GERAL

Temperatura do Oceano Pacífico está se aquecendo, o que caracteriza a possível formação de um El Niño, que provoca alterações climáticas no Brasil (Foto: Divulgação/NOAA/Climatempo)
28/07/2014

EL NIÑO NÃO DEVE TRAZER CHUVA AO SUDESTE, DIZEM METEOROLOGISTAS




O fenômeno meteorológico El Niño, que pode ocorrer no segundo semestre deste ano, e que altera o clima global, não deve aumentar a quantidade de chuvas no Sudeste e amenizar a seca que afeta o Sistema Cantareira, conjunto de reservatórios que abastece a Região Metropolitana de São Paulo e parte do interior do estado, segundo especialistas ouvidos pelo G1.

Eles afirmam que as taxas pluviométricas nos próximos três meses devem continuar baixas na região, índice normal para o período – que é de transição entre o inverno e a primavera –, e a temperatura pode subir até 2ºC, caso o El Niño se confirme.

Batizado em homenagem ao Menino Jesus (em espanhol, "El Niño"), o fenômeno ocorre quando a temperatura do Oceano Pacífico aumenta e provoca alterações na atmosfera.

Segundo os cientistas, a anomalia na costa pacífica da América do Sul deixa o mar ao menos 0,5ºC mais quente e enfraquece os ventos alísios (que sopram de leste para oeste) na região equatorial. Isso provoca uma mudança no padrão de transporte de umidade pelo globo, variações na distribuição de chuvas em regiões tropicais e de latitudes médias e altas, além de inconstância nas temperaturas.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) vê como provável a ocorrência do El Niño neste ano, mas ele ainda estaria em desenvolvimento. Se consolidado, o que pode acontecer entre o fim de agosto e início de setembro, seu pico de força deve ser relativamente fraco, segundo Alexandre Nascimento, da Climatempo.

Efeitos incertos no Sudeste
Na última semana, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, já havia comentado que a possível presença do fenômeno não aumentaria as chances de chuva no Cantareira. Segundo ela, a partir da perspectiva de especialistas da Agência Nacional de Águas, a ANA, havia preocupação com um "cenário conservador em relação a chuvas abundantes" nos próximos meses.

Na ciência climática, o nível de certeza sobre o impacto do El Niño em certas regiões do mundo, entre elas o Sudeste brasileiro, não é tão preciso quanto em outras áreas, como Sul, Norte e Nordeste do país.

Segundo o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe, o último El Niño que afetou o Brasil, entre junho de 2009 e maio de 2010, foi de intensidade moderada. De acordo com a Climatempo, na época, o volume de chuvas no Sudeste foi considerado normal e acima da média entre agosto e novembro, e durante o verão choveu menos que a normalidade.

Fábio Rocha, meteorologista do Cptec, afirma que em outras edições do fenômeno foi possível estabelecer que o Norte e Nordeste são afetados constantemente com o aumento da temperatura e escassez de chuvas, enquanto o Sul do país é castigado com chuvas abundantes. Mas que o impacto no Sudeste ainda continua incerto.

Apesar, disso, segundo ele, no último encontro, realizado nesta terça, foi possível estimar que o período seco em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais deve ser persistente, insistindo até meados de setembro, e que o volume de chuva de agosto, setembro e outubro para boa parte do território paulista deve variar entre índices de 200 mm e 300 mm – média registrada para o período conforme estimativas entre 1961 e 1990.

Fonte: g1.globo.com