Derretimento de geleiras tem sido apontado por muitas pessoas como conseqüência do aquecimento global Através de relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, a ONU (Organização das Nações Unidas) afirmou, na última semana, que o impacto do aquecimento global será grave, abrangente e irreversível. Segundo o relatório, até agora os efeitos do aquecimento são sentidos de forma mais acentuada pela natureza, no entanto, o impacto será cada vez maior sobre a humanidade.
Segundo a ONU, mudanças climáticas vão afetar a saúde, habitação, alimentação e segurança da população no planeta. O texto afirma que a quantidade de provas científicas do impacto do aquecimento global dobrou desde o último relatório, lançado em 2007.
"Ninguém neste planeta ficará imune aos impactos das mudanças climáticas", disse o diretor do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, Rajendra Pachauri.
Relatório
Segundo o relatório, nos próximos 20 a 30 anos, sistemas como o mar do Ártico estarão ameaçados pelo aumento da temperatura em 2 graus Celsius. O ecossistema dos corais também pode ser prejudicado pela acidificação dos oceanos.
Na terra, animais, plantas e outras espécies vão começar a "se deslocar" para pontos mais altos, ou em direção aos pólos.
Outro ponto levantado pelo relatório é a insegurança alimentar. Algumas previsões indicam perdas de mais de 25% nas colheitas de milho, arroz e trigo até 2050. Enquanto isso, a demanda por alimentos vai continuar aumentando com o crescimento da população, que pode atingir nove bilhões de pessoas até 2050.
Professora de Meteorologia afirma que há duas vertentes sobre o tema
E Entrevistada pela Tribuna de Ituverava, a professora de Meteorologia da Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram), Anice Garcia, pede cautela sobre o tema. “Há duas vertentes de pensamentos nesse assunto. Aqueles que concordam que é um aquecimento global e que o principal causador são ações antrópicas (causadas pelo homem) e aqueles que acreditam que é um ciclo, e que em algum tempo tudo se normalizará”, explica.
“O complicado é que os dois lados dessa tese têm pesquisadores muito capacitados e competentes, defendendo os seus pontos de vista, com argumentos fortes e válidos”, ressalta.
Variabilidades climática
Ainda segundo ela, o que ninguém discorda é que a Terra passa por variabilidades climáticas, sejam elas permanentes ou temporárias. “Essa instabilidade climática, com certeza, não ajuda nos modelos de previsão climática. E quando se pensa que as previsões feitas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas são para 50 ou 100 anos, fica mais complicado ainda”, defende.
“O relatório não traz verdades incontestáveis, e sim previsões. Ele analisa quais são os possiveis cenários futuros frente às causas naturais e antrópicas que estão causando a instabilidade climática atual, e qual a probabilidade – com confiança alta, média ou baixa – de acontecerem. Então, os efeitos dessas mudanças podem ser mais ou menos preocupantes, dependendo do nosso comportamento a partir de agora”, enfatiza.
Atitudes
Segundo a professora de Meteorologia, independente de o aquecimento global ser ou não real, existem algumas iniciativas que podem ser benéfícas para o planeta. “As medidas propostas vão desde a melhoria da eficiência energética e das fontes mais limpas de energia, agricultura e silvicultura sustentáveis, bem como a proteção de ecossistemas para o armazenamento de carbono”, lembra.
“Mas mesmo que acreditemos que é um fenômeno natural e que seja somente um ciclo, a adoção de medidas para minimizar a reduzir consumo de energia e diminuir a poluição do ar, só trará bem a nós e ao meio ambiente”, conclui Anice.
Argumentos que defendem o aquecimento global
Aumento da emissão dos gases do efeito estufa - causado, principalmente, pelo aumento do uso de combustíveis fósseis (gasolina e diesel). Os principais gases que favorecem o aquecimento global são: Dióxido de Carbono (CO2), Gás Metano (CH4), Óxido Nitroso (N2O), Perfluorcarbonetos, Hexafluoreto de Enxofre (SF6) e Hidrofluorcarbonetos (HFCs).
Queimadas de matas e florestas: além de reduzir a quantidade de árvores, que servem como reguladoras da temperatura, as queimadas jogam gases poluentes na atmosfera.
Desmatamento: tem ocorrido, principalmente em países em desenvolvimento, como forma de ampliar as áreas para agricultura e pastagem de animais, além da exploração de madeira. Com menos cobertura de árvores e plantas, aumenta a temperatura do meio ambiente.
Desenvolvimento urbano sem planejamento - diminui as áreas verdes nas cidades, aumentando a quantidade de concreto. Esse fator favorece a formação de ilhas de calor.
Desertificação - queimadas e desmatamento podem resultar no processo de desertificação (formação de desertos) em várias regiões do mundo.
Argumentos que desmentem o aquecimento global
Segundo alguns meteorologistas, o clima na Terra é alterado por vários motivos, inclusive fatores de fora do globo, como a radiação solar. Para eles, a Terra já passou por mudanças climáticas ciclicamente.
O aquecimento global é causado pela radiação do sol e não pela emissão excessiva de CO2. O sol funciona através do ciclo de Gleisberg: a cada 50 anos, sua atividade varia e a energia produzida por ele é quem aquece ou esfria a Terra.
O clima na Terra sempre sofreu por diversas variações. Estima-se que a temperatura era pelo menos 10°C mais alta há 7 mil e 3 mil anos atrás, e também entre os anos 800 e 1200 d.C. Nessa época o Canadá foi colonizado. Hoje, a área do país é coberta por gelo. Porém, naquela época, a concentração de CO2 era 50% menor que hoje. De acordo com os argumentos contra a teoria do aquecimento global, hoje há mais CO2 na Terra porque o gás reage com atraso de 800 anos em relação à variação de temperatura. Esse seria o tempo que leva para o oceano esquentar ou esfriar, retendo ou liberando o gás carbônico.
Algumas geleiras estão diminuindo por que camadas superiores da atmosfera estão mais secas e frias. Isso faz com que a produção de neve seja menor.
Essa teoria diz que o nível do mar não está aumentando. O iceberg que derrete não aumenta o nível do oceano. O volume de água que derrete ocupa o mesmo volume do gelo. Segundo observações de satélites, o nível do mar subiu 5 cm entre 1992 e 2006. Agora estaria estabilizado. O nível do mar já teria aumentado muito mais por outras razões como fenômenos como o El Niño e influência da órbita da Lua.
A variação de temperatura entre 1925 e 1946 foi de aquecimento médio de 0,4°C no planeta. Nessa época, o nível de CO2 lançado na atmosfera era 10% menor que o de hoje. Entre os anos 1947 e 1976 a variação de temperatura teria diminuído 0,2°C. Nessa época, a emissão de CO2 era bem maior. Portanto, a variação de temperatura não é causada pelo homem, e sim, é um fenômeno natural da Terra.
É falsa a informação que diz que o gelo da Terra está derretendo. O gelo do pólo Norte estaria variando em seu volume por causa dos seus ciclos de aquecimento e resfriamento. Esse período dura de 20 a 40 anos. A água mais quente passa por baixo dos icebergs e derrete o gelo submerso. Parte do gelo se desmorona. Porém, essa parte que derrete representa somente 10% do volume do bloco de gelo. Segundo essa teoria, o gelo da superfície não derrete.
Dados publicados pela ONU com relação ao aquecimento global não têm comprovação científica. Projeções feitas pelo órgão são somente especulações.
Os oceanos, o solo e a vegetação emitem um volume de CO2 30 vezes maior que os seres humanos.