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Lavar calçada com água potável é desperdício
08/09/2014

EDIÇÃO 3095- ENQUETE - ECONOMIZAR ÁGUA É ESSENCIAL PARA O FUTURO DA HUMANIDADE


Falta de chuva e esbanjamento fazem com que falta água em diversas cidades do Brasil

Presente em 80% do organismo humano, a água é indispensável para a vida. Composto por dois átomos de hidrogênio (H) e um de oxigênio (O), o elemento pode ser encontrado em três estados físicos: sólido (geleiras), líquido (oceanos e rios), e gasoso (vapor dágua na atmosfera).

Aproximadamente 70% da superfície terrestre encontram-se cobertos por água. No entanto, 2,5% deste volume é de água doce, ou seja, água potável. A maior parte está concentrada em geleiras (polares e neves das montanhas), restando uma pequena porcentagem de águas superficiais para as atividades humanas.

Do total de água no planeta, 97,5% estão nos oceanos, ou seja, água salgada. Os outros 2,5%, que são a porcentagem de água doce, estão distribuídos da seguinte forma: 29,7% em aqüíferos, 68,9% em calotas polares, 0,5% em rios e lagos e 0,9% em outros reservatórios, como nuvens e vapor dágua.

Boa parte dos pesquisadores concorda que a ingestão de água tratada é um dos mais importantes fatores para a conservação da saúde. Ela é considerada o solvente universal, auxiliando na prevenção das doenças (cálculo renal, infecção de urina, etc.) e proteção do organismo contra o envelhecimento.

Mesmo diante dessa importância vital, a água continua sendo desperdiçada por muitos das mais diversas formas. Além disso, rios são poluídos dia-a-dia por esgoto, lixos, agrotóxicos, entre tantas outras substâncias que fazem com que a água deixe de ser potável.

Brasil
O Brasil é um país privilegiado com relação à disponibilidade de água, pois detém 53% do manancial de água doce disponível na América do Sul e possui o maior rio do planeta em extensão, o Rio Amazonas.

Os climas equatorial, tropical e subtropical que atuam sobre o território, proporcionam elevados índices pluviométricos. No entanto, mesmo com grande disponibilidade de recursos hídricos, o país sofre com a escassez de água potável em alguns lugares. A água doce disponível em território brasileiro está irregularmente distribuída: aproximadamente, 72% dos mananciais estão presentes na região amazônica, restando 27% na região Centro-Sul e apenas 1% na região Nordeste do país.

Outro fator agravante é a ausência de saneamento básico nas residências da população brasileira. Atualmente, 55% da população não têm água tratada nem saneamento básico.

Atualidade
Mesmo com tanta água, o Brasil tem sofrido com a falta do líquido. Diversas regiões declararam estado de alerta, pois uma grande seca se instalou na maior parte do país, fazendo com que os níveis dos rios fiquem baixos e, conseqüentemente, falte água.

Além dos municípios da região nordeste, cidades como Brasília e São Paulo têm sofrido com a falta de água. Mesmo na região há cidades que estão em situação agravante, sendo necessário o racionamento.

São Paulo
O presidente do Conselho Mundial de Água, Benedito Braga, explica a crise paulista em três pilares. O primeiro, e considerado o mais importante, é a situação climática, já que a chuva entre o final de 2013 e início de 2014 foi 30% menor se levada em consideração uma série histórica de cem anos. O segundo corresponde ao costume dos consumidores que não se preocuparam em usar água conscientemente, pois o recurso sempre foi abundante. Em terceiro, está a falha no processo de alertar a situação aos moradores.

Conforme a Sabesp, a produção de água do sistema caiu de 31,8 mil litros por segundo em fevereiro para 23,3 mil litros por segundo em junho. Entre as medidas adotadas para a economia nos últimos meses — consideradas insuficientes por alguns especialistas — está o desconto de 30% na conta de água para quem diminuir o consumo em pelo menos 20% e a redução da pressão de distribuição.

Ituverava ainda não enfrenta uma situação tão dura quanto diversas cidades no que se refere à falta de água. Porém, o município também sofre com a seca, portanto se a população não se conscientizar, a cidade pode enfrentar racionamento. O Rio do Carmo, que abastece a cidade, permanece com nível estável, mas a população deve fazer a sua parte, já que tem chovido pouco na cidade.

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) tem realizado uma campanha de incentivo o uso consciente de água. “É um trabalho educacional que visa mostrar o quanto é fundamental não desperdiçar água”, afirma o superintendente do SAAE, Ivan Deienno, em entrevista à Tribuna de Ituverava.

“Espero que com isso a população aja de modo consciente, evitando qualquer forma de desperdício, como lavar as calçadas com água potável. Somente se as pessoas fizerem a sua parte poderemos ficar tranqüilos em relação à possibilidade de racionamento, pois continuamos aguardando por chuvas freqüentes”, ressalta.

Ainda segundo Deienno, a própria população deve ajudar a fiscalizar. “As pessoas devem fazer a sua parte e ainda, se possível, falar com vizinhos, familiares e pessoas próximas. Através desse trabalho em equipe, é possível conscientizar um número cada vez maior de pessoas”, diz.

“Se não houver o uso mais consciente, possivelmente teremos que agir de forma mais drástica. Essa tem sido uma grande preocupação da autarquia e também do próprio prefeito Walter Gama Terra Júnior”, completa o superintendente.

Rio do Carmo
Segundo o diretor de Meio Ambiente, Edson Domiciano, o Rio do Carmo, que abastece a cidade, está com o volume abaixo do necessário. “Ainda não há previsão de racionamento de água. Mesmo assim, alguns cuidados são indispensáveis”, alerta.

O superintendente do SAAE, Ivan Deienno, alerta sobre o Rio do Carmo. “Ele está com cerca de 30% de sua capacidade e com as altas temperaturas que estamos enfrentando nos últimos dias, é normal o aumento no consumo de água. Mas, em qualquer hipótese, é necessário o uso da água com cautela, para evitar conseqüências mais graves. É mais fácil economizar a água do que viver sem ela”, finaliza.

Desmatamento em floresta tem relação com falta dágua
Nos últimos anos cerca 20% das árvores da Floresta Amazônica original foram derrubados. O desmatamento da floresta mais importante do planeta não é segredo para ninguém, mas nem todo mundo sabe que esse crime ambiental tem a ver com a falta dágua em várias regiões do país.

É que a Amazônia bombeia para a atmosfera a umidade que vai se transformar em chuva nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Quanto maior o desmatamento, menos umidade e, portanto, menos chuva. E sem chuva, os reservatórios ficam vazios e as torneiras, secas.

Uma árvore que leva mais de 100 anos para crescer e é derrubada em menos de um minuto. E o pior é que a madeira nem sempre é aproveitada. Na maioria dos desmatamentos de Floresta Amazônica, o objetivo é simplesmente derrubar tudo, incendiar e transformar a área em pastagem para a criação de gado. Um crime ambiental que geralmente só é notado pelos fiscais tarde demais, quando a floresta já pegou fogo.

Conseqüências
Ao contrário do que se pensava anteriormente, o desmatamento não prejudica apenas árvores, plantas e animais. É o que apontam cientistas que estudam as funções da floresta e as variações climáticas na América do Sul.

“As chuvas que ocorrem principalmente durante o verão, a umidade é oriunda da Amazônia. E essa chuva que fica vários dias é que recarrega os principais reservatórios da Região Sudeste.” explica Gilvan Sampaio, climatologista do Inpe.

Enquete
Para saber a população acredita que faltará água no município e se as pessoas economizam água, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana.

Impacto
O que torna a Amazônia diferente de todas as grandes florestas equatoriais do planeta é a Cordilheira dos Andes. Um imenso paredão, de 7 mil metros, que impede que as nuvens se percam no Pacífico. Elas esbarram na Cordilheira e desviam para o Sul.

Testes feitos em laboratório comprovaram: mais da metade da água das chuvas nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil e também na Bolívia, no Paraguai, na Argentina, no Uruguai e até no extremo sul do Chile vem da Amazônia.

“Para quem está no Brasil, seja Porto Alegre, Manaus ou São Paulo tem que saber que a água que consome em sua residência, uma parte dela vem da Amazônia e que por isso temos que preservar”, alerta Gilvan Sampaio.

Confira as respostas: