Uso de celular na sala de aula é cada vez mais comunProibido em salas de aula desde janeiro de 2008, por meio do Decreto nº 52.625, os celulares têm causado muitos problemas nas escolas. Concentrados nos aparelhos, os estudantes ficam desligados das aulas, navegando pela internet ou utilizando aplicativos.
Quando entrou em vigor, a lei destacou que “o uso dessa tecnologia faz com que o aluno não se atenha ao ambiente escolar e não preste a devida atenção ao professor”.
Por outro lado, a tecnologia usada para pesquisas culturais e científicas durante a própria aula, pode ser uma importante ferramenta para alunos e professores. Em outros países, como Estados Unidos, por exemplo, é comum os jovens utilizarem celulares em várias atividades das aulas, mas sempre com a supervisão do professor. Mesmo no Brasil, em escolas de idiomas e particulares, os celulares já são usados nas aulas. A questão é até que ponto os jovens conseguem discernir entre o momento oportuno e uso inadequado?
Falta de preparo dos jovens brasileiros
Outro problema é que no Brasil a grande maioria dos jovens não está preparada para utilizar o celular apenas em atividades educacionais, sob orientação e supervisão do professor. Para eles, o desejo de procurar ou saber irrelevante (no Instagram), ou conversar com um amigo (no WhatsApp) é mais relevante do que utilizar o aparelho para o aprendizado.
No contraponto, se a maioria dos pais acredita na dispersão dos filhos devido às novas tecnologias, muitos defendem que ela serve de apoio às ações educacionais, inclusive para a Unesco. A Organização das Nações Unidas no que se refere à educação, ciência e a cultura, no documento “Diretrizes de Políticas para a aprendizagem móvel“ defende o uso dos “smartphones” na aula, pois pode trazer muitos benefícios, entre eles a aprendizagem a qualquer hora e em qualquer lugar, além de criar pontes entre a educação formalizada e a não formal.
O que é muito bom na teoria, no entanto, pode ser inconcebível na prática. Hoje, mesmo com a proibição, os alunos usam celulares durante a aula, e ainda para atividades que nada tem a ver com os conteúdos estudados. Se o celular for liberado em salas de aula, portanto, seria muito difícil para o professor, que além de se adequar à nova tecnologia, teria a árdua tarefa de orientar e fiscalizar os alunos, para que eles utilizem os celulares apenas na tarefa solicitada.
Enquete
Para saber a opinião da população sobre o uso dos celulares em sala de aula, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana. E fez a seguinte pergunta:
Advogado profere palestras sobre utilização de celular em escolas
O advogado Roberto Inácio Barbosa Filho (“Betô) proferiu, no último semestre, diversas palestras nas escolas da rede pública municipal, abordando temas ligados ao uso indevido de celulares e das redes sociais durante as aulas.
Segundo ele, objetivo das palestras foi conscientizar os alunos sobre o uso correto da internet e principalmente, dos celulares no ambiente escolar, evitando o chamado cyberbullying.
“Nos últimos anos, o uso das tecnologias virtuais, especialmente os smartphones e a Internet, vem gerando novas formas de vínculos entre as pessoas”, diz.
Oportunidades
“Sem dúvida, isso traz grandes vantagens e oportunidades, mas, ao mesmo tempo é necessário estar preparado para evitar situações desagradáveis que, ainda que no ambiente virtual, podem ser tão prejudiciais quanto as que acontecem fora do ambiente virtual”, afirma.
“Até algum tempo atrás, a internet era um território livre, sem lei e sem punição. Mas nos últimos anos o judiciário começou a combater a criminalidade cibernética, com aplicação do Código Penal e de diversas outras Leis”, ressalta.
Para Betô, é importante que os alunos estejam conscientes de que o uso de celulares em sala de aula é proibido por Lei, e a escola poderá deliberar a respeito da utilização fora das salas de aula, nos intervalos e atividades extra-classe.
É necessário ter equilíbrio na utilização das inovações
O equilíbrio deve ser mantido no uso dos aparelhos celulares e também na Lei que proíbe o uso, pois há embates e discussões de ideiais sobre o tema entre profissionais de todas as áreas do conhecimento como neurologista, psicólogos, professores, psicopedagogos, pais e estudantes. A escola deve exercer autoridade, mas não ser uma entidade autoritária.
O mundo tem avançando e são muitos os inovadores que tentam romper os elos da sociedade com as tradições. Contudo, a tradição professor e giz é de um valor inegável. Desde a Grécia antiga, quando os cidadãos se punham nas “Ágoras”, (praças usadas para o embate do saber) a discussão civilizada era fundamental para a elaboração da conclusão.
Não diferente, a exposição do saber através da oratória e da escrita, como método de recordação, é indispensável. O celular jamais poderá substituir a presença de um professor e a lousa e o giz não devem ser substituídos; quando muito, essa forma tradicional de Ensino deve ser complementada com o uso equilibrado dos telefones celulares.
Os pais devem educar os seus filhos para esse equilíbrio e discernimento, caso considerem o uso do celular uma possibilidade correta; caso considerem o uso da internet na sala de aula através do “smartphone” ilegítimo, não devem dar celulares aos filhos na tenra idade e não permitir que eles levem em seus materiais os instrumentos tecnológicos. É na base educacional que os estudantes vindouros serão ensinados a aceitarem ou recusarem a Lei que proíbe o uso dos telefones celulares durante o horário de aula.