Consumidor ajudará a pagar fatura, mas nova tarifa só sairá no fim do ano. Setor sofre com elevação do preço da energia e falta de chuvas.O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou nesta quinta-feira (13) que o governo vai fazer um aporte extra, de R$ 4 bilhões, com recursos do Tesouro, para ajudar a pagar pelo uso das usinas termelétricas desde o início de 2014. Esse custo extra ocorre porque a produção de energia feita pelas térmicas é mais cara que a das hidrelétricas.
O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, anunciou que, apesar de haver um déficit no setor por causa da falta de chuvas e do baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas, as contas de luz dos consumidores brasileiros não terão reajustes este ano.
O ministério explicou que a definição da tarifa só é feita uma vez ao ano e, por isso, no final de 2014 será feita uma avaliação de quanto será necessário para suprir o rombo do setor.
Apesar do anúncio do Tesouro, de arcar com os R$ 4 bilhões, outra parte dessa conta será paga pelos brasileiros via conta de luz. O Tesouro é o órgão que arrecada os impostos pagos no país – ou seja, os brasileiros vão, em algum momento, pagar a totalidade dessa conta.
Durante o anúncio desta quinta, Mantega informou que a Câmara de Comercial de Energia Elétrica (CCEE) será autorizada a fazer empréstimo de R$ 8 bilhões no mercado “para cobrir as necessidades das distribuidoras” de energia. O governo não deu detalhes, até o momento, de como esse sistema vai funcionar.
Mantega também confirmou que a conta pelo uso das térmicas, além da gerada pela necessidade das distribuidoras comprarem energia no mercado à vista, onde o valor chegou a patamar recorde nesse início de ano, será dividido entre “a União, consumidores e agentes do setor” elétrico.
Conta bilionária
Ainda não é possível dizer de quanto será a conta pelo uso mais intenso das termelétricas em 2014. Isso vai depender de alguns fatores, entre eles a intensidade das chuvas nas principais bacias do país até o final de abril, o patamar de preço da energia no mercado à vista nos próximos meses e a entrada em operação de novas usinas de geração de energia.
Entretanto, a expectativa é que essa fatura supere a do ano passado, que foi de cerca de R$ 9,5 bilhões. Assim como em 2013, agora as usinas termelétricas estão gerando mais energia por conta da falta de chuvas e consequente queda no nível de armazenamento dos reservatórios de hidrelétricas. Ao acionar as térmicas – que geram por meio da queima de combustíveis como óleo, gás, carvão e biomassa -, poupa-se água dessas represas, medida necessária para garantir o abastecimento durante o período seco.
Leilão de energia
O governo acredita que o reajuste da tarifa no ano que vem pode ser minimizado por uma série de fatores conjunturais, entre os quais um novo leilão de energia, marcado para 25 de abril, em que as distribuidoras vão poder contratar, de geradoras, o fornecimento de energia de maneira imediata.
Com essa medida, o governo pretende reduzir a chamada exposição involuntária de parte das distribuidoras, ou seja, a necessidade que elas têm hoje de comprar parte da energia para atender aos seus consumidores no mercado à vista, o que também contribui para encarecer a conta de luz.
O preço da energia no mercado à vista costuma ser mais alto mas, neste início de ano, o valor atingiu patamar recorde por conta da queda no nível dos reservatórios das principais hidrelétricas.
Fonte: g1.globo.com