Grupo de pesquisadores que desenvolveu a vacina testada em macacosEm fevereiro, foi desenvolvida no Brasil uma vacina que pode representar um dos maiores avanços da Medicina da história. Criada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), ela mostrou resultados positivos no combate ao HIV quando testada em macacos, animais que têm sistema imune muito parecido com o dos humanos.
Na pesquisa, quatro macacos resus do Instituto Butantã receberam doses de uma vacina desenvolvida com 18 fragmentos do HIV, vírus causador da Aids.
Os fragmentos foram identificados e isolados a partir da análise do DNA de pacientes soropositivos, mas que ainda não haviam manifestado a doença.
De acordo com Edecio Cunha Neto, professor de Imunologia Clínica da Faculdade de Medicina da USP, pesquisador do Instituto do Coração (Incor) e um dos coordenadores do estudo da USP, a resposta do sistema imunológico dos animais foi melhor do que os cientistas esperavam.
"Em 2006, a vacina já havia sido testada em camundongos, que costumam responder melhor do que macacos à imunização. Para nossa surpresa, a resposta imune dos macacos foi de 4 a 10 vezes maior do que a dos camundongos", explica.
Primeiro passo
A resposta indica que as células de defesa dos macacos reconheceram o vírus HIV e manifestaram uma resposta para combatê-lo, o que seria o primeiro passo em busca de uma vacina para humanos. “As boas respostas do organismo dos macacos indicam que há maiores chances de dar certo também em humanos”, anima-se o pesquisador.
O reconhecimento do vírus pelo sistema imunológico sempre foi um dos grandes desafios dos pesquisadores, uma vez que a doença ataca exatamente o sistema de defesa.
Cura pode estar próxima
Após esse primeiro teste em macacos, iniciado em novembro do ano passado e considerado piloto pelos cientistas, outros 28 animais do Instituto Butantã receberão a vacina. Desta vez, os pesquisadores dividirão os primatas em quatro grupos e aplicarão diferentes combinações da vacina para avaliar qual versão provocará as melhores respostas imunes.
A idéia é que, se os bons resultados se repetirem no novo grupo de macacos, os pesquisadores possam, em aproximadamente três anos, iniciar os testes da vacina em humanos. “O primeiro teste será com pessoas não infectadas para vermos a resposta. Então, vamos analisar se a imunização é segura. Só então faremos os testes com pessoas já infectadas”, completa.
O que é a Aids? Qual é a importância dos testes rápidos de HIV?
A Aids é a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, uma doença causada por um vírus chamado HIV. Ele ataca as células responsáveis pelas defesas do organismo e aumenta a chance do aparecimento de doenças oportunistas (infecções e tumores).
O teste de HIV é muito importante porque quanto mais cedo se descobrir a doença, que não tem cura, maior é a possibilidade de sucesso do tratamento.
Fazer o teste e saber o resultado pode ser uma decisão difícil, mas é um passo decisivo para a saúde da pessoa. O teste é indicado para todas as pessoas com vida sexualmente ativa, especialmente se fez sexo sem camisinha ou se compartilhou seringas e agulhas.
Em Ituverava são realizadas várias ações de combate à Aids
Em Ituverava, a Secretaria Municipal da Saúde promove diversas ações para prevenção e combate a Aids. São promovidas campanhas, palestras, cuidados de enfermagem, orientação e apoio psicológico, atendimentos em infectologia, controle e distribuição de anti-retrovirais, orientações farmacêuticas, realização de exames de monitoramento, distribuição de preservativo masculino e feminino e gel lubrificante e atividades educativas para adesão ao tratamento e para prevenção e controle de DST/Aids.
Também é oferecido o teste gratuito de HIV, que pode ser feito no CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento), no Posto de Saúde Central. Outra ação é a distribuição gratuita de preservativos em todos os postos de saúde, Laboratório Municipal, Centro Odontológico, Santa Casa de Misericórdia e Centro de Convivência da Terceira Idade.
Bebê com Aids pode ter sido curado nos Estados Unidos
Médicos norte-americanos anunciaram na última quarta-feira, 5 de março, que um bebê nascido com HIV pode ter sido curado. Ele seria o segundo recém-nascido a livrar-se da doença por ter recebido altas doses de um coquetel anti-retroviral poucas horas após o nascimento.
No início do ano passado, cientistas revelaram que um bebê nascido no Mississipi, nos Estados Unidos, foi tratado com doses elevadas da medicação assim que nasceu e seguiu com o tratamento por 18 meses. Exames feitos depois disso não detectaram quantidades significativas do vírus na criança, que estava com dois anos e meio.
Ela teria passado pelo que os médicos chamam de “cura funcional”, quando a presença do vírus é tão reduzida que o sistema imunológico é capaz de controlá-lo sem a ajuda de medicamentos. No entanto, os cientistas ainda estavam céticos a respeito desse tipo de cura e tinham dúvidas se o tratamento funcionaria em outros recém-nascidos.
Os pediatras do Hospital Infantil Miller, na Califórnia, Estados Unidos, onde o segundo bebê nasceu, tinham visto o sucesso do tratamento da primeira criança e tentaram reproduzi-lo. Nove horas após o nascimento, deram ao bebê um coquetel de AZT, 3TC e nevirapine, usado para o tratamento de crianças mais velhas.
As recomendações médicas sugerem que se administrem doses profiláticas de um ou dois anti-retrovirais durante as primeiras seis semanas de vida em crianças com risco de desenvolver a doença, ou seja, nascidos de mães soropositivas que não receberam o tratamento adequado. Apenas depois de receberam o diagnóstico da doença, normalmente entre um e quatro meses de idade, elas passam a tomar o coquetel de três anti-retrovirais.