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A cantora Lady Gaga e a atriz e cantora Selena Gomez estão entre os famosos portadores da doença
22/09/2014

LÚPUS TEM CAUSAS NÃO TOTALMENTE CONHECIDAS


Doença é muito mais comum entre as mulheres, e não tratá-la de forma adequada pode gerar sérias conseqüências

Doença auto-imune rara, mais freqüente nas mulheres do que nos homens, o lúpus é provocado por um desequilíbrio do sistema imunológico, exatamente aquele que deveria defender o organismo das agressões externas causadas por vírus, bactérias ou outros agentes patológicos.

No caso dos portadores da doença, a defesa imunológica se vira contra os tecidos do próprio organismo como pele, articulações, fígado, coração, pulmão, rins e cérebro.

No entanto, se o tratamento for feito de forma adequada, pessoas com lúpus têm condições de viver normalmente. Já as que não se tratam, na maioria das vezes acabam tendo complicações sérias.

A causa subjacente das doenças auto-imunes não é totalmente conhecida. O lúpus pode ocorrer em qualquer idade, mas aparece mais freqüentemente em pessoas entre 10 e 50 anos. Os afro-americanos e os asiáticos são afetados com mais freqüência do que pessoas de outras raças.

Os sintomas de lúpus podem variar de pessoa para pessoa e podem aparecer e desaparecer. Quase todas as pessoas com lúpus apresentam dor e edema nas articulações. Algumas desenvolvem artrite, e as articulações como os dedos, mãos, punhos e joelhos, são muito afetados.

Pele, rins e sistema nervoso central são as regiões mais afetadas pelo lúpus. A alta exposição aos raios ultravioletas torna o indivíduo mais suscetível à doença. O sintoma mais claro é o aparecimento de manchas no rosto, no formato de “asa de borboleta”. Nos casos mais graves, chamados de lúpus eritematoso sistêmico, o paciente pode apresentar lesões crônicas que deixam cicatrizes na pele.

Outros sintomas comuns são: dor no peito ao inspirar profundamente, fadiga, febre sem outra causa, desconforto, ansiedade, mal-estar, perda de cabelo, feridas na boca e sensibilidade à luz do sol.

Exames e tratamento
Os exames mais comuns usados para diagnosticar o lúpus são: exames de anticorpos, incluindo teste de anticorpos anti-nucleares; hemograma completo; radiografia do tórax, biópsia renal e uranálise.

Não há cura para o lúpus, mas com o tratamento é possível controlar os sintomas.

Famosos
Dentre os famosos que são portadores de doença estão a cantora Lady Gaga e a atriz e cantora Selena Gomez.

Saiba mais sobre a doença

O que é a doença?
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença crônica na qual acontecem alterações no sistema imunológico da pessoa, ou seja, o portador desenvolve anticorpos que reagem contra suas próprias células saudáveis, podendo afetar pele, órgãos e tecidos do corpo inteiro.

"É uma doença auto-imune, ou seja, é como se a pessoa se tornasse ‘alérgica’ a ela mesma", explica Roger Levy, especialista em reumatologia e professor-adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Segundo ele, a doença é mais freqüente e mais grave em mulheres e, principalmente, em afro-descendentes.

Existem dois tipos de Lúpus: sistêmico e discóide. No primeiro tipo, a pessoa apresenta lesões na pele, articulações e órgãos. No segundo, tem alterações somente na pele, só que mais profundas. O sintoma mais comum nos dois casos é a mancha no rosto em formato de asa de borboleta. Algumas pessoas também apresentam cicatrizes e descamações, além de queda de cabelo.

Tratamento
O tratamento é feito com corticosteróides, que são imunossupressores, ou seja, visam barrar o desenvolvimento exagerado de anticorpos. Com isso, a pessoa tem maior risco de ter infecções. Também é muito comum que o portador sofra perda da função renal, além de outros efeitos causados pelo uso do medicamento no tratamento, como catarata e trombose venosa.

Diagnóstico
O diagnóstico é feito pela análise do quadro clínico do paciente, além de exames laboratoriais que comprovem que a pessoa tem ao menos quatro fatores dos 11 que são necessários para caracterizar a doença. São eles:

Critérios de pele
1 - mancha "asa de borboleta"

2 - lesões na pele causadas pelo sol

3 - sensibilidade ao sol e luz

4 - úlceras na boca e nariz

Critérios sistêmicos

5 - artrite

6 - inflamação do revestimento do pulmão (pleura) e coração (pericárdio)

7 - alterações renais

8 - alterações neurológicas

Critérios laboratoriais:

9 - anormalidades no sangue

10 - anormalidades imunológicas

11 - fator anti-núcleo positivo (FAN)

Aluna da FFCL publica artigo sobre a doença
O trabalho “Percepção da qualidade de vida em mulheres portadoras de Lupus Eritematoso Sistêmico” da aluna do curso de Ciências Biológicas Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), Instituição de Ensino Superior mantida pela Fundação Educacional de Ituverava, Lilian dos Santos Silva, foi publicado na Revista Brasileira de Qualidade de Vida da UFTPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná). Ela também aborda o tema em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

Lilian conta que, por ser portadora da doença, resolveu desenvolver a pesquisa para analisar a qualidade de vida de portadoras de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). “Desenvolver esse trabalho me deixou muito feliz e me fez compreender os sentimentos que permeiam essa doença e a coragem que precisamos ter para enfrentá-la”, afirma.

“Como paciente, é importante ter presente que sofrer uma doença crônica não significa que a sua vida esteja congelada. Pude constatar com esse trabalho que é essencial recorrer a outros indivíduos na mesma situação para intercambiar idéias e informações para aceita-la da melhor maneira”, destaca.

Orientação
O projeto, que contou com a orientação da bibliotecária Vera Mariza Chaud de Paula, foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da FFCL. “O que me motivou a aceitar o desafio foi a coragem da aluna e a vontade de se aprofundar no tema para entendê-lo melhor e, dessa forma, superar as dificuldades e ter melhor aceitação”, ressalta Vera, que considerou o trabalho uma lição de vida.

O artigo na íntegra pode ser consultado no portal da revista pelo endereço eletrônico http://http://revistas.utfpr.edu.br/pg/index.php/rbqv/article/view/1885/1265.

Contribuição
Foram co-autores do trabalho, o médico veterinário e ex-aluno da Fafram, Edmilson Daneze e o ex-aluno do Colégio Nossa Senhora do Carmo – COC e estudante de Medicina, Fábio Chaud de Paula.

Para Daneze, a pesquisa lhe proporcionou a oportunidade de conhecer a doença e os sentimentos, medos e perspectivas que os portadores têm. “O verdadeiro sentido de uma pesquisa é transmitir e compartilhar conhecimentos, e ela alcançou plenamente o seu intuito”, ressalta.

Fábio Chaud de Paula fala sobre o trabalho. “Portadoras de LES são leigas quanto aos aspectos técnicos, porém conhecedoras da afecção, já que vivenciam a doença, os sintomas e a mudança de vida que ela provoca, e conhecer os resultados obtidos pela pesquisa pode servir como referência na busca pelo bem-estar dessas pessoas”, afirma o graduando em medicina.

Aprovação
O coordenador do curso de Ciências Biológicas, Marcelo dos Santos Fernandes também elogia o desempenho da ex-aluna. “Esse artigo representa uma conquista pessoal para a Lílian, pois ela teve que olhar fundo nos olhos de seu maior algoz, a sua própria doença. Ela precisou entender as suas limitações como ser humano e reaprender a lidar com a doença para poder escrever e dar sua contribuição para as ciências médicas, que um dia devem encontrar caminhos melhores para seus pacientes”, completa.