As Primas Sapecas do samba será lançado na Lapa no dia 13. Ilha do Governador, São Clemente e Caprichosos são tema de obra.Há exatos 30 anos, em 1985, o Brasil clamava pelo voto direto e o carnaval refletia todo aquele movimento do final da ditadura, na carona dos desfiles da Caprichosos de Pilares, em especial, “E por falar em saudade”. O samba dizia: “Diretamente, o povo escolhia o presidente. Se comia mais feijão, vovó botava a poupança no colchão”. Estas e outras histórias estão narradas no livro “As Primas Sapecas do Samba – Alegria, crítica e irreverência na Avenida” (Editora Nova Terra), obra em crônicas que conta a história da própria Caprichosos, da União da Ilha do Governador e da São Clemente. O lançamento é nesta terça-feira (13), às 19h, no Bar Ernesto, na Lapa.
As chamadas “primas sapecas” são as agremiações que, sem muito dinheiro, utilizaram as armas da simplicidade, originalidade e ousadia em seus desfiles, de modo a fazerem frente ao poderio financeiro das ditas “grandes escolas”. Conseguiram: ganharam corpo, identidade própria e conquistaram muitos apaixonados, como conta o livro.
Costumo brincar que as três nunca foram governo: jamais ganharam, trazem rebaixamento no currículo, mas sempre encontram eco para suas propostas na contramão da tendência de transformação do espetáculo”, diz o jornalista Fábio Fabato, organizador do projeto.
Os autores do livro são os também jornalistas Eugênio Leal, Vicente Dattoli e Anderson Baltar, que escreveram, respectivamente, sobre São Clemente, Caprichosos e Ilha.
O prefácio do livro é assinado por Luiz Fernando Reis, único carnavalesco que assinou apresentações das três “sapecas”. Na capa, elas são representadas por desenhos inspirados em personagens importantes das agremiações, como a carnavalesca Maria Augusta.
As ilustrações do livro são de autoria do carnavalesco e artista plástico Leonardo Bora. A "musa" da contracapa é Enoli Lara, que assina o posfácio da obra. A modelo e artista plástica protagonizou o primeiro nu frontal da avenida, gerando a proibição da dita “genitália desnuda”. Foi em 1989, na União da Ilha (Festa Profana).
Fonte: g1.globo.com