Contratos ainda não foram negociados com indústrias, dizem produtores. Colheita deveria ter começado há um mês e frutas apodrecem nos pés.Produtores de laranja de Taquaritinga (SP) reclamam que a indefinição nas negociações com as indústrias de suco está atrasando a colheita da fruta, que deveria ter começado há pelo menos um mês. A demora reflete também nos trabalhadores rurais, que permanecem sem emprego. O problema se repete há dois anos, desde que os Estados Unidos, principal comprador do produto brasileiro, proibiu a importação da bebida por causa da utilização do agrotóxico "Carbendazim" nos laranjais do país, fazendo com que um excesso de suco fique estocado nas indústrias.
A Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) informou que desconhece quaisquer tipos de contratos ou negociações envolvendo produtores e empresas associadas. Além disso, após recente decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) proibir a terceirização da colheita, os departamentos jurídicos das indústrias iniciaram um novo estudo sobre as relações de trabalho, que “certamente alterará o calendário anual da colheita."
Com a sentença públicada em de 31 de março, os produtores rurais não podem mais negociar a mão de obra que atua nos pomares, o que passa a ser responsabilidade das empresas.
No sítio de Lindolfo Rodrigues dos Santos Filho, que tem 15 mil hectares plantados, a laranja está em ponto de colheita, mas os 5 mil pés continuam carregados. Ele afirma que o atraso influenciou na adubação, que não foi feita do ano passado para cá. “Fizemos a aplicação de inseticidas contra as principais doenças porque disso não temos como escapar", afirmou Santos Filho, destacando que 20% da produção - cerca de 3 mil caixas - acabará sendo perdida, já que alguns frutos estão apodrecendo nos pés.
Trabalhadores parados
Entre os trabalhadores, o clima é de apreensão, já que em Taquaritinga, cerca de 20 mil, dos pouco mais de 55 mil habitantes, dependem diretamente da colheita da laranja. É o caso de João Batista Postelaro, que há 41 anos trabalha na colheita e está vivendo de seguro-desemprego há quatro meses. "Eu tenho um irmão que é aposentado, mas ele não me ajuda. Sou eu que faço tudo em casa", afirmou.
A trabalhadora rural Marta de Fátima dos Santos vive a mesma realidade e contou que também está preocupada porque depende da safra para complementar a renda. "Eu mantenho minha família porque sou pensionista, sou viúva, então recebo uma renda mensal do Governo [Federal]", disse.
Contratos
Os problemas envolvendo contratos com a indústria de laranja se arrastam desde 2012. Naquele ano, os produtores protestaram contra o preço recebido pela fruta, que, segundo eles, cobria apenas metade dos custos de produção. Na época, os citricultores distribuíram cerca de 30 toneladas de laranja em escolas de Taquaritinga.
Em 2013, os produtores voltaram a fazer reivindicações. A principal delas era de que fosse definido um preço mínimo para a caixa com 40,8 quilos da fruta. O pedido foi atendido e o valor, fixado em R$ 11,45. Caso a indústria pague menos que isso, o Governo Federal fica obrigado a realizar leilões para subsidiar o restante.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga, Marco Antônio dos Santos, a medida foi uma vitória para o campo, mas não garante os resultados que o setor precisa. “Com essa demora na negociação com a indústria, o produtor não pôde fazer uma programação de investimentos para realizar os novos tratos culturais."
Fonte: g1.globo.com(EPTV)