O novo técnico da seleção brasileira Dunga, o novo coordenador técnico Gilmar Rinaldi, o técnico da seleção olímpica Alexandre Gallo, o vice-presidente da CBF Marco Pólo Del Nero e o presidente José Maria MarinNada está tão ruim, que não possa piorar. Depois do Brasil ter sido goleado pela Alemanha por 7 a 1 e perder por 3 a 0 da Holanda, no maior vexame do brasileiro de todos os tempos, a crítica esportiva e a população passaram a defender e acreditar em uma profunda mudança no futebol e, sobretudo, na modernização e moralização da CBF. No entanto, aconteceu justamente o contrário, a situação piorou.
Mais uma vez os “velhinhos” aloprados que mandam e comandam o futebol brasileiro, mostraram todo o seu anacronismo e, pasmem, anunciaram o técnico Dunga, que afundou a Seleção da Copa de 2010, para modernizar e fazer renascer a esperança do brasileiro no futebol arte, que nos conduziu ao tetra.
Mas não ficou por aí o desmando. Os mesmos “velhinhos” convidaram o ex-goleiro Gilmar Rinaldi para coordenador-geral de seleções. Não é mesmo um contrassenso deixar o comando da seleção nas mãos que de quem exerceu por 14 anos a função de empresário e agente de jogadores? Os fatos ilustram a promiscuidade que reina no esporte brasileiro e reafirmam a máxima de que “nada está tão ruim, que não possa piorar”.
A visão administrativa e, excesso de interesse pessoal de Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, que fizeram da seleção brasileira um verdadeiro caos, nos permite imaginar que em 2018, depois da Copa do Mundo na Rússia, eles convidem Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira para promover uma profunda mudança no futebol brasileiro.
É bom lembrar que os próprios “velhinhos” estão provando que no Brasil tudo é possível, até mesmo a soberania do país ser subjugada pela Fifa.
Nova comissão técnica
O novo técnico Dunga e o coordenador Gilmar Rinaldi anunciaram, a nova comissão técnica da seleção brasileira. Titular nas Copas de 1990, 1994 e 1998, o ex-goleiro Taffarel está de volta. Ele será o preparador de goleiros, cargo que vinha exercendo no Galatasaray, da Turquia. Taffarel colaborou com Dunga em 2010, como olheiro na Copa do Mundo. O auxiliar-técnico será Andrey Lopes, que trabalhou recentemente com o treinador no Internacional de Porto Alegre.
Outro atleta campeão da Copa do Mundo de 1994, Mauro Silva também fará parte da comissão técnica. O preparador físico Fábio Mahseredjian, do Corinthians, também foi confirmado. Ele vai substituir Paulo Paixão, que deixou a seleção brasileira junto com a comissão técnica destituída. Quem segue na seleção é médico Rodrigo Lasmar, do Atlético-MG.
Também foram confirmados na comissão técnica o fisioterapeuta Odir de Souza, o administrador Guilherme Ribeiro, o assessor de comunicação e imprensa Vinicius Rodrigues, o analista de desempenho tático Fernando Lázaro Alves, Moacyr Alcoforado como chefe de segurança, o massagista do Palmeiras Sérgio Luis Oliveira e os roupeiros Manuel Carvalho de Souza e Waldecir Leandro do Nascimento.
Ministro dos Esportes diz que governo deve intervir no futebol
Dois dias depois da derrota contra a Alemanha por 7 a 1, o governo anunciou que deseja assumir parte das funções de legislação sobre o futebol, buscando mudanças na estrutura do esporte. Na mesma ocasião, o governo criticou o fato de que a Fifa proibir que governos promovam qualquer intervenção nas federações nacionais, sob a ameaça de expulsar o país das Copas, no entanto o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, defende que existe espaço para agir.
“Eu sempre defendi que o Estado não fosse excluído por completo do futebol. É uma intervenção indireta”, afirma. Segundo ele, existem áreas de “interesse público” e uma mudança pode alcançar até mesmo a CBF.
“Isso se houver uma reforma na lei que dê ao Estado a atribuição de regular. A Lei Pelé tirou do Estado qualquer tipo de poder de atribuição e de intervenção. Ela determinou a prática do esporte como algo privado, atribuição do mundo privado e isso só pode ser modificado se a legislação também for modificada”, defende.
“Se depender de mim, não teríamos tirado o Estado completamente dessa atribuição. Se depender de mim, parte dessa atribuição deve voltar”, destaca Rebelo.
O ministro garante, no entanto, que o governo não quer nomear cartolas. “Mas o Estado não pode ser excluído da competência de zelar pelo interesse público dentro do esporte. Dirigentes passaram a administrar o futebol sem qualquer atuação do Estado. Queremos retomar algum tipo de protagonismo no esporte. Não para indicar interventor, mas para preservar o interesse nacional e o interesse público”, afirma.
O fiasco da seleção em uma Copa do Mundo disputada em casa, e a volta de Dunga ao comando da seleção, podem potencializar a vontade do governo. “O futebol brasileiro precisa de fato de mudanças. A derrota para a Alemanha evidencia essa necessidade. Precisamos adotar medidas para erradicar os motivos do vexame de nosso futebol", diz.
Rebelo ainda definiu a derrota para a Alemanha como “um acidente”. “Mas precisamos examinar o motivo e a causa do acidente. É uma marca profunda. A melhor reação é ver as causas mais duradouras daquele desastre. Precisamos extrair lições para que o Brasil reponha a seleção no status que ela deve ter. As mudanças são necessárias", acredita.
Clubes
Rebelo ainda pediu melhoria na qualidade da gestão dos clubes, novas leis e até impedir a exportação de jovens craques. O ministro também pede uma organização no calendário e até mesmo na estrutura financeira dos clubes.
"Deveríamos fazer esforço para elevar a qualidade da gestão dos clubes. Algumas dessas propostas estão sendo discutidas na legislação, que está tramitando no Congresso. Queremos que os clubes assumam responsabilidades em relação à gestão. Que tenhamos condições de apoiar financeiramente esses clubes. São poucos que têm condições de recorrer à lei de incentivo ao esporte”, defende.
“Queremos que os clubes façam uma renegociação da dívida, mas com duplo compromisso, de pagar a divida passada e a futura. E sem atraso no pagamento de atletas”, destaca.
Outro ponto é o de impedir a saída de jovens craques para o exterior. “Precisamos discutir a legislação do ponto de vista de trabalho de menores. Somos exportadores de matéria prima e somos importadores de produto acabado. Precisamos mudar essa equação, pois a Lei colocou super poder para os empresários”, diz.
Para concretizar seus pedidos, a presidente Dilma Rousseff, o ministro Rebelo e o secretário de Futebol e do Ministério do Esporte, Toninho Nascimento se reuniram com os integrantes do Bom Senso FC, grupo que busca melhorias no futebol nacional. Em pauta na reunião estava a proposta do governo em reduzir a participação dos empresários e fortalecer os clubes.
Enquete
Para saber a opinião de ituveravenses sobre o governo interferir no futebol, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana. As opiniões estão equilibradas, talvez pela descrença nos políticos, que não são diferentes dos mandatários da CBF. Também é bom lembrar que a enquete foi feita antes do comunicado da volta de Dunga ao comando da Seleção.