Ex-presidente Tabaré Vazquez deve vencer segundo turno neste domingo. Frente Ampla, do atual presidente Mujica, conseguiu votos no interior.O Uruguai se prepara para definir seu próximo presidente no domingo (30), na votação do segundo turno de um duelo no qual a esquerda governante é franca favorita para obter um terceiro mandato consecutivo e consolidar a receita de crescimento econômico combinado com avanço sociais que a tornou tão popular.
As pesquisas dão ao governista Tabaré Vázquez, médico oncologista que já governou o país, uma vantagem de cerca de 14 pontos sobre seu jovem adversário, o parlamentar conservador e fã de surfe Luis Lacalle Pou.
A consultoria Equipos Consultores projetou que o candidato sucessor de José Mujica terá 54,5% dos votos, e o conservador Partido Nacional, 40%, enquanto que votos brancos e nulos somarão 5,5%. "Tabaré Vázquez vai ser reeleito como próximo presidente dos uruguaios, vai ganhar por uma diferença ampla sobre Lacalle Pou e possivelmente vai terminar superando a votação de Mujica em 2009", disse o diretor de opinião pública da Equipos, Ignacio Zuasnabar.
Um total de 2,6 milhões de uruguaios estão convocados a votar. Não há opção de votar fora do país. As urnas abrirão das 8h às 19h30 (hora local, mesma de Brasília) e as primeiras pesquisas de boca de urna devem sair aproximadamente às 20h30.
A vitória no primeiro turno - e provável trunfo no segundo - foi possível, entre outros motivos, por um inesperado aumento na votação nos menores municípios do país, onde até pouco tempo atrás a esquerda era temida pelo "comunismo" e onde houve uma forte inversão social e uma melhora nas condições de trabalho de quem trabalha na roça.
"O ressentimento era muito profundo, e essa mudança mostra o poder incrível que tem hoje a Frante Ampla", disse em entrevista à agência de notícias Associated Press o analista político Adolfo Garcé, do Instituto de Ciências Políticas da Universidad de la República.
Além da boa situação de trabalho nos pequenos povoados, a Frente Ampla se viu favorecida nas urnas pela taxa de desemprego - historicamente baixa - e pela a boa administração econômica.
Mas independente do motivo, as contas que fez Gustavo Leal, sociólogo que trabalhou na campanha oficialista, são impactantes. "A Frente Ampla" conseguiu um crescimento de 79% nas 550 menores localidades do país e nas zonas rurais", disse à Associated Press. "Essas cifras marcam as últimas barreiras que foram rompidas no que impedia o relato da esquerda de chegar ao Uruguai profundo."
Embora seja mais moderado que Mujica, uma vitória de Vázquez, de 74 anos, também garantiria a continuidade de iniciativas progressistas como a descriminalização do aborto, o casamento gay e outra iniciativa que rendeu manchetes em todo mundo: a legalização da produção e venda de maconha.
Lacalle Pou, um advogado de 41 anos do Partido Nacional e filho de um ex-presidente, havia proposto anular parte desta última medida –rejeitada pela maioria dos uruguaios, segundo as pesquisas– só permitindo o cultivo em casa e em clubes de fumantes.
Mas nem uma proposta como esta, nem seu discurso conciliador conseguiram convencer suficientes uruguaios no primeiro turno, e as pesquisas apontam que tampouco o fará na segunda etapa. Os especialistas acreditam que Lacalle Pou não soube apresentar um projeto alternativo ao da esquerda.
“Não creio que Lacalle possa ganhar, e é uma pena, porque ele pode solucionar os problemas do país”, opinou Carla Da Silva, uma aposentada de 68 anos que criticou a insegurança e o baixo nível do ensino no país.
Vázquez parece ter se beneficiado também da lembrança de seu primeiro governo. Quando concluiu seu mandato, em 2010, tinha uma aprovação de 70%. Ele reduziu o desemprego com políticas econômicas favoráveis aos mercados, mas mantendo os programas sociais para os mais vulneráveis, que ajudaram a diminuir a pobreza em um terço, chegando aos 11% atuais.
A ampla diferença prevista a favor do governismo, em parte também um produto do grande apoio que tem o ex-guerrilheiro Mujica, fez com que as campanhas eleitorais baixassem o tom.
No primeiro turno de 26 de outubro, Vázquez obteve mais votos que o esperado – 47,8% diante dos 30,8% de Lacalle. A Frente Ampla ainda conquistou a maioria dos assentos no Congresso.
Fonte: g1.globo.com