Obras de mobilidade urbana estão bastante atrasadas A menos de vinte dias para a abertura do evento esportivo mais aguardado do planeta, a Copa do Mundo, ainda faltam detalhes finais para os estádios ficarem totalmente prontos e as infra-estruturas essenciais como transportes e eletricidade prontas.
O excesso de problemas na organização da Copa, levou o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, a afirmar que a entidade "viveu um inferno" para organizar a Copa do Mundo do Brasil. Ele criticou as dificuldades de negociação com as inúmeras instâncias do governo e afirmou que não foi a Fifa, mas sim o Brasil, que decidiu organizar o Mundial em 12 cidades.
Problemas
Um relatório da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), publicado no mês passado, também trouxe grande preocupação ao país. O relatório apontou atrasos nas obras de metade das 12 cidades-sede da Copa do Mundo. O Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, foi apontado como um dos mais problemáticos. No dia 7 de maio, no entanto, a Secretaria de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia divulgou nota minimizando os riscos de problemas no abastecimento elétrico. De acordo com o texto, “está assegurada a qualidade, a confiabilidade e a segurança do atendimento em todas as cidades-sede do evento".
Estádios
Embora a maioria dos novos estádios tenha sido testada no último final de semana, com a realização de jogos, alguns ainda não estão totalmente prontos. Na Arena Pantanal, em Cuiabá, por exemplo, faltam várias obras do lado de fora do estádio, como a colocação de postes e a finalização do estacionamento.
No caso do Itaquerão, em São Paulo, ainda faltam muitas obras externas, inclusive de sinalização, e alguns detalhes internos. O estádio apresentou goteiras, problemas com internet e telefonia, falta da instalação de cadeiras em alguns setores, falta de iluminação na área externa e a instalação para detectores de metais e raio-x na entrada do estádio.
Na Arena da Baixada, em Curitiba, há queixas de acúmulo de pó na área interna, falta de água em alguns banheiros e lama nas ruas do entorno, que ainda passavam por reformas.
O entorno do Beira-Rio, em Porto Alegre, ainda não está pronto, pois faltam a pavimentação do solo, obras de um viaduto e duplicação de via. No caso da Arena Amazônia, em Manaus, obras do entorno estão acabadas.
O atraso nestas construções prejudicou a imagem do Brasil na imprensa internacional, e levou muitos brasileiros a criticar a situação, como o ex-jogador Pelé. “É inaceitável que alguns estádios não estejam terminados. Tivemos muitos anos, um tempo mais do que suficiente. É uma vergonha. Estou animado para os jogos, mas quando penso no que foi feito no entorno da Copa, me preocupo e me sinto frustrado. Uma grande chance foi desperdiçada”, declarou.
Obras de mobilidade urbana continuam bastante atrasadas
Além dos estádios, o que tem preocupado são as obras de mobilidade urbana. Segundo dados da Controladoria Geral da União (CGU), das 41 intervenções previstas pela versão atualizada da Matriz de Responsabilidades, só quatro foram inauguradas com 100% de conclusão do cronograma: o Boulevard Arrudas/Tereza Cristina, em Belo Horizonte, o viaduto da BR-408, em Recife, a acessibilidade no entorno da Fonte Nova, em Salvador, e a reurbanização do entorno do Maracanã e a ligação com a Quinta da Boa Vista, no Rio.
Quando as cidades do Mundial assinaram a primeira versão da Matriz, em 2010, estavam previstas 49 intervenções urbanas, que contemplavam corredores expressos de ônibus, Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), além de alargamento de avenidas e criação de outras novas vias.
Após revisão efetivada em setembro de 2013, o número caiu para 41. As obras que foram retiradas da Matriz foram todas transferidas para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cujos prazos são mais elásticos do que os da Copa.
Infra-estrutura
“O problema do país é a infra-estrutura, que não ficou pronta em um volume necessário para receber a Copa do Mundo. Estes problemas deixam muito comprometida a visão que os outros têm do Brasil”, afirma Marcelo Tessler, especialista em gerenciamento de obras.
Os investimentos necessários para as obras são de responsabilidade dos governos estaduais, prefeituras e União. Segundo o último balanço divulgado, o montante previsto é de cerca de R$ 8 bilhões.
Copa pode ser prejudicada por manifestações e crimes
Além dos diversos problemas de obras, existe grande preocupação com outras questões que podem prejudicar ou até impedir a realização do evento esportivo no Brasil. O mais temido são as possíveis manifestações contra a Copa, pois diversos protestos – pacíficos e violentos – ocorreram em todo o país no ano passado, quando o povo se uniu para protestar contra a corrupção, a falta de investimento em Saúde e Educação e, é claro, o gasto abusivo do governo na realização da Copa.
Outros problemas se referem à violência urbana, à possível greve da polícia e até aos eventuais seqüestros e assaltos a turistas.
No entanto, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou na última segunda-feira, 19 de maio, que o Brasil está preparado para eventuais manifestações que ocorram durante a realização da Copa do Mundo.
Cardozo participou de evento em Brasília com chefes de organizações estaduais de inteligência para debater o papel dessas instituições na segurança de grandes eventos.
Segundo o titular da Justiça, não se pode aceitar que as manifestações sejam utilizadas para a prática de atos ilícitos. O ministro disse ainda que cabe às autoridades policiais preservar a segurança dos manifestantes e coibir a violência durante os protestos.
“No que diz respeito à Copa do Mundo, nós estamos preparados para enfrentar situações de manifestações, seja de garantia da liberdade de manifestação, seja para evitar que abusos ocorram”, disse o ministro.
Manifestações normais
Para Cardozo, é “absolutamente normal” que grupos queiram fazer manifestações nas ruas, mas, segundo o ministro, trabalhos na área de inteligência têm sido feitos para aumentar a segurança durante o período da Copa do Mundo.
“Temos tido constantes manifestações em vias públicas, o que é absolutamente normal, dentro do que a Constituição estabelece. O que não concordamos e aceitamos é com as manifestações para atos ilícitos, isso não podemos concordar. Cabe às autoridades policias preservar a liberdade das pessoas de se manifestar e também coibir e apurar ilícitos que sejam praticados”, disse.
Projeto no Congresso
Em abril deste ano, o Governo Federal decidiu aderir a projeto que tramita no Senado sobre as manifestações. Nesta segunda, ao ser questionado sobre o andamento do projeto, José Eduardo Cardozo afirmou esperar que o texto seja votado a tempo de as regras terem validade já para a Copa.
Segundo Cardozo, o projeto deve garantir o direito da liberdade de manifestação e buscar coibir eventuais abusos que possam ser cometidos, tanto por manifestantes quanto policiais.
Segurança para seleções
Questionado por jornalistas se o governo brasileiro prepara segurança especial para seleções como as dos Estados Unidos e Irã durante a Copa, Cardozo disse que as equipes contarão com programas de inteligência.
“Cada equipe tem uma segurança, e toda a segurança passa pelo programa de inteligência. Agora, não vou dizer quais seleções, porque isso diz respeito à inteligência. Mas posso dizer que há integração entre a polícia brasileira e as polícias de todos os outros países para garantir uma segurança adequada”, disse.
Dilma assinará decreto que permite abater aeronaves durante a Copa
A presidente Dilma Rousseff deve assinar nos próximos dias, decreto que estende as regras estabelecidas pela Lei do Abate, para períodos em que estiverem sendo realizados grandes eventos, como a Copa do Mundo, a partir de 12 de junho, e as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. Pela lei, hoje em vigor, a derrubada de um avião com o tiro de destruição é permitida apenas em casos de narcotráfico, especialmente nas regiões de fronteira.
O novo decreto permitirá o abate de aeronave que se aproximar de áreas proibidas, onde estiverem sendo realizados jogos nas 12 cidades sede, por exemplo. A ordem do tiro de destruição, que hoje é do presidente da República, deverá ser delegada para a autoridade aeronáutica, que é o comandante da Força Aérea, depois de cumprir cerca de dez procedimentos e checagens.
Detalhes jurídicos estão em debate para que não haja problemas na decretação do abate, que só acontecerá em casos de extrema gravidade. A Advocacia Geral da União (AGU), o Ministério da Defesa, a Força Aérea e o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas participam do debate.
Restrições
Há dois meses, o governo já tinham anunciado restrições para o uso do espaço aéreo durante a Copa do Mundo, no período de 10 de junho a 15 de julho, que atingirão cerca de 25 aeroportos brasileiros. Durante a abertura da Copa do Mundo, que será realizada na Arena Corinthians em São Paulo (SP), no dia 12 de junho, com o jogo entre Brasil e Croácia, o espaço aéreo sobre o estádio será fechado das 14h às 21h. As zonas de exclusão estão dividas por áreas com cores.
Na Copa das Confederações um avião invadiu uma área de exclusão, em Brasília, foi interceptado e obrigado a desviar seu rumo, durante a abertura do jogo inaugural. O avião invasor foi interceptado por A-29 Super Tucano, a 90 quilômetros de Brasília e teve a rota desviada.
A lei do abate está em vigor desde 2004. No caso de uma aeronave invadir esse espaço, com o novo decreto, o procedimento adotado será semelhante ao que ocorre com aviões suspeitos de narcotráfico na Amazônia. São quase dez passos até que o tiro de abate possa ser dado. A primeira providência é a realização de filmagens da aeronave irregular, checagem do seu prefixo e matrícula e tentativa de identificá-lo.
Irregularidades
Se houver irregularidade, um caça da Força Aérea se aproxima e emite sinais visuais, mandando que ele se afaste do local e pouse. Se o piloto não responder, o avião suspeito será interceptado e terá sua rota alterada. Se ainda assim o piloto não atender, o piloto do caça pode disparar, primeiro, tiros de advertência. Caso a aeronave seja considerada hostil, estará sujeita ao tiro de destruição.
Tema já havia sido discutido em enquete da Tribuna de Ituverava
Há três anos, em maio de 2011, a Tribuna de Ituverava fez uma enquete para saber se a população acreditava que o Brasil estaria apto a receber a Copa do Mundo e se conseguiria terminar todas as obras a tempo.
Na ocasião, sete dos doze entrevistados afirmaram que o Brasil não conseguiria terminar as obras a tempo.
Nesta semana, a Tribuna de Ituverava voltou às ruas para perguntar se a população acredita que as obras ficarão prontas até o início da competição, no dia 12 de junho. Desta vez, o número de pessoas subiu de sete para nove.