Cansaço que não termina nem mesmo depois de uma boa noite de sono pode significar síndrome da fadiga crônicaO cansaço extremo e contínuo pode significar mais do que sobrecarga e estresse do dia-a-dia. Se a sensação de cansaço é freqüente e não desaparece mesmo depois de uma boa noite de sono, pode significar uma doença: a síndrome da fadiga crônica.
A causa exata é desconhecida, mas algumas teorias sugerem que pode ser causada por doenças infecciosas, predisposição genética, estresse e variações hormonais. Traumas durante a infância, adolescência ou mesmo na vida adulta também podem contribuir para desencadear a síndrome.
A doença é mais comum em mulheres, sobretudo com idade entre 30 e 50 anos. O portador de síndrome da fadiga crônica tem a sensação de cansaço extremo, que não passa, o que faz com que a pessoa perca de qualidade de vida e a impossibilita realizar suas atividades normalmente.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 17 milhões de pessoas em todo o mundo têm a doença. No Brasil, ainda não é muito conhecida, e às vezes nem é corretamente diagnosticada. Isso porque os seus sintomas são similares aos de outras doenças, como depressão, câncer, anemia, insuficiência cardíaca e fibromialgia.
Sintomas
Os sintomas mais comuns incluem falhas de memória, dores de garganta, nos gânglios, no corpo, nas articulações, de cabeça, irritabilidade, depressão atípica e mal-estar após exercícios físicos.
Na maioria das vezes, a doença se instala depois de um episódio de resfriado, gripe, sinusite ou outro processo infeccioso. Por razões desconhecidas, entretanto, a infecção vai embora, mas deixa em seu rasto sintomas de indisposição, fadiga e fraqueza muscular que melhoram, no entanto, retornam periodicamente, em ciclos, durante meses ou anos.
O ideal, ao sentir estes sintomas ou ao menos a maior parte deles, é procurar um médico e expor o problema.
Normalmente, ele pede o exame que mede o nível de hormônio cortisol no organismo, que é mais baixo em pessoas com a crise.
Diagnóstico
Não há exames de laboratório específicos para identificar a fadiga crônica. De acordo com o International Chronic Fatique Syndrome Study Group, o critério para estabelecer o diagnóstico é o seguinte: considera-se portadora da síndrome toda pessoa com fadiga persistente, inexplicável por outras causas, que apresentar no mínimo quatro destes sintomas: dor de garganta, gânglios inflamados e dolorosos; dores musculares; dor em múltiplas articulações, sem sinais inflamatórios (vermelhidão e inchaço); cefaleia com características diferentes das anteriores; comprometimento substancial da memória recente ou da concentração; sono que não repousa e fraqueza intensa que persiste por mais de 24 horas depois da atividade física.
Tratamento
O tratamento é bastante amplo. Envolve analgésicos, antidepressivos e terapia cognitiva, que é aquela em que o paciente busca, com a ajuda de um profissional, o autoconhecimento. Também é fundamental que tenha uma alimentação saudável e que pratique exercícios.
A evolução da doença é imprevisível. Às vezes, desaparece em pouco mais de seis meses, mas pode durar anos ou persistir pelo resto da vida.
Como não se sabe com exatidão quais são as causas da síndrome, ainda não existem tratamentos específicos para seus portadores.
Pesquisa diz que terapia cognitiva é fundamental para o tratamento
Um estudo sobre a síndrome da fadiga crônica, publicado na revista médica “Lancet”, aponta que a terapia cognitivo-comportamental tem um importante papel para ajudar as pessoas com a doença.
Os cientistas britânicos que conduziram a pesquisa identificaram os participantes no estudo baseados principalmente em um único sintoma: incapacitação e fadiga inexplicável durante pelo menos seis meses.
Ao estudar a condição, o pesquisador Andreas Kogelnik, especialista em doenças infecciosas de Mountain View, Califórnia, e outros pesquisadores excluíram pacientes cujo único sintoma é fadiga, mesmo que incapacitante, para usar uma definição de caso que inclui outros sintomas cognitivos, neurológicos e fisiológicos. Para eles, tais sintomas indicam uma desordem complexa do sistema imunológico, possivelmente causada por um vírus ou outro agente.
A terapia cognitiva-comportamental é uma linha de psicoterapia proposta e desenvolvida pelo psicólogo Aaron Beck. Envolve um conjunto de técnicas e estratégias terapêuticas com a finalidade de mudança de padrões de pensamento. Seu modelo cientificamente fundamentado apresenta eficácia comprovada através de estudos.
O processo pode levar de três a seis meses onde se trabalha a criação de estratégias para lidar com o sofrimento. A primeira coisa que o terapeuta faz é encorajar seus pacientes a entenderem seus problemas para em seguida identificar novas formas de enfrentá-los.
A terapia cognitivo-comportamental reinterpreta os elementos que geram emoção negativa. Tem como princípio básico à proposição de que não é uma situação que determina as emoções e comportamentos de um indivíduo, mas sim suas cognições ou interpretações a respeito dessa situação, as quais refletem formas idiossincráticas de processar informação.
Reestruturação cognitiva refere-se à reformulação do sistema de esquemas e crenças do paciente através da intervenção clínica que, entre outras técnicas, utiliza-se do questionamento socrático a fim de desafiar esquemas e crenças disfuncionais, os quais, ao longo do desenvolvimento do paciente, tornaram-se rígidos e super-generalizados.
Pensamentos
A terapia cognitiva-comportamental propõe olhar a situação-problema de muitos pontos de vista diferentes, positivos, negativos e neutros para levar a pessoa a novas conclusões e soluções.
A solução é elaborar pensamentos alternativos, ou seja, flexibilizar o pensamento. Um pensamento alternativo surge de uma visão aumentada de si mesmo ou da situação na qual você se encontra. Ele é freqüentemente mais positivo que o pensamento automático, mas não é a mera substituição por um pensamento positivo, pois o mero pensamento positivo tende a ignorar as informações negativas. Com informações adicionais ou um ponto de vista ampliado a percepção do paciente mudará e em conseqüência ele terá novos sentimentos e comportamentos.
Sintomas
É preciso ter quatro ou mais dos sintomas abaixo para a síndrome ser caracterizada:
Quando procurar o médico
Deve-se ir ao médico quando esses sintomas duram mais de seis meses após a infecção ou gripe
Causas
Doenças infecciosas podem dar início à sindrome (como gripes)
Predisposição genética (pode passar de pai para filho
Estresse
Variações hormonais
Diagnóstico
Primeiro, é preciso afastar a possibilidade de outras doenças
O diagnóstico é clínico, na conversa do médico com o paciente
Também é importante fazer exames que medem o nível do hormônio cortisol no organismo, que é mais baixo em pessoas com a síndrome
Tratamento
Terapia cognitiva (que busca o autoconhecimento)
Medicação para os sintomas, como analgésico para dor e antidepressivo para melhorar o sono, por exemplo
Mudar hábitos alimentares, incluindo mais peixe nas refeições
Atividade física é essencial para
o tratamento porque, além de fortalecer a musculatura, estimula a produção dos hormônios do bem-estar