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Estresse é mais comum entre as mulheres: principal causa é o acúmulo de funções
14/04/2014

MULHER É MUITO MAIS ATINGIDA PELO ESTRESSE DO QUE HOMEM


Pesquisas recentes demonstram que o principal fator é a sobrecarga de responsabilidade do sexo feminino

Em uma sociedade que exige que as pessoas sejam cada vez mais ágeis e competitivas, faz com que elas executem diversas funções em seu cotidiano, o estresse, como conseqüência, mais do que nunca é um mal comum entre homens e mulheres, independente de classe social.

No entanto, como apontaram recentes pesquisas, as mulheres são mais atingidas pelo estresse. A explicação deste fenômeno é que elas, muitas vezes, acumulam varias funções, como trabalhar fora, cuidar da casa e dos filhos.

Além disso, boa parte dos homens tem mais momentos de lazer que as mulheres, pois fazem happy hour com os amigos ou jogam futebol, enquanto a mulher continua com suas funções de mãe e dona de casa, mesmo longe do trabalho.

O mais recente estudo sobre o tema foi feito pela seguradora Sul-América. Foram entrevistadas 29 mil pessoas em 12 Estados brasileiros. Entre as 17 mil pessoas do sexo feminino que responderam à pesquisa, 51% apresentaram nível elevado de estresse. Entre os 12 mil homens entrevistados, a taxa de respostas afirmativas para a queixa foi de 28%, 34 pontos porcentuais a menos do que elas.

Sobrecarga de trabalho
A presidente do International Stress Management Association (ISMA- Brasil), Ana Maria Rossi, aponta a competição no trabalho simultânea aos afazeres domésticos como a responsável pelos resultados da pesquisa entre o público feminino. “Há algum tempo fizemos uma pesquisa comparativa entre homens e mulheres e perguntamos quais eram os fatores desencadeantes de estresse. As respostas foram bem diferentes e mostraram o peso da função dupla para elas”, afirma.

Enquanto as mulheres apontaram a “sobrecarga no serviço” como grande vilã do estresse, os homens elegeram a “incerteza profissional” como responsável. “As escolhas diferentes mostram as diferenças na manifestação do estresse. E o problema não é restrito aos centros urbanos e nem limitado pelo tamanho da cidade”, destaca.

Interior
Além de mostrar as mulheres como vítimas principais do estresse, pesquisas recentes mostram que a queixa rompeu os limites das grandes metrópoles e levou seus danos às cidades do interior, locais antes sempre associados a uma melhor qualidade de vida.

Um grupo de médicos do Governo de São Paulo analisou dados coletados em 10 anos (1996 e 2006) para traçar o perfil das doenças crônicas paulistas e encontrou informações sobre enfarte tão altas na capital quanto no interior.

Os dados foram publicados na edição de outubro de 2013, no Boletim Epidemiológico Paulista (Bepa) e dão conta de que a taxa de enfarte no Estado é de 50,8 casos em 100 mil habitantes. Superam esse índice não apenas a capital paulista (58,6), como também as áreas de Ribeirão Preto (51,4), São João da Boa Vista (53,8) e Bauru (51,2).

Outros problemas
Não é apenas o coração a única vítima do problema. A Organização Mundial de Saúde (OMS) relaciona o estresse a uma lista interminável de doenças, entre elas câncer, depressão, doenças gastrointestinais, infecciosas e distúrbios reprodutivos. Para a presidente da ISMA-BR, apesar de terem mais conhecimento sobre o mal moderno, as mulheres ainda não colocam em prática hábitos para diminuir o impacto do problema.

“As pessoas continuam adoecendo de forma incrível. Apesar de saberem dos perigos, dos danos do estresse, essa informação não tem surtido o comportamento esperado” diz Ana Maria.

Respiração
Segundo ela, a respiração é a chave para mandar para longe o estresse. “Durante o trabalho, em casa, na faculdade, na escola ou no supermercado as pessoas devem tentar reservar alguns minutos para respirar profundamente, tendo em foco que a tarefa tem a missão de relaxar o corpo”, diz.

“Deve-se inspirar pelo nariz e expirar e pela boca, relaxando os músculos do corpo. O ideal é fazer isso por um ou dois minutos sempre que possível”, conclui.



Sintomas do estresse




Dor de cabeça intensa

tensão muscular no pescoço

Dor nas costas

Diarréia ou prisão do ventre

Boca seca

Dor no peito

Taquicardia

Insônia

Cansaço

Fome descontrolada ou falta de apetite

Aumento na freqüência de resfriados

Falta de concentração

Falta de memória

Nervosismo, irritabilidade e ansiedade



Doenças que o estresse pode causar




Pressão alta

Alergias

Obesidade

Depressão

O estresse pode aumentar o risco de problemas no coração em até 70%



Formas de prevenção




Não fumar

Fazer de 30 a 40 minutos de atividade física de três a quatro vezes por semana

Ter uma dieta equilibrada, com saladas e legumes formando a metade do seu prato, que precisa ter um quarto de carboidratos e um quarto de proteínas



Psicóloga fala sobre principais fatores que levam ao estresse
Em entrevista concedida à Tribuna de Ituverava, a psicóloga Ana Silvia Barbosa Sberni Rodrigues falou sobre o tema. Segundo ela, as mulheres estão mais propensas ao estresse físico e psíquico. “Na sociedade moderna observa-se uma exigência maior com as mulheres em relação aos homens. É possível que as dificuldades se acentuem com essa cobrança exagerada, tanto da sociedade como da mulher, pois atualmente ela desempenha vários papéis e atividades no seu cotidiano”, afirma.

“Essas variadas funções e obrigações como mãe, profissional, esposa, entre outras, sobrecarregam-na, ocasionando o estresse, que é o esforço de adaptação do organismo diante das situações enfrentadas diariamente, tanto física como psiquicamente”, esclarece.

Segundo ela, a cronificação do estresse, ou seja, os estímulos desgastantes, é que acarretam os danos ao organismo. “Eles podem ocasionar doenças como hipertensão, gastrite, obesidade, e as emocionais que podem ser depressão, síndrome do pânico, crise de ansiedade, síndrome de Bournaut (aversão ao local de trabalho), entre várias outras”, diz.

Combate
De acordo com Ana Sílvia, para combater o estresse é necessário identificar os fatores que o provocam. “Com esta informação, a pessoa deve procurar estratégias para identificar e reorganizar as situações que podem ser evitadas ou mesmo eliminadas do dia-a-dia”, observa.

O estresse, segundo a psicóloga, pode ser muito prejudicial no cotidiano. “Podem aparecer dores de cabeça, indigestão, insônia, taquicardia, dores musculares, apatia, perda de memória, irritabilidade, desmotivação, entre outro. Tudo isso ocasiona danos na convivência familiar, social e no trabalho, o que pode provocar um rebaixamento na qualidade de vida do indivíduo”, alerta.

Tratamento
Ana Sílvia que o tratamento psicológico é um forte aliado no combate ao estresse. “Uma Psicoterapia oferece recursos para a compreensão e a interpretação dos aspectos psicodinâmicos, que podem ser observados nas relações entre o psiquismo e os fatores estressantes. Isso contribui para o fortalecimento mental, podendo, desta forma, o indivíduo viver melhor com as descobertas sobre suas limitações”, complementa.