se candidatou a vereador pelo PR, mas que "não tem intenção de se candidatar" e que foi "desgastante". O representante disse que não vê o presidente do PR, Anthony Garotinho, há mais de 2 anos e que o apoio recebido vem de outras categorias de servidores. "Recebemos ajuda para fazer os prospectos do sindicato dos petroleiros, da educação e dos enfermeiros federais", disse.

Impasse

Em Botafogo, na Zona Sul, guardas municipais realizavam a escolta de profissionais de limpeza desde a madrugada. Durante entrevista coletiva na quarta, Paes afirmou várias vezes que a maioria dos garis compareceu ao trabalho durante o carnaval, mas foi impedida de trabalhar por "delinquentes", inclusive grupos armados.

“Não estou preocupado com Copa do Mundo. Estou preocupado com a limpeza da minha cidade. É muito mais difícil fazer o carnaval do Rio que a Copa do Mundo.Os lugares que tiveram maior sujeira foram exatamente onde passaram os blocos. Não me preocupa com o que os turistas estão pensando, estou preocupado com os cariocas”, disse Paes.

Na segunda (3), a prefeitura fez um acordo com a categoria e anunciou um aumento de 9% no salário dos garis, que junto com o adicional de insalubridade chegaria a R$1224,70. No entanto, o grupo de funcionários que vem realizando essas paralisações pede um aumento de 40% no adicional de insalubridade e um salário base de R$1.200. No total, a remuneração chegaria a mais de R$1.600.

A paralisação realizada por parte dos garis da Comlurb não tem apoio do sindicato municipal, que negou ter paralisado o serviço de coleta de lixo. O sindicato atribuiu a um "grupo sem representatividade a propagação de rumores de ameaça de paralisação".

Garis que não aderiram à paralisação chegaram a relatar ameaças por parte dos grevistas. Na quarta-feira, um gari foi preso por lesão corporal contra um gerente da Comlurb.

Multa de R$ 50 mil

Uma decisão da Justiça do Trabalho divulgada nesta quarta-feira determinou que a multa para o sindicato dos garis passou para R$ 50 mil para cada dia de descumprimento do acordo que estabelece volta imediata da coleta de lixo na cidade. Segundo a Comlurb, foi estabelecido ainda que os garis que não aderiram à paralisação não podem ser impedidos de trabalhar.

Fonte: g1.globo.com