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O médico Rafael Figueiredo Joge concede entrevista à TV Cultura: excesso de sal, sedentarismo e obesidade agravam hipertensão
16/12/2014

QUASE 25% DOS ADULTOS DO PAÍS SÃO HIPERTENSOS


Doença foi abordada pelo médico ituveravense Rafael Figueiredo Jorge, em programa da TV Cultura

Quase um quarto da população adulta brasileira é hipertensa, de acordo com o último levantamento realizado pelo Ministério da Saúde. A hipertensão arterial, também conhecida como pressão alta, é uma doença caracterizada pela elevação dos níveis tensionais no sangue. É uma síndrome metabólica geralmente acompanhada por outras alterações, como obesidade.

No Brasil, 50% da população obesa sofrem da doença, que pode acontecer quando as artérias sofrem algum tipo de resistência, perdendo a capacidade de contrair e dilatar, ou quando o volume do sangue se torna muito alto, exigindo uma velocidade maior para circular. A hipertensão é hoje a principal causa de mortes no mundo, pois pode favorecer uma série de outras doenças.

Para falar sobre o assunto, o médico ituveravense Rafael Figueiredo Jorge, concedeu entrevista ao programa “Saúde em Questão”, da TV Cultura. O programa também será exibido em breve, pelas TVs associadas da Cultura e, no próximo ano, pelo Canal Saúde.

Com ampla experiência em medicina esportiva, Rafael é médico do Desportivo Brasil/Traffic, da Confederação Brasileira de Basquete Feminino e do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa. Ele foi um dos médicos que atuaram na Copa do Mundo deste ano no Brasil.

Em entrevista à Tribuna de Ituverava, ele falou sobre hipertensão. "Hoje é considerada pressão alta aquela com valor maior ou igual a 140 x 90 mmHg. Além da hereditariedade, há vários fatores que contribuem para desenvolver a doença: fumo, álcool, obesidade, estresse, sal, colesterol alto, ausência de atividade física, sono inadequado e diabetes”, afirma.

“O essencial para evitar ou até atuar no tratamento da hipertensão é mudança no estilo de vida. Ou seja, é preciso evitar bebidas alcoólicas, fumar e consumir cafeína. Também é importante emagrecer e fazer exercícios físicos, são questões que também devem ser observadas para quem fazem tratamento com medicamentos”, observa.

Atletas
Em sua área de atuação, Rafael diz que não existem muitos casos de hipertensos. “Em relação aos atletas, há poucos estudos de hipertensão neste grupo, pois se observa habitualmente baixa quantidade de doenças cardiovasculares nos praticantes de atividade física”, relata.

“Os estudos apontam que a quantidade de pessoas com hipertensão no grupo dos atletas é 50% mais baixa do que na polução sedentária em geral. No entanto, quando ocorre, o tratamento e controle nos atletas é o mesmo da população. A única ressalva importante é uso de medicamentos, o atleta deve evitar remédios que podem diminuir rendimento ou até causar doping”, destaca o médico ituveravense.

Causas
Segundo ele, o diagnóstico de hipertensão tem aumentado nos últimos anos. "Isso ocorre devido à ausência de vida saudável da população, má alimentação, estresse e dia-a-dia mais agitado”, enfatiza.

“Lembro que o mais importante hoje é mudança estilo de vida, já que se a pessoa tem o dia-a-dia mais saudável é importante não só para combater a hipertensão, mas para o controle de várias patologias”, afirma.

Anvisa aprova novo salgante que não possui sódio do sal


O salgante é em um produto vendido há pelo menos uma década nos EUA e na Europa, e que acaba de ser aprovado no Brasil pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Os grãos são de cor e textura de sal, mas no lugar do sódio há potássio.

O novo produto substitui completamente o sódio, vilão da pressão arterial, pelo potássio, nutriente presente em frutas e verduras que ajuda a combater doenças cardiovasculares e que poderia ser uma espécie de salvação para hipertensos.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) a maioria das pessoas ingere muito sódio e pouco potássio, que está presente em alimentos como banana, castanha, feijão, ervilha e verduras em geral.

A OMS não estabelece limite máximo para o consumo do nutriente, que pode reduzir a pressão arterial e o risco de doenças cardiovasculares e tem efeitos benéficos sobre a saúde dos ossos.

Ressalvas
O salgante, porém, chega ao país com uma lista de ressalvas e contra indicações. Pessoas com insuficiência renal, que tendem a acumular potássio no organismo, correm risco de morte se consumir salgante. O excesso do nutriente pode causar parada cardíaca.

Hipertensos e diabéticos, público-alvo do produto, já que costumam receber orientações para reduzir o consumo de sal, também devem ter cautela. Um terço desses pacientes pode ter algum grau de insuficiência renal. Outra questão, quem sofre de hipertensão e toma remédios que retenham potássio (como os diuréticos poupadores de potássio e os inibidores da enzima de conversão da angiotensina) também não deve consumir o produto.

Falta de informações
As informações sobre os riscos e contraindicações não constam no site ou na embalagem do produto. "A verdade é que estamos preocupados com esse lançamento", diz Daniel Rinaldi, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia. "É preciso se certificar de que os rins estão funcionando plenamente antes de usar o produto”, ressalta. Em pessoas com função renal normal, o excesso de potássio é excretado pela urina.

"A suplementação é uma opção para aumentar o consumo de potássio, mas não acredito que trocar o pote de sal pelo de salgante seja o melhor caminho. O ideal é reduzir o consumo de sódio, em vez de cortá-lo", afirma o médico nutrólogo Celso Cukier.

Aceitação
O salgante começou a ser disponibilizado no mercado brasileiro pelo preço de R$ 16,90 por pote de 100 g (www.biosalgante.com.br).

O produto, que tem cor e textura de sal, deixa um sabor residual amargo e metálico na boca. Caso seja aquecido a mais de 180 graus, o gosto se acentua. "O sal light, que é metade sódio e metade potássio, também tem esse problema. Imagino que a aceitação de um produto que é puro potássio será ainda mais difícil", diz Marcia Gowdak, diretora do departamento de nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

Nilson Capozzi, diretor da Matrix Health, que faz o Bio Salgante, compara o produto aos adoçantes. "Adoçante in natura é horrível, mas, quando é misturado aos alimentos, o efeito é minimizado. O primeiro teste causa estranheza, mas peço sempre que repitam o teste uma, duas, três vezes. O paladar humano se adapta rapidamente. Acho que a maioria das pessoas vai gostar”, defende.

Sobre a segurança do produto, ele lembra que o salgante está disponível há anos em outros países e foi testado durante cinco anos em parceria com cientistas da USP e da Unifesp. "Só há problema para quem tem insuficiência renal crônica", diz.

Médico ituveravense fala sobre o novo produto que já está no mercado
Sobre o salgante, o médico ituveravense Rafael Figueiredo Jorge diz que ainda acha cedo para tomar posição. “Pelos primeiros trabalhos apresentados, parece que a princípio funciona, isto é, não provoca aumento da pressão arterial, porém prefiro esperar mais tempo para ter uma opinião mais firme a respeito; o que se sabe é que preço é bem elevado”, finaliza.

Rafael Figueiredo Jorge formou-se em 2008 pela Faculdade de Medicina de Sorocaba (PUC-SP). Ele fez Residência em Medicina Esportiva pela Unifesp, cursou pós-graduação em Fisiologia do Exercício pela mesma instituição e recebeu título da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e Exercício.

Ele é médico do Desportivo Brasil/Traffic, da Confederação Brasileira de Basquete Feminino e do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa.

Ituveravense
Rafael é filho do também médico Dr. José de Moura Jorge e da professora Ângela Figueiredo de Paula Jorge. São seus irmãos Eduardo Figueiredo Jorge, médico residente em Psiquiatria, na Santa Casa de São Paulo e Beatriz Figueiredo Jorge, aluna do curso de Medicina na Faculdade de Ciências Médicas de Santos (Fundação Lusíada).

Hipertensão é dividida em diferentes estágios
A hipertensão pode ser dividida em três estágios, definidos pelos níveis de pressão arterial. Esses números, somados a condições relacionadas que o paciente venha a ter, como diabetes ou histórico de AVC, determinam se o risco de morte cardiovascular é leve, moderado, alto ou muito alto. Além disso, quanto mais alta a pressão arterial, maior a chance de o paciente precisar usar medicamentos.

O estágio I é quando a pressão arterial está acima de 14 por 9 e abaixo que 16 por 10; o estágio II é quando está acima de 16 por 10 e abaixo de 18 por 11, e o estágio III é quando está acima de 18 por 11.

Causas
A hipertensão é herdada dos pais em 90% dos casos. Em uma minoria, a hipertensão pode ser causada por doenças relacionadas, como distúrbios da tireóide ou em glândulas endocrinológicas, como a supra-renal. Entretanto, há vários outros fatores que influenciam os níveis de pressão arterial, entre eles: fumo, consumo de bebidas alcoólicas, obesidade, estresse, grande consumo de sal, níveis altos de colesterol, falta de atividade física, diabetes e sono inadequado.

Além desses fatores de risco, sabe-se que a incidência da hipertensão aumenta com a idade. Isso porque com o passar do tempo, as artérias começam a ficar envelhecidas, calcificadas, perdendo a capacidade de dilatar. Desta maneira, a hipertensão arterial se torna mais fácil de acontecer, inclusive atinge cerca de 70% dos adultos acima dos 50 anos.

Sintomas
Os sintomas da hipertensão costumam aparecer somente quando a pressão sobe muito, e podem ocorrer dores no peito, dor de cabeça, tonturas, zumbido no ouvido, fraqueza, visão embaçada e sangramento nasal.

A doença não tem cura, mas pode ser controlada com tratamento. Somente o médico poderá determinar o melhor método para cada paciente, que depende das comorbidades (comorbidade prognóstica ocorre quando houver doenças que predispõem o paciente a desenvolver outras doenças) e medidas da pressão.

É importante ressaltar que o tratamento para hipertensão nem sempre significa o uso de medicamentos. No entanto, caso eles sejam indicados, o paciente deve aderir ao tratamento e continuar a tomar os medicamentos, mesmo que esteja se sentindo bem.

Também é fundamental que a pessoa mantenha o peso adequado, e se necessário, mudar hábitos alimentares; não abusar do sal, utilizando outros temperos que ressaltam o sabor dos alimentos; praticar atividade física regular; aproveitar momentos de lazer; abandonar o fumo; moderar o consumo de álcool; evitar alimentos gordurosos e controlar o diabetes e outras comorbidades.

Complicações possíveis
As principais complicações da hipertensão são AVC, por infarto agudo do miocárdio ou doença renal crônica. Além disso, a hipertensão pode levar a uma atrofia do músculo do coração, causando arritmia cardíaca. É importante ressaltar que qualquer combinação de fatores de risco é sempre muito mais grave, pois o risco das comorbidades é multiplicado. Em média, uma pessoa com hipertensão que não controla o problema terá uma doença mais grave daqui a 15 anos.