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Crianças passam cada vez mais tempo conectadas à internet
27/10/2014

EDIÇÃO 3102 ENQUETES - JOVENS E ADULTOS ESTÃO CADA VEZ MAIS DEPENDENTES DA TECNOLOGIA


Internet pode causar dificuldade em lidar com emoções e interagir no mundo real

Você checa o seu email e as redes sociais a cada cinco minutos? Não desgruda do seu celular devido aos aplicativos? Fica frustrado quando está em algum lugar que não tem sinal de internet? Sofre de ansiedade se não acessar suas redes sociais? Estes sinais, cada vez mais comuns, sobretudo nos jovens, podem indicar uma dependência tecnológica.

Um estudo feito por pesquisadores da Escola de Negócios da Universidade de Chicago apontou que o uso das redes sociais e e-mails podem causar mais dependência do que bebidas alcoólicas ou o cigarro. Para concluir a pesquisa, eles avaliaram 205 voluntários, com idades entre 18 e 85 anos.

As redes sociais podem ser tão viciantes que podem se tornar um problema que precisa de acompanhamento psicológico. As conseqüências mais comuns são ansiedade, irritabilidade, dificuldade em lidar com emoções e em interagir com pessoas no mundo real

Situação preocupante
A situação se torna mais preocupante quando a pessoa passa muito tempo usando a tecnologia para conectado e deixa de fazer outras atividades como encontrar amigos, assistir um filme, estudar e trabalhar.

“Na maioria das vezes a pessoa não percebe que estar conectado se tornou um vício. Em alguns casos, a pessoa consegue mudar seus hábitos aos poucos. Porém, quando essa dependência está associada à compulsão e problemas emocionais necessitam de tratamento com um terapeuta”, explica a terapeuta Érica Aidar.

Uma pesquisa feita pela empresa de marketing Digital Clarity também alerta sobre o problema. Segundo ela, 16% dos pesquisados apresentaram sintomas do vício, admitindo gastar mais de 15 horas por dia na internet. O levantamento foi feito com 1,3 mil jovens adultos, de idades entre 18 e 25 anos.

Prejuízos
Especialistas alertam que é fundamental controlar do uso das redes sociais. Entre os principais problemas gerados por este vício estão a dificuldade de administrar o próprio tempo e transtornos ligados ao isolamento.

Pesquisar no Google, trocar confidências no Whatsapp, atualizar o Twitter e postar fotos no Facebook são hábitos corriqueiros, mas não tão inocentes como parecem. Eles criaram uma dependência tecnológica que, em alguns casos, pode resultar em necessidade de tratamento.

Entre os principais problemas, alertam os especialistas, está a perda de controle da administração do próprio tempo e doenças relacionadas ao isolamento, o que têm aumentado a demanda nos consultórios psicológicos.

“Quando o tempo pessoal é prejudicado porque eu dedico o tempo para o uso da tecnologia, isso está sendo um problema”, explica Sueli Ferreira Schiavo, psicóloga do Conselho Federal de Psicologia. “Nesse caso, a tecnologia está colocando o tempo das pessoas à disposição de um modelo de consumo, de um modelo de sociedade. Precisa verificar quanto isso pode resolver ou criar problemas na vida dela”, analisa.

Estudo
Ainda não existe um estudo epidemiológico mais aprofundado para poder dizer qual é o impacto do uso descontrolado da internet na vida das pessoas. Mas o tema faz parte das sessões de terapia dentro dos consultórios.

As pessoas se isolam porque não têm habilidade social e se sentem mais seguras na frente do computador. Na internet, elas conseguem se comunicar melhor – nesse espaço, é possível assumir qualquer identidade. Já as pessoas com dificuldades psíquicas, como timidez ou transtornos psiquiátricos (depressão ou transtorno obsessivo compulsivo) continuam solitárias. “Elas fazem perfis falsos. É como se fosse um novo palco para manifestar essas patologias”, aponta Sueli.

Conectado e solitário
O novo cenário inspirou a fundação do Grupo de Dependência de Internet do Instituto de Psiquiatria, formado por profissionais do Hospital das Clínicas de São Paulo. Um dos critérios listados pelo grupo para definir a dependência da internet é ter o trabalho e as relações sociais em risco pelo uso excessivo da tecnologia. A tendência se reflete principalmente no isolamento e na superficialidade.

Os casos mais comuns de dependência tecnológica estão ligados às redes sociais, embora celular e videogame também façam parte da lista. “É muito comum a gente ir a bar e lanchonete e ver grupos de jovens, cada um conversando via torpedo ou por meio de outro aplicativo, mas com outras pessoas. Então elas não estão ali", analisa Dora Sampaio Góes, psicóloga e vice-coordenadora do grupo.

Ela lembra que no meio virtual, perde-se a possibilidade de desenvolver habilidade social. “As pessoas vão ficar cada vez mais solitárias, vão se encontrar menos”, diz.

Enquete
Para saber se os ituveravenses se consideram dependentes da tecnologia e se acreditam que esse hábito pode trazer prejuízos, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana. Nem todos os entrevistados afirmam usar a tecnologia de forma dependente, porém todos acreditam que esse vício traz muitos prejuízos.

O outro lado
A opinião não é consenso entre os estudiosos da área. O psicólogo da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Vinícius Thomé Ferreira, aponta o poder de união dessas redes. “Os acontecimentos dos últimos meses que mobilizaram a população brasileira para reivindicar mudanças na política nacional são fortes indicativos do poder integrador que as redes possuem para aproximar as pessoas”, observa. Ele ressalta que vários protestos foram combinados pelas redes, permitindo a participação de milhares de pessoas. “Isto não é algo que afasta as pessoas, mas aproxima, e foi proporcionado pela existência das redes sociais”, ressalta.

Confira as respostas: