REGIϿ�O

Incêndio em carro levou fumaça a imóveis no domingo (17) em Ribeirão. Parte das famílias permanece no prédio mesmo sem água e energia.
19/08/2014

MORADORES DE PRÉDIO ESPERAM LAUDO SOBRE DANOS APÓS FOGO EM GARAGEM




Quinze famílias que residem em um edifício no bairro Jardim Macedo, em Ribeirão Preto (SP), aguardam um laudo da Defesa Civil para saber se poderão continuar ocupando o imóvel depois que seus apartamentos foram tomados pela fumaça ocasionada por um incêndio em um carro na garagem no último domingo (17). Mesmo sem água e energia elétrica - cortadas devido aos estragos - e convivendo com rachaduras nas paredes, há moradores que insistem em permanecer no local, segundo a administração do condomínio.

A Defesa Civil informou que, a princípio, nenhum dano estrutural foi identificado, mas recomendou a desocupação. Sobre o atendimento ao incêndio, o Corpo de Bombeiros comunicou ter tomado o procedimento padrão recomendado para este tipo de ocorrência.

O incêndio
A síndica Teresinha Pereira da Silva, de 54 anos, afirma que o incêndio começou no último domingo por volta de 22h no prédio de 16 andares onde vivem 40 pessoas. Um morador guardava seu veículo na garagem quando notou que o carro estava pegando fogo. “Ele tentou apagar, mas não conseguiu e o carro veio a explodir. Não saiu a perícia ainda, mas eu acredito que foi um problema na parte elétrica”, diz.

Ela conta que o veículo passava por um corredor entre o elevador e as escadas quando o incêndio começou. O espaço foi completamente atingido pelas chamas e as paredes ficaram queimadas. A parte elétrica e hidráulica ficou danificada. Nenhum outro veículo foi atingido.

Teresinha explica que duas pessoas tiveram que receber atendimento médico depois de inalar fumaça. “Uma mulher foi socorrida pelos bombeiros na hora, e outro morador também foi hospitalizado. Ele já foi liberado, mas a moradora permanece em observação”, relata.

Segundo a síndica, os apartamentos que ficam em cima da garagem foram afetados pela fumaça e alguns tiveram rachaduras no teto e nas paredes, provavelmente ocasionadas pelo intenso calor liberado pelo carro em chamas.

Teresinha diz que além dos bombeiros, uma equipe de perícia e funcionários da Defesa Civil estiveram no local para analisar se houve algum tipo de abalo estrutural. "Até então, falaram que a gente poderia entrar para a arrumação, mas não falaram mais nada. Estamos no escuro, como está minha casa. Não sabemos nada, mas as rachaduras estão aí."

Ainda assim, alguns imóveis voltaram a ser habitados, mesmo sem a autorização e sem fornecimento de energia elétrica e água. Quem não retornou está arcando com despesas extras em hotéis ou casas de conhecidos enquanto espera um parecer. “Desde domingo a gente está respirando esse pó e hoje vieram pessoas para arrumar a parte hidráulica e elétrica”, afirma Teresinha.

Problemas no resgate
Um morador atendido durante o incêndio no domingo, que prefere não ser identificado, explica que a grande quantidade de fumaça prejudicou a saída no momento do ocorrido. Ele diz que tentou deixar o apartamento, mas precisou correr para a sacada, onde ficou esperando a ajuda. “Nós ficamos duas horas sem ser socorridos, na sacada. E nós com o celular ligado para fazer luz e eu gesticulando. A nossa sorte é que nós usamos toalhas molhadas no rosto para suportar a fumaça. Era muita fumaça”, conta.

Ele alega que a equipe de resgate não lidou corretamente com a situação. Segundo ele, os agentes não dispunham de máscaras para as vítimas. “Eles não levaram nenhuma máscara para descermos pela escada com eles. Nós nos agarramos nos braços deles e fomos descendo, sem nenhum equipamento, sem nenhum suporte, só com a toalha molhada que nós mesmos tínhamos pegado.”

Defesa Civil
O chefe da Defesa Civil, André Luís Tavares, informou, por telefone, que um engenheiro da Defesa esteve no local para fazer uma análise e "aparentemente" não visualizou abalo estrutural, mas recomendou a contratação de uma empresa especializada em estrutura. Ao ser informado que as famílias permaneceram no local depois do fogo, ele afirmou que as pessoas foram orientadas a respeito do risco, mas não há como fazer com que cumpram as recomendações.

Bombeiros
O Corpo de Bombeiros garantiu que seguiu o procedimento padrão para este tipo de ocorrência e explicou que a "viatura aérea" - escada utilizada para a retirada das vítimas - estava disponível, mas a existência de uma rede de energia elétrica tornou sua utilização insegura para o resgate.

A retirada das pessoas, segundo a corporação, foi feita pela própria escada do condomínio, que é aberta e ventilada. "Buscando a segurança dos socorristas para o combate e a retirada das pessoas, foi realizada a ventilação da área com o uso de mangueiras pressurizadas com água", alegou.

Durante o trabalho, as equipes informaram ter utilizado equipamentos de proteção respiratória. "Para a situação encontrada, era mandatório o controle do fogo no carro, sendo que não havia risco de propagação para os outros pavimentos e outros veículos. Ao mesmo tempo em que houve o combate ao fogo, havia bombeiros executando exploração e retirada de pessoas", comunicou.





Fonte: g1.globo.com(EPTV)