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População deve se vacinar contra várias doenças antes de viajar
28/04/2014

COPA DO MUNDO AUMENTA RISCO DE CONTÁGIO DE VÁRIAS DOENÇAS


Brasileiros e turistas poderão se contaminar com doenças que vão desde gripe suína até sarampo

Em meio à euforia da Copa do Mundo, que começa dia 12 de junho, as autoridades da área de Saúde Pública estão atentas aos problemas de doenças comuns em outros países que podem se proliferar entre os brasileiros.

Segundo as análises do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde, os torcedores vindos de outros países podem trazer doenças como rubéola, varicela, gripes aviárias e suínas, cólera, entre outras. Todas essas enfermidades se tornaram, com o tempo, incomuns para a população brasileira, o que pode tornar os moradores locais mais vulneráveis por falta de anticorpos específicos. Além das doenças que podem ser “importadas” durante a Copa do Mundo, existem as que os estrangeiros podem contrair no Brasil.

Diante disso, a Organização Mundial de Saúde, Sociedade Brasileira de Imunizações, Sociedade Brasileira de Imunizações, Sociedade Internacional de Medicina de Viagem e Ministério da Saúde estão em alerta para a prevenção de novas doenças infectocontagiosas no Brasil e no mundo.

Risco de contágio
Para tentar amenizar o risco de contágio, tanto de brasileiros como de estrangeiros, o Regulamento Sanitário Internacional, da OMS, está em alerta com relação aos eventos de massa. O intuito é prevenir, proteger, controlar e providenciar uma pronta resposta à transmissão de doenças infectocontagiosas em todo o planeta, fornecendo à OMS o alerta de uma provável epidemia para poderem, juntamente com países atingidos, assumir medidas de segurança em saúde pública.

Em 2010, na Copa na África do Sul, cerca e 350 mil pessoas participaram do evento, visitando oito cidades do país entre os meses de junho e Julho. Nesta época, ocorreu um aumento da transmissão de doenças infectocontagiosas, devido à proximidade de torcedores que passaram a ter o papel de transmissores de vírus, bactérias e outros microrganismos.

A disseminação da gripe e do sarampo em todo o planeta após a copa africana foi um exemplo do que eventos de massa podem acarretar à população mundial.

Medidas de segurança

durante a Copa do Mundo

Orientar a população a passar por uma pré-consulta de Medicina de Viajantes antes de dirigir aos locais dos jogos. Com isso, médicos especializados poderão avaliar a condição de saúde de cada torcedor, indicar vacinações e medicamentos para a prevenção de doenças de transmissão respiratória ou alimentar, prescrever antibióticos quando necessário, repelentes de insetos adequados, além de acompanhar cada viajante ao retornar dos jogos, para avaliação de prováveis doenças contraídas durante os torneios e que irão manifestar sintomas somente depois.

Sistema de vigilância
Os órgãos Oficiais de Saúde Pública, como a Anvisa, o Ministério da Saúde e as Secretarias de Saúde Estaduais, deverão estabelecer um sistema de vigilância para a rápida identificação de providência em casos de riscos de epidemias e incidentes, além de implementar medidas sanitárias para a prevenção da transmissão de infecções causadas por água e alimentos.

Estes eventos internacionais de massa são verdadeiros desafios, pois os órgãos governamentais não têm de implantar medidas de controle para a mobilidade e acesso da população mundial dentro de seu território, mas também deve estar guarnecido de equipe técnica especialmente treinada para o pronto reconhecimento e tratamento de doenças infectocontagiosas em viajantes ao retornarem aos seus locais de origem após os jogos.

A população que assistirá aos jogos deve estar conscientizada dos riscos e procurar a prevenção que deve ser pelo menos 2 a 3 meses antes da Copa, para que haja tempo de se imunizar e estar devidamente protegida. Deixar para a última hora pode comprometer sua proteção e a proteção da população mundial.

Copa do Mundo ocorre em período propenso à gripe
Como a Copa do Mundo acontecerá entre os meses de junho e julho, época em que no Brasil é inverno, há maior preocupação epidemiológica quanto ao risco de novos surtos devidos ao vírus H1N1 ou outros que possam causar pandemia. Durante eventos de massa, como a Copa, a transmissão de gripe pode quadruplicar, acarretando graves complicações em pessoas que tenham fatores de risco.

A vacinação contra o vírus influenza tem, neste ano, importância ainda maior devido à Copa, principalmente para aqueles que pretendem assistir aos jogos, além dos jogadores e equipe organizadora.

Orientações de higiene a toda a população brasileira e aos estrangeiros também são essenciais, como a lavagem constante das mãos com água e sabão, o uso de gel anti-séptico, condutas como se evitar tocar os olhos, nariz e boca.

Também é muito importante que o suprimento dos remédios para o tratamento da gripe, como o Tamiflu, seja suficiente para a população atendida nos estabelecimentos de saúde, pois sua eficácia depende do rápido início do tratamento, feito nas primeiras 24 a 48 horas após os primeiros sintomas de gripe.

Risco de sarampo será muito maior durante evento esportivo
Durante os jogos na África do Sul, houve novos casos da doença em sete regiões do país, segundo dados da Sociedade Internacional de Medicina de Viagem.

O sarampo é novamente emergente entre a população e muitos novos casos surgiram devido a uma baixa cobertura vacinal na população mundial. A opção por não vacinação entre alguns grupos acarretou o retorno da doença, anteriormente controlada em várias regiões do planeta. Houve vários surtos na Europa Américas, Ásia e África desde 2010. Um dos principais objetivos expostos na Assembléia Geral das Nações Unidas é o controle do sarampo na população mundial, através da vacinação em massa, visando atingir uma cobertura global de 90% principalmente em menores de 1 ano de idade.

Adultos também precisam de vacina contra sarampo, pois viajam muito ou convivem com viajantes e correm o risco de contrair a doença com complicações graves.

O risco de uma alta incidência de sarampo no Brasil, devido à Copa do Mundo, existe e a vacinação é a única forma de evitá-lo. A imunização contra o sarampo, realizada antes do início dos jogos, além das consultas de medicina de viajantes, ajudaram a reduzir o número de novos casos.

Meningite está altamente relacionada à aglomeração
Ameningite meningocócica é uma doença altamente contagiosa, de transmissão respiratória e que está altamente relacionada a aglomerações de pessoas, portanto há o risco para a população, principalmente durante a Copa do Mundo. Estudos epidemiológicos demonstraram que as regiões litorâneas do Nordeste brasileiro apresentaram maios número de casos de meningite C, além do interior de Minas Gerais e a vacinação é fundamental, no mínimo 15 dias antes de viajar, para a proteção contra esta infecção severa.

Crianças menores de 2 anos são vacinadas de rotina nos Postos de Saúde brasileiros, mas adolescentes e adultos podem obter a vacina na rede privada.

São esperadas novas vacinas contra meningite, que poderão ampliar a proteção contra outros sorotipos do meningococo como o W, Y e C.

Febre amarela ocorre em boa parte do território brasileiro
Quase todo o território brasileiro é região endêmica ou de transição de febre amarela, com exceção da faixa litorânea, portanto a imunização é uma medida de extrema importância para os torcedores que se dirigirão às diversas regiões do país.

A vacina contra febre amarela é de distribuição gratuita na rede pública e também está disponível na rede privada.

É importante que cada torcedor, brasileiro ou estrangeiro seja vacinado no mínimo 10 dias antes de se viajar não deixando para a última hora, pois isso pode acarretar menor proteção, havendo risco de contrair a doença.

Idosos podem apresentar maior probabilidade de efeitos colaterais da vacina contra febre amarela, portanto é mais seguro passarem por uma consulta em uma clínica especializada em Medicina de Viagem antes da vacinação.

Aumento de doenças sexualmente transmissíveis também pode ocorrer
Durante os Jogos Olímpicos de Sydney, houve um aumento dos casos de doenças sexuais, assim como nas Olimpíadas de Atlanta.

Informação aos atletas, assim com para a população geral são de extrema importância, além da vacinação contra Hepatite B e HPV, transmitidas pela relação sexual.

A conscientização a respeito de sexo seguro através do uso de preservativos e a escolha e limitação do número de parceiros poderão contribuir para a prevenção da Aids, sífilis, gonorréia, herpes e outras doenças infectocontagiosas graves causadas por relações sexuais.

Pneumonia é mais

comum entre crianças e pessoas acima dos 50

A pneumonia, assim com outras doenças invasivas causadas pelo pneumococo, bactéria de transmissão respiratória, com predileção a indivíduos maiores de 50 anos e crianças menores de 2 anos de idade, também pode ter maior incidência em eventos de massa.

Número de casos de dengue pode ser maior durante Copa do Mundo
As autoridades brasileiras têm se preocupado com um provável aumento nos casos de dengue durante a Copa. Já estão sendo organizadas ações de prevenção à doença, no entanto, também é fundamental a conscientização por parte da população brasileira, que deve evitar criar focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, em espaços públicos e privados.

Após os meses de chuva, geralmente março e abril, ocorre a eclosão dos ovos e larvas do mosquito da dengue.

Ainda não há vacina contra a doença, portanto medidas ambientais e a utilização de repelentes de insetos são úteis para se evitar a disseminação da doença em eventos de massa como a Copa do Mundo.

Risco de contaminação por malária é alto na região Norte
Além da febre amarela e dengue, a malária também é transmitida por insetos vetores, com risco aos torcedores que se dirigirão à região Norte do Brasil.

Não existem vacinas para preveni-la e a utilização de repelentes de insetos é uma medida de prevenção eficaz, para os torcedores que permanecerão pouco tempo nestas áreas. As drogas anti-maláricas podem acarretar efeitos colaterais desagradáveis, sendo indicadas para permanências maiores.

Repelentes com uma maior concentração de EEDT (acima de 30%) em sua composição são os mais indicados e devem ser borrifados na pele exposta além de roupas e mosquiteiros. Estes repelentes podem ser prescritos por médicos durante a consulta pré-viagem.

Doenças gastrointestinais também devem ocorrer com mais freqüência
Infecções causadas pela ingestão de água e alimentos também têm maior probabilidade de ocorrerem durante a Copa do Mundo.

A prevenção da hepatite A, infecção viral de moderada endemicidade no Brasil, assim como a introdução do vírus E, comum no Sudeste Asiático, são passíveis de acontecerem durante estes eventos de massa.

A vacinação contra Hepatite A deve ser feita com antecedência aos jogos e poderá dar proteção relativa contra o vírus E. Outras doenças transmitidas por vírus ou bactérias que contaminam água e alimentos, podem causar a diarréia do viajante.

A prevenção pode ser feita através de pré-consulta nos centros de Orientação ao Viajante, onde o médico poderá indicar e prescrever medicações adequadas para sua prevenção e tratamento.

Medidas importantes como ingerir somente alimentos bem cozidos, água mineral de boa procedência, evitar alimentos preparados e oferecidos na rua, praias, meios de transporte e campos de futebol.

Também vale lembrar que gelo, colocado em bebidas no Brasil, muitas vezes não provém de água tratada ou filtrada, podendo causar doenças infecto-contagiosas e parasitárias. É mais seguro pedir bebidas engarrafadas que venham lacradas e geladas previamente e que possam ser abertas na frente do consumidor.