CIDADE

Agente comunitário de saúde procura criadouro do mosquito da dengue
09/02/2015

DIA D DE COMBATE À DENGUE E À CHIKUNGUNYA É NESTE SÁBADO


Em Ituverava, Secretaria da Saúde e Vigilância Sanitária promovem ação na Praça Dez de Março

Depois de assumir a Prefeitura em meio a uma epidemia de dengue no município, o prefeito Walter Gama Terra Júnior e a Secretaria da Saúde desenvolveram um excelente trabalho no combate à doença, e conseguiram diminuir e quase zerar o número de casos no município.

Na época da posse, o número de portadores da doença ultrapassava mil, hoje se encontra praticamente bem próximo de zero. Em 2014, por exemplo, foram 91 notificações da doença, sendo ape- nas 11 casos positivos e 80 negativos.

Neste ano, até o momento, foram registradas oito notificações, sendo dois casos positivos e dois negativos. Outras quatro notificações aguardam resultado. Porém, mesmo com a dengue controlada na cidade - que colocam Ituverava em uma situação bem diferente da maioria dos municípios paulistas - é fundamental que a população continue tomando medias para combater a doença.

Com esse objetivo, o município se integrará, neste sábado, 7 de fevereiro, ao Dia D de Combate à Dengue e à Chikungunya, realizado em todo o país. Apesar da queda de 59% nos casos de dengue e 40% nas mortes provocadas pela doença no Brasil no ano passado, o Ministério da Saúde pede à população reforçar as medidas de prevenção.

Ações e combate
Em Ituverava, a ação de combate à Dengue e Chikungunya será realizada na Praça Dez de Março, das 8h às 13h, onde serão realizadas orientações sobre os sintomas e prevenção às doenças, além da distribuição de panfletos explicativos. O evento será realizado pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde e da Vigilância Sanitária.

O prefeito Walter Gama Terra Júnior fala sobre a dengue no município. “Em 2014 intensificamos a campanha contra a dengue em Ituverava e tivemos excelentes resultados. Esse ano, continuaremos com o trabalho, pois nosso objetivo é diminuir ainda mais os casos da doença na cidade. Para tanto contamos com a colaboração da população, que é fundamental”, observa Gama Terra.

Os sintomas da Chikungunya aparecem entre dois a dez dias
Febre Chikungunya é uma doença parecida com a dengue, causada pelo vírus CHIKV, da família Togaviridae. Seu modo de transmissão é pela picada do mosquito Aedes aegypti infectado e, menos comumente, pelo mosquito Aedes albopictus. Ela se caracteriza pelo súbito aparecimento de febre, geralmente acompanhada de dores articulares. Também pode haver dores musculares e de cabeça, náuseas, cansaço e aparecem erupções cutâneas.

A febre chikugunya não é transmitida de pessoa para pessoa. O contágio se dá pelo mosquito que, após um período de sete dias contados depois de picar alguém contaminado, pode transportar o vírus CHIKV durante toda a sua vida, transmitindo a doença para uma população que não possui anticorpos contra ele. Por isso, o objetivo é estar atento para bloquear a transmissão tão logo apareçam os primeiros casos.

Os sintomas são semelhantes aos da dengue: febre, mal-estar, dores pelo corpo, dor de cabeça, apatia e cansaço. Porém, a grande diferença da febre Chikungunya está no seu acometimento das articulações, pois o vírus avança nas juntas dos pacientes e causa inflamações com fortes dores acompanhadas de inchaço, vermelhidão e calor local.

O nome chikungunya deriva de uma palavra em makonde (povo que habita a África oriental) que significa “aqueles que se dobram”, descrevendo a aparência encurvada de pacientes que sofrem de artralgia - dor nas articulações – intensa.

Ciclo
O ciclo de transmissão ocorre do seguinte modo: a fêmea do mosquito deposita seus ovos em recipientes com água. Ao saírem dos ovos, as larvas vivem na água por cerca de uma semana. Após este período, transformam-se em mosquitos adultos, prontos para picar as pessoas.

O Aedes aegypti procria em velocidade prodigiosa e o mosquito adulto vive em média 45 dias. Uma vez que o indivíduo é picado, demora no geral de dois a doze dias para a febre chikungunya se manifestar, sendo mais comum cinco a seis dias.

A transmissão da dengue raramente ocorre em temperaturas abaixo de 16° C, sendo que a mais propícia gira em torno de 30° a 32° C - por isso ele se desenvolve em áreas tropicais e subtropicais. A fêmea coloca os ovos em condições adequadas (lugar quente e úmido) e em 48 horas o embrião se desenvolve.

É importante lembrar que os ovos que carregam o embrião do mosquito transmissor da febre chikungunya podem suportar até um ano a seca e serem transportados por longas distâncias, grudados nas bordas dos recipientes e esperando um ambiente úmido para se desenvolverem.

Essa é uma das razões para a difícil erradicação do mosquito. Para passar da fase do ovo até a fase adulta, o inseto demora dez dias, em média. Os mosquitos acasalam no primeiro ou no segundo dia após se tornarem adultos. Depois, as fêmeas passam a se alimentar de sangue, que possui as proteínas necessárias para o desenvolvimento dos ovos.

Para o secretário municipal de Saúde, Wagner Benedeti, é importante a população entender que a preocupação deve ser redobrada. “A Chikungunya já tem feito vítimas em nosso Estado e seus sintomas incluem severas dores nas articulações", alerta.

Vacina da dengue pode chegar ao Brasil até o final deste ano
A cada minuto, uma pessoa no mundo é hospitalizada com sintomas da dengue. Já em um quarto de hora, é bem possível que um jovem morra em decorrência da doença pelo planeta. Esses dados assustadores são da Federação Internacional da Cruz Vermelha e dão uma idéia da gravidade do problema, que ameaça 40% da população global e é uma das maiores causas de morte nas regiões tropicais e subtropicais.

A boa notícia é que falta pouco para esse cenário começar a mudar - inclusive no Brasil. A primeira vacina contra a dengue, desenvolvida pelo laboratório francês Sanofi Pasteur, está muito perto de ser aprovada pelas agências regulatórias de vários países. Depois do êxito em grandes estudos, a expectativa é que o produto esteja disponível para a população brasileira no final de 2015.

Os últimos resultados positivos do imunizante foram recentemente divulgados no periódico "The New English Journal of Medicine" e contemplam os achados de uma pesquisa realizada no Brasil e em outros países latino-americanos.

Ela faz parte da fase final de estudos clínicos para validar o imunizante - que engloba análises de segurança e eficácia de três doses da fórmula em mais de 30 mil crianças e adolescentes da Ásia e da América Latina que moram em áreas endêmicas. Nas investigações com a faixa etária de 2 a 16 anos, a proteção contra casos sintomáticos chegou a 60,8%. Isso significa dizer que, para cada dez pessoas expostas à dengue, seis estariam imunes ao desenvolvimento da doença.

Sabia mais sobre a vacina contra a Dengue
Casos mais graves

Em relação aos casos mais graves (a chamada dengue hemorrágica), a proteção chegou a 95,5%. Além disso, houve uma redução de mais de 80% nas hospitalizações durante o estudo. "Essa vacina terá um impacto muito positivo na saúde pública, já que praticamente acabaria com as mortes por causa da dengue. Isso diminuiria, inclusive, os custos ao governo e aos planos de saúde em relação às internações", diz Sheila Homsani, gerente do departamento médico da Sanofi Pasteur.

Será um reforço para erradicar (ou minimizar) o que muitos brasileiros presenciaram no ano passado: hospitais lotados, fila de espera, falta de leito e atendimento adequado para os infectados.

Eficácia comprovada
Foram mais de vinte anos de pesquisa até se chegar ao resultado esperado. A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), Isabella Ballalai, explica que toda vacina demora, no mínimo, dez anos para ficar pronta. "Além de muito tempo de pesquisa, há uma obrigatoriedade para segurança que exige um mínimo de 20 mil pessoas envolvidas nos testes para que se comprove a eficácia", esclarece.

Em relação à vacina da dengue, houve um agravante: era preciso achar um imunizador tetravalente, ou seja, que protegesse contra os quatro principais sorotipos do vírus.

Depois de testadas em pessoas de 2 a 60 anos em todo o mundo, os últimos estudos foram direcionados para as faixas etárias mais suscetíveis às complicações da doença.

Será o fim da dengue?

A vacina se apresenta como uma luz no fim do túnel em um país como o Brasil. Os últimos dados do Ministério da Saúde revelam que quase dois milhões de pessoas tiveram dengue sintomática no período de janeiro de 2013 a outubro de 2014. Os óbitos passaram de mil.

Por isso, além da empresa francesa, muitos pesquisadores brasileiros estão em busca de alternativas de prevenir a epidemia e devem chegar com resultados positivos nos próximos anos. O Instituto Butantan fez parceria com o National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos e está testando outro modelo de vacina. A Universidade Federal de Minas (UFMG) também desenvolve um medicamento com financiamento público. Já a Universidade de São Paulo (USP) começou os testes com um pequeno grupo de voluntários em 2014.

Os próximos passos
A Sanofi já conta com uma fábrica recém-inaugurada na região francesa de Neuville-sur-Saône dedicada somente à produção do seu imunizante. O processo de submissão do dossiê para aprovação da vacina pelas agências regulatórias acontece nesse primeiro trimestre.

No Brasil, o registro e aprovação da imunização cabem à Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária), bem como as indicações de bula e o grupo que deve ser vacinado inicialmente. Por causa de todas essas definições em aberto, a empresa ainda não consegue dizer se a vacina será distribuída somente no sistema privado ou público e qual o preço das doses. "A gente está na torcida pela rápida aprovação", conta Sheila. Vale lembrar que a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem como meta a redução da morbidade (pessoas portadoras da doença) da dengue em pelo menos 25% e da mortalidade em 50% até 2020, o que deve acelerar a aprovação da vacina.

Enquanto ela não vem, cada um pode continuar fazendo a sua parte. "Eliminar o mosquito é uma tarefa árdua e merece toda a atenção do Ministério da Saúde e do governo, mas é importante reforçar que cada cidadão tem um papel nisso", alerta a especialista da SBIM.

Por isso, mesmo com a chegada iminente da vacina, continuam valendo as medidas básicas para eliminar os criadouros do vetor da doença, como cobrir ou furar pneus, usar areia grossa em pratos e vasos de flores, não deixar lixo em vasilhames que possam acumular água, virar garrafas vazias de boca para baixo e tampar caixas d’água.