Medicamentos fitoterápícos podem trazer vários benefícios, se utilizados corretamente Diferente da depressão, a ansiedade é caracterizada por um estado de medo anormal, excessivo, com respostas provocadas por estímulos ameaçadores, gerando estados de alerta e reflexos autonômicos.
A doença, classificada em quatro subtipos, é capaz de causar inúmeros prejuízos à vida social e profissional do portador.
Existe o transtorno de ansiedade generalizada, caracterizado por um estado constante de ansiedade excessiva; transtorno do pânico, que se trata de fobias, que são medos intensos de objetos ou situações específicas; o transtorno de estresse pós-traumático, caracterizado por ansiedade desencadeada por lembranças de experiências estressantes do passado e, por fim, o transtorno obsessivo-compulsivo, caracterizado por um comportamento com rituais compulsivos, dominados por ansiedade irracional, mais conhecido como TOC.
Nutracêuticos e fitoterápicos
A ansiedade é tratada através de terapias. No entanto, medicamentos convencionais, como nutracêuticos e fitoterápicos são utilizados como coadjuvantes no tratamento da depressão e ansiedade. Entre os fitoterápicos estão Rhodiola rosea, Griffonia simplicifolia, Hypericum perforatum, Piper methysticum, Valeriana officinalis e Passiflora incarnata.
Já os nutracêuticos que atuam como auxiliares no tratamento são Ácido fólico, ômega 3, Vitamina B6, Vitamina B12, Vitamina D, Magnésio, Selênio, Zinco, Hidroxitriptofano, SAM-e, L-Teanina. No entanto, nenhum medicamento deve ser tomado sem o acompanhamento de um profissional habilitado.
Dúvidas freqüentes sobre medicamentos fitoterápicos
O que são fitoterápicos?
Fitoterápicos são medicamentos obtidos empregando-se, como princípio-ativo, exclusivamente derivados de drogas vegetais.
Qual a diferença entre plantas medicinais e fitoterápicas?
As plantas medicinais são aquelas capazes de aliviar ou curar enfermidades e têm tradição de uso como remédio. Para usá-las, é preciso conhecer a planta e saber onde colhê-la e como prepará-la.
Quando a planta medicinal é industrializada para se obter um medicamento, tem-se como resultado o fitoterápico. O processo de industrialização evita contaminações por microorganismos, agrotóxicos e substâncias estranhas, além de padronizar a quantidade e a forma certa que deve ser usada, permitindo uma maior segurança de uso.
Os medicamentos fitoterápicos industrializados devem ser registrados na Anvisa/Ministério da Saúde antes de serem comercializados.
Como saber se um fitoterápico é registrado na Anvisa/ Ministério da Saúde?
Fitoterápicos são regulamentados no Brasil como medicamentos convencionais e têm que apresentar critérios similares de qualidade, segurança e eficácia requeridos pela Anvisa para todos os medicamentos.
Antes de comprar, o consumidor deve verificar na embalagem o número de inscrição do medicamento no Ministério da Saúde. Deve haver a sigla MS, seguida de um número contendo 9 ou 13 dígitos, iniciado sempre por 1.
Ao encontrar um produto sendo vendido como fitoterápico que não tenha registro na Anvisa, o consumidor deve comunicar a Vigilância Sanitária de sua cidade ou Estado, ou denunciar à Anvisa.
Os fitoterápicos podem fazer mal à saúde?
Como qualquer medicamento, o mau uso de fitoterápicos pode ocasionar problemas à saúde, como por exemplo: alterações na pressão arterial, problemas no sistema nervoso central, fígado e rins, que podem levar a internações hospitalares e até mesmo à morte, dependendo da forma de uso.
Qual o papel da Anvisa com relação aos fitoterápicos?
A Anvisa tem o papel de regulamentar todos os medicamentos, incluindo os fitoterápicos, e fiscalizar as indústrias farmacêuticas com o intuito de proteger e promover a saúde da população. Sendo assim, a Anvisa controla a produção, a liberação para consumo (registro) e acompanha a comercialização dos medicamentos, podendo retirá-los do mercado caso seu consumo apresente risco para a população.
Farmacêutica fala sobre uso de medicamentos fitoterápicos
Entrevistada pela Tribuna de Ituverava, a farmacêutica Maria Luiza Nunes Xavier de Souza, que atua na área há 35 anos, falou sobre os medicamentos fitoterápicos.
Segundo ela, que é farmacêutica na Pharma In Farmácia e Manipulação, a eficácia e segurança dos fitoterápicos são validadas através de levantamentos etnofarmacológicos de utilização, documentações tecnocientíficas em publicações ou ensaios clínicos.
“Em 2009, o Ministério da Saúde de Brasil divulgou lista com 71 plantas que podem ser utilizadas como medicamento fitoterápico. Como qualquer medicamento, o fitoterápico passa pela etapa botânica, de identificação; etapa farmacêutica, onde identifica-se as substâncias de valor e nesta fase é criado a forma de preparo para o melhor aproveitamento e garantia de estabilidade; a etapa de ensaios biológicos e finalmente a etapa clínica, onde são avaliados a farmacocinética, farmacodinâmica, dosagem e local de aplicação”, explica.
“Nesta etapa testa-se o medicamento em doentes. Portanto, todo processo de desenvolvimento é semelhante e têm os mesmos critérios utilizados para os demais medicamentos. Da mesma forma que outros remédios, os fitoterápicos quando utilizados de forma incorreta podem proporcionar problemas de saúde”, alerta.
Ainda segundo ela, existem hoje fitoterápicos para tratar diversas patologias. “Entre elas estão úlceras (feridas), anti-sépticos, anti-inflamatórios, anti-hipertensivo, mucolítico, úlcera gástrica, diarréia, menopausa, artrite reumatóide, calmante e dermatites”, ressalta.
“Como alternativa ao uso de ansiolíticos e antidepressivos que podem causar efeitos colaterais e dependência, alguns especialistas apontam os medicamentos fitoterápicos”, diz.
Cautela
Maria Luiza lembra, no entanto, que mesmo sendo fitoterápico, o medicamento deve ser consumido com cautela. “As plantas possuem milhares de substâncias químicas capazes de reagir de maneira indesejada com medicamentos alopáticos comuns. O uso destes medicamentos deve ser adequado às necessidades do paciente. Como qualquer outro medicamento, o organismo precisa de um tempo para ação e percepção do resultado”, destaca.
“Os fitoterápicos como camomila, alecrim, hortelã, erva-cidreira e valeriana têm sido muito usados de forma caseira, mas a utilização como medicamento aponta uma forma de evitar alguns desconfortos (efeitos colaterais) que outros medicamentos podem causar”, enfatiza.
Ansiedade e depressão
Para a farmacêutica, em alguns casos, o uso do medicamento fitoterápico para distúrbios de ansiedade e até mesmo em casos de depressão é mais bem aceito do que o medicamento tradicional. “Uma terapia onde o médico associa ao medicamento uma dieta adequada, horas de sono, exercícios e o que considerar necessário, com certeza os resultados serão melhores. Os efeitos colaterais do medicamento tradicional muitas vezes alteram o comportamento do paciente, tirando a disposição para as atividades que certamente complementam o tratamento e assim alteram os resultados”, observa Maria Luiza.
“Acredito que um tratamento mais natural é menos agressivo. Os medicamentos fitoterápicos ainda são novos, mas de um potencial muito grande, que nos levará para um futuro melhor, mais saudável, menos dependente das drogas que hoje intoxicam. Tomamos remédio para tudo e temos que melhorar isso. Porém, não se deve cair no engano de pensar que as plantas são inofensivas. A orientação médica é e será sempre indispensável”, finaliza.