Tranferência de Neymar para o Barcelona é um dos exemplos de negociações milionários de jogadores brasileiros para o exteriorA Confederação Brasileira de Futebol (CBF) bateu o martelo: a partir de maio deste ano a participação de empresários e grupos de investidores nos direitos econômicos dos jogadores de futebol está vetada. Entretanto, segundo alguns empresários de jogadores, a nova regra, que segue a mesma determinação da Fifa, não deve limitar a atuação dos investidores no mundo do futebol.
Em contrapartida, dirigentes de clubes como ABC e América admitem a dependência dos clubes em relação aos empresários, que a cada ano emplacam um número maior de jogadores em seus elencos.
O Departamento de Registro e Transferência da CBF divulgou a criação do Regulamento Nacional de Registro e Transferência, que segue as normas da Fifa proíbe que empresários e grupos de investidores sejam donos de parte dos direitos econômicos de jogadores. O documento afirma que nenhum clube ou jogador poderá celebrar um contrato com um terceiro, por meio do qual este consiga obter, de forma parcial ou integral, lucro em uma futura negociação do atleta.
Porém, mesmo limitando a negociação do futuro dos jogadores apenas aos clubes interessados, o cenário das transferências não deve sofrer mudanças bruscas. Pelo menos é isso o que pensam os profissionais diretamente envolvidos.
Procurados pela reportagem do Novo Jornal, Gilberto de Nadai e Lupércio Segundo, empresários do ramo esportivo, foram taxativos ao dizer que a nova regra não deve mudar muito a forma como os empresários atuam hoje em dia. Segundo eles, haverá apenas uma adaptação ao novo panorama.
“Na prática essa nova regra não vai mudar muita coisa. Quem faz investimentos sérios irá continuar fazendo, de outra forma talvez. Eu acho que essa determinação visa excluir pessoas que estão no mercado sem conhecimento nenhum, que tentam participar das negociações visando única e exclusivamente o lucro”, disse Lupércio Segundo.
Gilberto de Nadai, procurador de atletas, como o atacante Wallyson, também não imagina que uma mudança muito drástica ocorrerá, e aponta para uma adaptação dos investidores a nova realidade.
Entre as soluções para driblar a nova regra, a criação de mais clubes empresas foi citada por ambos e se mostrar como forma mais viável atualmente. Com o clube em poder dos empresários, o lucro oriundo da negociação de jogadores irá direto para os investidores, devolvendo o investimento feito por eles na formação do atleta.
“O que vai mudar é a origem e o destino do dinheiro envolvido, pois os empresários irão investir mais em seus próprios clubes”, afirma Gilberto.
Lupércio Segundo segue a mesma linha, e cita que os clubes empresas já são uma realidade. Diz também que a criação de mais desses clubes será um caminho natural a partir de agora.
Atualmente, ele, por exemplo, investe no Santa Cruz de Natal, através da Brazil Sports, sua empresa. A organização fez uma espécie de arrendamento do departamento de futebol do clube potiguar, investindo em estrutura e em atletas. “Em troca, em decorrência do contrato de arrendamento, a empresa recebe uma compensação financeira após alguma negociação, até pelo investimento feito”, explica.
Além disso, Lupércio afirma que, mesmo com a nova proibição, não existe uma forma de limitar a atuação dos empresários em outros aspectos, se de fato for da vontade do atleta que isso aconteça.
“Os empresários normalmente ganham comissão após a formalização de novos contratos , e em certos casos os próprios atletas pagam um percentual de suas remunerações diretamente aos empresários”, argumenta.
A CBF bateu o martelo: a partir de maio deste ano a participação de empresários e grupos de investidores nos direitos econômicos dos jogadores de futebol está vetada. Você é a favor desta medida pra evitar a constante transferência de craques no futebol brasileiro para o exterior?
“Hoje um clube de Futebol tem que fazer mágica para conseguir pagar salários exorbitantes para seus atletas. Há muitas diferenças entre receitas e despesas. Se não mudarem essa lei, logo menos teremos somente clubes falidos”.
Valter Sebastião Júnior, administrador, 35 anos
“Qualquer mudança é válida desde que seja aplicada de forma correta. O problema dos clubes são os diretores e presidentes incompetentes e corruptos, que usam os clubes para outros fins. A verdadeira maneira de alavancar o nosso futebol é começando pela CBF, limpando toda sua sujeira. É necessário, para o sucesso de qualquer instituição, gente competente, séria e honesta. Não adianta mudar leis, se não mudam os dirigentes”.
Ewerton Barbosa Perez Quereza, engenheiro agrônomo, 37 anos
“Essa mudança ajuda, mas não é a solução para reerguer os clubes brasileiros. O principal é o planejamento sobre as negociações feitas no clube para não se endividaram. Outra solução são os investimentos nas categorias de base, pois são elas o futuro do futebol. O Santos F.C. revelou jogadores excelentes fazendo esses investimentos; penso que todos deveriam dar mais atenção para as suas bases”.
Ronaldo Lino Júnior, estudante, 20 anos
“Concordo, pois desta maneira os clubes sairiam desse sufoco que estão. Nada mais justo que os clubes serem donos dos passes dos jogadores”.
Danilo Abel, operador de máquinas, 31 anos
“Acredito que resolveria, pois está ficando muito difícil para os Clubes, pois os jogadores estão nas mãos dos empresários e os clubes ficam somente com a conta”.
Alexandre Alves Pereira Teodoro, autônomo,28 anos
“O passe do jogador deve ser do time que o revelou, pois os clubes investem e precisam colher os lucros ou, no mínimo, o preço de custo deles. O jogador de futebol, diferente de muitas profissões autônomas, é fruto de investimentos do time, motivo pelo qual há necessidade de colher frutos desses investimentos”.
Vinícius Carvalho Nogueira,estudante, 19 anos