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Doença do carrapato pode levar o cão à morte rapidamente
27/01/2015

DOENÇA DO CARRAPATO PODE LEVAR CACHORROS À MORTE RAPIDAMENTE


Doença se apresenta em duas formas, e não existe vacina para combatê-la

Apresentada em duas formas - erliquiose e babesiose -, a doença do carrapato é transmitida pelo parasita que se aloja no corpo do cachorro e se alimenta de sangue. O problema, que já é grave, pode se tornar ainda mais agravante se as duas formas da doença atingir o cachorro simultaneamente.

A doença do carrapato também é conhecida como hemoparasitose. É uma das que mais preocupam os donos de cachorros, pois não existe vacina contra ela e apesar de existir tratamento e cura, ela também pode matar.

Erliquiose
É uma doença infecciosa severa que acomete os cães, causada por bactérias do gênero ehrlichia. Raramente atinge gatos ou seres humanos, embora não seja impossível. É uma doença mais comum durante o verão, já que os carrapatos precisam de calor e umidade para se reproduzir. É comum confundir os sintomas da doença do carrapato com os sintomas da cinomose, por isso é sempre importante consultar um veterinário assim que o cachorro se mostrar apático, triste, prostrado e diferente do normal.

Já a babesiose é causada pelo protozoário babesia canis, que infecta e destrói os glóbulos vermelhos (diferente da Erliquiose, que é causada por uma bactéria que destrói os glóbulos brancos). No Brasil, a Babesiose é mais comum no Nordeste e menos comum no Sudeste e no Sul.

Tipos de carrapato
O carrapato do cão é encontrado no meio ambiente muito facilmente, em muros, telhados, batentes de portas, troncos e cascas de árvores, parte de baixo de folhas e plantas, residências etc. Esse parasita é muito sensível à claridade, por isso se “esconde” em ambientes com pouca luz.

Para ser infectado pela doença (tanto a babesiose quanto a erliquiose), o carrapato precisa ficar preso à pele por no mínimo 4 horas. Os animais não conseguem se livrar do parasita, dependendo de seus donos para isso.

Vale lembrar que os carrapatos não vivem sem um hospedeiro, pois precisam de seu sangue para sobreviver, sugando-o até ficar saciado. Depois de se alimentar, eles se soltam do hospedeiro até precisar de sangue novamente e partir em busca de outro animal, cujo sangue irá servir de alimento.

O carrapato é infectado quando se alimenta do sangue de um cão com babesiose. Uma vez ingeridas as babésias, elas se instalam e contaminam os ovos que serão postos pela carrapata. Depois de já terem contaminado os ovos, as larvas e as ninfas desses protozoários se fixam nas glândulas salivares do carrapato adulto e se multiplicam neste lugar. Quando este carrapato contaminado for sugar o sangue do próximo hospedeiro, irá infectá-lo.

A doença é transmitida de um cão contaminado para um cão sadio através do carrapato. O principal vetor é o carrapato marrom.

Dicas para prevenção




Verificar a presença de carrapato no cão com freqüência;

Desinfetar o ambiente onde o animal vive periodicamente;

Usar produtos veterinários carrapaticidas como sabonetes, xampus etc;

Manter a grama do jardim sempre curta;

Estar atento aos hotéis para cães, pois se há algum cão infectado, ele poderá transmitir a doença através de outro carrapato do local.

Aplicar uma pipeta anti-pulgas e anti-carrapatos no cão de 25 em 25 dias.

Como tirar um carrapato do meu cachorro?
Arrancar o carrapato não é recomendado. Pode acontecer de tirar só uma parte do corpo e o resto ficar ainda aderido ao cão, podendo provocar infecções. O ideal é aplicar umas gotas de vaselina ou parafina ao redor, esfregá-lo um momento até que amacie um pouco a pele e depois tentar retirá-lo suavemente. Depois, coloca-se o carrapato no álcool para que morra e não escapem os ovos. É importante lavar as mãos depois de manipulá-los.

Existem também as pinças de carrapatos, que servem para extrair o parasita por inteiro. Encontram-se à venda em lojas especializadas de produtos veterinários.

Cães apresentam grande diversidade de sintomas
Os sintomas apresentados por um animal infectado dependem da reação do organismo à infecção. A erliquiose pode ter três fases: a fase aguda, na qual o animal pode transmitir a doença e ainda é possível que se encontre carrapatos; a fase subclínica, que pode durar de 6 a 10 semanas, e a fase crônica.

Na primeira fase, os sintomas são febre, falta de apetite, perda de peso e tristeza. O cão também pode apresentar também sangramento nasal, urinário, vômitos, manchas avermelhadas na pele e dificuldades respiratórias.

Na segunda fase, o cachorro não mostra nenhum sintoma clínico, apenas alterações nos exames de sangue. Somente em alguns casos o cão pode apresentar sintomas como inchaço nas patas, perda de apetite, mucosas pálidas, sangramentos, cegueira, etc. Caso o sistema imune do animal não seja capaz de eliminar a bactéria, poderá ser desenvolvida a fase crônica.

Última fase
Nesta última fase, os sintomas são percebidos mais facilmente como perda de peso, abdômen sensível e dolorido, aumento do baço, do fígado e dos linfonodos, depressão, pequenas hemorragias, edemas nos membros e maior facilidade em adquirir outras infecções.

A doença começa a assumir características de uma doença auto-imune, comprometendo o sistema imunológico. Geralmente o animal apresenta os mesmos sinais da fase aguda, porém atenuados, e com a presença de infecções secundárias tais como pneumonias, diarréias, problemas de pele etc. O animal pode também apresentar sangramentos crônicos devido ao baixo número de plaquetas (células responsáveis pela coagulação do sangue), ou cansaço e apatia devidos à anemia.

Erliquiose
O diagnóstico é difícil no início da infecção, pois os sintomas são semelhantes a várias outras doenças, como a Cinomose, por exemplo. A presença do carrapato é relevante para a confirmação da suspeita durante a avaliação clínica. O diagnóstico pode ser feito através da visualização da bactéria em um esfregaço de sangue (exame que pode ser realizado na clínica veterinária) ou através de testes sorológicos mais sofisticados, realizados em laboratórios especializados. Quanto mais cedo for diagnosticada a doença, maiores são as chances de recuperação e cura.

Ciclo de vida do carrapato
Após a infecção, a presença de parasitas no sangue acontece dentro de um ou dois dias, perdurando por cerca de quatro dias. Os microorganismos então desaparecem do sangue por um período de 10 a 14 dias, ocorrendo então uma segunda infestação dos parasitas, dessa vez mais intensa.

Muitas infecções por babesia canis são inaparentes. Em alguns casos, os sintomas clínicos se tornam aparentes apenas após esforço (decorrente de exercício esgotante), cirurgias ou outras infecções.

Tipicamente os sintomas da babesiose são: febre, icterícia, fraqueza, depressão, falta de apetite, membranas mucosas pálidas e esplenomegalia (aumento do baço).

Também é possível encontrar no cão perturbações da coagulação e nervosas. Por isso é sempre bom estar atento ao comportamento do cão. Se de repente ele ficar prostrado, triste, apático, sem ânimo e com atitudes anormais para seu temperamento, investigue imediatamente o que pode estar ocorrendo.

Diagnóstico
O diagnóstico é confirmado pela identificação dos microorganismos de babesia nas hemácias em esfregaços sanguíneos corados. Contudo, nem sempre os microorganismos podem ser encontrados nos esfregaços sanguíneos e nestes casos podem ser realizados testes sorológicos para confirmação do diagnóstico.

Tratamento
O tratamento da babesiose abrange dois quesitos: o combate ao parasita e a correção dos problemas que foram causados por este parasita (como a anemia e a insuficiência renal, por exemplo).

Atualmente, os veterinários possuem à sua disposição piroplasmicidas (babesicida) capazes de destruir o parasita. O tratamento das complicações da doença, que é indispensável, consiste, por exemplo, na cura da insuficiência renal (por diferentes meios, entre os quais a hemodiálise, ou seja, o rim artificial), além de serem tratadas as demais complicações da doença.

Essas graves complicações, como a insuficiência renal e a anemia aguda, podem levar à morte . Por isso é tão importante diagnosticar a babesiose canina o mais rápido possível, assim as seqüelas hepáticas e renais são evitadas ao máximo.

Prevenção
A melhor maneira de prevenir a doença é evitando os temíveis carrapatos. É importante desparasitar freqüentemente o local onde o cão vive e o próprio cão também. Uma maneira simples e eficaz é manter a grama do jardim sempre curta, para evitar que carrapatos se escondam por baixo das folhas.

Outra forma eficaz é a aplicação da “vassoura de fogo” ou “lança chamas” nos muros, canis, estrados, batentes, chão etc., pois elimina todas as fases do carrapato: ovos, larvas, ninfas e adultos. Para desparasitar o cachorro, existem vários métodos: pós, sprays, banhos, coleiras anti-parasitas, medicamentos orais, etc.