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23/06/2014

CÃES PODEM REAGIR DE FORMA VIOLENTA A ATITUDES DE CRIANÇAS


Brincadeiras de crianças podem ser interpretadas como ameaças pelos animais de estimação

Independente de raça ou sexo, os cães, mesmo totalmente domesticados, podem ser agressivos, sobretudo com crianças. Isso porque algumas vezes eles agem por extinto, e podem ferir uma pessoa quando se sentam ameaçados. Com o passar dos anos, os cães passaram a confiar muito mais nos humanos, entretanto, algumas ações das crianças despertam o medo dos animais, geralmente dóceis.

Frente a uma situação que desperta medo, o cachorro pode se afastar e fugir; desviar ou esquivar ou enfrentar. Neste último caso, ele tende a morder pessoas ou outros animais.

Como as crianças ainda estão aprendendo sobre o mundo e a exploração faz parte dessa fase de crescimento, elas se tornam mais propensas aos ataques dos cães por não entenderem que suas atitudes podem ser interpretadas erroneamente pelos animais.

Atitudes
Já os pais e responsáveis falham por não compreenderem que alguns carinhos feitos pelos filhos, como abraços e beijos, podem ser entendidos pelos cães como algo intimidador.

Diante do alto índice de casos que envolvem mordidas e ataques caninos contra crianças, a Tribuna de Ituverava separou algumas atitudes comuns entre as crianças, e que podem ofender os cães.

Ao evitá-las, o adulto pode prevenir os possíveis ataques e garantir uma convivência mais harmoniosa entre os cães e as crianças.



Dez situações que podem ser perigosas para a criança






1 – Primeiro encontro e o toque

As mãos da criança vindas na direção do cão sempre podem representar uma forma de invasão e até uma ameaça. Quando vindo de cima, se aproximando de frente para o rosto ou repentinamente podem ser consideradas como ofensivas.

Isso se torna ainda mais ofensivo para o cão quando a criança não é conhecida do animal, ou quando ele tem algum trauma, causado por alguma criança que já o maltratou. A situação pode levar a um ataque ainda mais enfurecido do cão quando as crianças, imitando os adultos, tentam ameaçar, corrigir ou até bater nos animais.



2 – Contato visual forçado

Forçar o contato visual de cães com tendência a competir com outros ou disputar a atenção das pessoas ao seu redor, proprietários e outros, pode ser registrado como desafiador e provocar uma reação agressiva com eventual mordida, ainda mais no caso de um animal não perfeitamente socializado com crianças.

Nesse caso, o animal vai encarar fixamente a criança, erguendo o busto e a cabeça, podendo até se levantar, encher o peito e se arrepiar para aumentar o seu volume corporal e o aspecto impressionante da postura. Em seguida, ele poderá ameaçá-la mostrando os dentes, eventualmente acentuando a ameaça com rosnados até atacar a criança.

É claro que se o animal tentar se afastar e demonstrar uma postura retraída, ele está mostrando desconforto e pretende evitar a situação. Se for acuado, sem possibilidade de esquivar ou fugir ele poderá muito bem se defender mordendo.

É importante ressaltar que, qualquer que seja o motivo, nem sempre o cachorro vai proceder a um ritual completo de ameaças antes de morder. Muitas vezes eles aprenderam muito cedo que a nossa espécie não interpreta e não reage adequadamente às ameaças não verbais, posturais ou gestuais, e somente responde da maneira que eles esperam quando os humanos são mordidos.

No caso de animais com histórico de agressões por mordidas, eles rapidamente passam ao ato final com o mínimo de avisos ou até mesmo sem mais nenhuma ameaça, o que os tornam ainda mais imprevisíveis e perigosos.



3 – Abraços

Abraços, principalmente os que podem sufocar no pescoço, podem deixar o cão desconfortável, se sentindo vulnerável.

Uma das situações que podem provocar reações muito violentas é aquela onde o animal é manipulado contra a sua vontade, o que é ainda pior nos casos de abraços indesejados, quando o animal pode achar que a criança quer segurá-lo ou asfixiá-lo, despertando assim o instinto primário de sobrevivência e reações ainda mais acentuadas pela influência das descargas de adrenalina.

Quando não ostensivamente ensinado e constantemente acostumado a aceitar manipulações físicas das mais diversas, inclusive aquelas que podem representar um constrangimento ou um entrave à sua liberdade.



4 – Beijos

Por razões similares, o beijo, outra interação muito comum entre humanos, deve ser devidamente monitorada entre um cachorro e uma criança, pois o animal pode achar que a criança quer mordê-lo ou desafiá-lo.

Os cães aproximam a boca das partes traseiras dos outros quando estão querendo fazer uma saudação e um reconhecimento do outro através do olfato, com atitudes e posturas respeitosas e intenção claríssima para qualquer cão.

Já quando começam investigando em direção ao rosto do outro as intenções não são amigáveis ou respeitosas e sim, provavelmente, ameaçadoras.

No caso de filhotes ou de cães de posição hierárquica inferior, as lambidas dos lábios dos adultos ou dos animais dominantes são efetuadas de baixo para cima e do lado dos lábios, nunca de frente, nem de cima e acompanhadas de atitudes e posturas de apaziguamento e submissão específicas e bem claras para todos.



5 – Mão na boca

Mais uma vez o tato da criança em ação, dessa vez explorando dentro da boca do cachorro, pode ser bastante perigoso.

Se o animal for perfeitamente socializado, habituado a manipulações e condicionado a associá-las a algo prazeroso pode ser confiável com crianças que já conhece ou na presença de um tutor que o controle perfeitamente. No entanto, na maioria dos casos, essa ação combina ameaça, invasão e desafio.



6 – Sentando em cima do cachorro

Sentar em cima do cão pode fazê-lo sentir preso e acuado, já que está impedido de se mover livremente e expondo-o a uma posição vulnerável. Diante dessa situação, o cachorro pode reagir para conseguir escapar.

O peso do corpo da criança também pode machucar o cachorro. Quando a criança cavalgando no cachorro, por exemplo, as costas do animal ficam sobrecarregadas, podendo causar lesões graves.

O que pode parecer uma brincadeira para quem está de fora, na verdade é uma situação geralmente desconfortável para o pet.



7 – Agressões

Para a criança que não tem a noção e o conhecimento correto de como lidar com o cachorro, puxar o pêlo do animal e explorar com a boca, nesse caso mordendo, pode ser uma forma de interagir e lidar com o novo companheiro.

Pelos motivos óbvios, além da dor causada por uma mordida ou pelo puxão no pêlo, imediatamente o animal perceberá aquela situação como ameaçadora e desafiadora.

Suas reações serão sair ou lutar, dependendo de seu temperamento e o quão intimidado e em perigo está se sentindo. O resultado dessa troca pode ser muito sério.



8 – Dormindo junto

Quando a criança é pequenina e o animal for um mínimo protetor o fato de eles dormirem juntos não oferece muitos riscos, a não ser no caso de animais medrosos ou incomodados com crianças pequenas.

Outro caso perigoso é aquele da chegada de um recém-nascido dentro do lar e o animal, que até então era o centro das atenções e das demonstrações afetivas, passa a ser freqüentemente rejeitado e hostilizado pelos seus donos desde a chagada do neném.

O conselho é preparar o cachorro para a chegada de um recém-nascido, um hospede temporário ou a adoção de outro animal com bastante antecedência.



9 – Crianças animadas perto de cães dormindo

Se o animal for equilibrado e tiver a possibilidade de se afastar para um canto tranqüilo, onde a criança não terá acesso ou já aprendeu a respeitar, não acontecerá nada.

Agora se o animal for de temperamento inquieto, ou não tiver onde se isolar a reação pode ocorrer com ou sem aviso. Neste caso, o ataque pode ser fulminante, mordendo rapidamente e violentamente respondendo a um reflexo de defesa instintiva.



10 – Mexer na comida do cão

Desde que começam a ingerir outro alimento além do leite maternal, os animais mais velhos os corrigem de forma clara quando se aproximam da refeição que eles estão fazendo, como forma de ensiná-los a hierarquia, os dominantes se alimentando antes dos outros que esperam as sobras dos mesmos para poderem se alimentar.

Assim crianças podem ser mordidas mesmo quando elas mesmas trazem a refeição para o animal e não se afastam ou não o deixam se alimentar tranqüilo depois.

Se o cachorro pode competir por alimentos, ele também pode defender objetos e espaço dentro do lar e assim chegar a ameaçar e morder crianças se aproximando desses lugares ou tentando pegar tais objetos, mesmo se a intenção seria de brincar com o próprio cachorro.