A dentista Dra. Carolina de Souza GuerraApaixonada pela área de pesquisa científica, a dentista Dra. Carolina de Souza Guerra desenvolveu, como tese de mestrado, um trabalho que de grande repercussão nacional e internacional. A pesquisa, intitulada “Uso do esmalte dental como marcador de contaminação ambiental no Brasil para grupos de crianças expostas ao chumbo”, também foi apresentada em outros países e foi tema de reportagem do programa Globo Universidade, da Rede Globo. A pesquisa foi financiada pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).
Em entrevista à Tribuna de Ituverava, Dra. Carolina falou sobre a pesquisa e o que despertou o seu interesse por essa área científica. “Pode-se dizer que o chumbo é um inimigo oculto para as crianças, pois silenciosamente pode entrar em contato com ela, que contaminada pode ter sintomas muitas vezes confundidos com virose, incluindo náuseas, vômitos, dor de cabeça e, em casos mais graves, onde os níveis de chumbo presente no ambiente em que a criança vive são elevados, pode causar hiperatividade, retardo mental, convulsões e até levar à morte”, explica.
“Uma dúvida freqüente dos pais é identificar as fontes de contaminação para prevenir que as crianças entrem em contato com esse metal tóxico. Felizmente, os níveis de chumbo presentes no meio ambiente têm diminuído gradativamente desde a década de 80, pois antes, na forma de chumbo tetraetila, era um dos componentes da gasolina, exercendo a função de antidetonante. Além disso, o chumbo estava presente na composição de pigmentos, que eram utilizados para fabricação de tintas”, ressalta.
Descoberta
Segundo ela, depois que foram descobertos os seus efeitos tóxicos, o uso do chumbo foi proibido na composição de tintas e pigmentos. “Mas ainda hoje pode-se encontrar tintas e pigmentos contendo chumbo na composição, as quais ainda são utilizadas para pintura de casas, brinquedos e maquiagens. É preciso estar atento, pois infelizmente no nosso país ainda existem produtos que não estão regulamentados e utilizam na sua produção produtos tóxicos. Recentemente, por exemplo, alguns brinquedos foram retirados do mercado por apresentarem chumbo na composição dos pigmentos utilizados na pintura. Logo depois, algumas maquiagens também foram retiradas do mercado pelo mesmo motivo”, ressalta.
“O grande problema é que há uma fase em que as crianças têm o hábito de levar tudo à boca e nesse gesto, o chumbo é deglutido e passa a oferecer risco à saúde proporcionalmente à quantidade ingerida. Deve-se ressaltar que mesmo em pequenas quantidades o chumbo apresenta riscos, sendo que especialmente as crianças devem ser resguardadas, uma vez que, estão com seus órgãos ainda em desenvolvimento, sobretudo o sistema nervoso central”, enfatiza Carolina.
Pesquisa
Dra. Carolina explicou os resultados alcançados com a pesquisa científica. “Há décadas o sangue tem sido o principal marcador toxicológico para identificar contaminação ambiental por chumbo, ou seja, a contaminação ambiental pode ser diagnosticada por meio de exames de sangue em laboratórios certificados. O grande problema é que o sangue identifica apenas a contaminação recente, pois o chumbo permanece no sangue por 30 ou 40 dias. Após esse período, ele é depositado nos tecidos duros como ossos e dentes. O osso também pode ser utilizado como marcador, porém o procedimento utilizado para este fim é a biópsia óssea, invasivo, dependente de procedimento cirúrgico e de tecnologias de alto custo. Outra desvantagem seria que em crianças, em virtude do crescimento, acontece o que chamamos de remodelação óssea, por esse motivo, os níveis de chumbo não permanecem estáveis, dependendo da fase de desenvolvimento da criança”, explica.
“Diante das limitações dos biomarcadores já explorados, o grupo de pesquisa, da qual fiz parte, começou a usar o esmalte dental como marcador toxicológico. Surgiu o interesse pelo fato do esmalte dental, tecido mais superficial dos dentes, ser muito semelhante aos ossos, estar exposto na boca, sem a necessidade de procedimentos cirúrgicos e ou invasivos para o acesso”, ressalta.
Exame é Simples, Rápido e Barato
Segundo ela, este exame é simples, rápido e barato. “Pode ser feito com uma fita adesiva da 3M, com perfuração central e colocando ácido diluído por alguns segundos numa pequena área do dente. Esse ácido é aspirado e transferido para um recipiente livre de contaminação, o qual é enviado para o laboratório. Não há necessidade de remover nenhum pedaço do dente e a desmineralização provocada pelo ácido utilizado pode ser tratada imediatamente com aplicação de flúor pelo cirurgião dentista”, conta.
“O resultado de anos de trabalho resultou em uma patente já registrada e reconhecida. Além disso, os trabalhos foram publicados em revistas internacionais de renome e com Qualis. Também já apresentei os resultados do trabalho em várias cidades do Brasil, em Barcelona no IADR (InternationalAssociation Dental Research), em Chicago e neste ano está programado para apresentá-lo na África do Sul, em Cape Town. A pesquisa foi também assunto do programa Globo Universidade, da Rede Globo”, conta Carolina.
Dentista ressalta interesse por pesquisas científicas
Dra. Carolina de Souza Guerra conta que desde a graduação passou a se interessar por pesquisa científica. “Ainda na graduação realizei iniciação científica orientada pelo professor Dr. Wildomar José de Oliveira, docente na Uniube. Ao término, ingressei no mestrado em Odontopediatria na USP, na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto, quando desenvolvi a pesquisa ‘Uso do esmalte dental como marcador de contaminação ambiental no Brasil para grupos de crianças expostas ao chumbo’”, destaca.
“Muitos ainda não imaginam o porquê de uma cirurgiã dentista ter se interessado por contaminação ambiental, mas esse interesse foi motivado pela pesquisadora professora Dra. Raquel Fernanda Gerlach. Ela é docente na USP e já havia iniciado suas pesquisas nessa área e na mesma época ingressei na pós-graduação e passei a fazer parte desse grupo de pesquisa”, lembra.
Projetos
Dra. Carolina afirma que pretende dar continuidade aos trabalhos e publicar os resultados das pesquisas. Atualmente ela também exerce a função de odontopediatra e ortodontista no Instituto Pró-Saúde, em Ituverava, na Rua Capitão Florindo José da Silva, 431, e atua em um projeto próprio, chamado Cárie Zero. “Pretendo monitorar as crianças desde o nascimento dos primeiros dentinhos até o estabelecimento da dentição permanente para que não desenvolvam cárie. Além disso, esse trabalho, quando necessário, envolve tratamento ortodôntico ou ortopédico para que as funções de estética e saúde sejam restabelecidas de uma só vez”, complementa.
Hoje, além de atuar no Instituto Pró-Saúde, Dra. Carolina atende em Sertãozinho, mas pretende ampliar as suas atividades em Ituverava.
Serviço
Instituto Pró-Saúde
Endereço: Rua Capitão Florindo José da Silva, 431
Telefone: 3839-8006
Ituveravense
Carolina de Souza Guerra é filha de Aloísio Horácio Guerra e Sônia Maria de Souza Guerra e tem a irmã Camilla. Ela é noiva do Dr. Flávio Cardoso Pereira, radiologista do corpo clínico da Santa Casa de Misericórdia de Ituverava.
Carolina concluiu os Ensinos Fundamental e Médio na Escola Estadual “Capitão Antônio Justino Falleiros” e se formou em Odontologia pela Universidade de Uberaba (Uniube). Ela se especializou em Odontopediatria, Ortodontia e Ortopedia Funcional dos Maxilares, fez mestrado na Universidade de São Paulo (FORP-USP), e doutorado na Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP-Unicamp).