País inicia 2015 com uma das maiores crises de água da históriaCada vez mais presente na vida das pessoas e diante de uma crise hídrica que se arrasta pelo mundo, aplicativos e aparelhos prometem solucionar de forma simples e eficaz a redução do consumo de água, especialmente durante o banho.
Alguns optam pela rigidez, como estipular tempo de ensaboamento, e outros pelo bom humor, com uma espécie de terrorismo musical, contra quem enrola no chuveiro.
Veja a seguir soluções para evitar o raciona- mento.
tecnologia para evitar o desperdício
FAKE SHOWER
Plataforma: iOS
Onde encontrar:
akatu.org.br
Valor: Gratuito
Tem gente que abre a torneira ou o chuveiro só para aumentar a privacidade do banheiro. O Fake Shower dá uma ajuda aos envergonhados sem que precisem gastar água. Ele emula os sons emitidos pelo chuveiro e pela torneira - dá até para regular a intensidade. O app também indica quantos litros foram economizados com o banho falso
DA SUA CONTA
Plataforma: iOS
Onde encontrar:
daescs.sp.gov.br
Valor: Gratuito
O Departamento de Água e Esgoto de São Caetano do Sul criou um app que ajuda a entender como anda o consumo da sua casa, condomínio ou comércio. Para isso, o usuário indica a quantidade de pessoas do local e os números que aparecem no hidrômetro. Um gráfico mostra os dados daquilo que é e do que poderia ter sido consumido
SAI DESSE BANHO
Plataforma: iOS
Onde encontrar:
bit.ly/saidobanho
Valor: Gratuito
O festival de música SWU deixou um apli-cativo que incentiva a redução do tempo no banho. Ele propõe reduzir um banho de 5 minutos para 4, de 10 para 8 e de 15 para 12. Se você ultrapassa a marca selecionada, uma música insuportável começa a tocar e só para se você desativá-la no telefone
VISOR TÉRMICO
O Flir One é uma capa que pode ser acoplada ao iPhone para fazer imagens térmicas, identificando a variação de calor no ambiente. É possível encontrar vazamentos no encanamento e acompanhá-los em tempo real para verificar sua gravidade. Disponível para iPhone 5 e 5s
Onde encontrar: mazon.com
Valor: US$ 250
SEMÁFORO DE DUCHA
O WaterPebble é um sensorzinho para ser posicionado perto do ralo do box. Assim, ele aprende seus hábitos de banho e, aos poucos, vai reduzindo o seu tempo debaixo do chuveiro. Com três LEDs (vermelho, amarelo e verde), indica quando o banho está acabando e quando já é hora de sair
Onde encontrar:
amazon.com
Valor: US$ 12
SENSÍVEL AO TOQUE
Para quem tiver mais dinheiro para investir, a empresa Docol vai lançar em março uma versão do equipamento DocolTech, tablet que pode ser integrado ao chuveiro em que é possível programar a vazão da água
Onde encontrar: lojas de material de construção (em março)
Valor: A partir de R$ 9.000
BANHO RÁPIDO
Plataforma: Android e iOS
Onde encontrar:
banhorapido.com
Valor: Gratuito
É uma espécie de cronômetro para um banho rápido e divide a atividade em etapas. A pessoa tem, por exemplo, 30 segundos para ligar e regular a água e 70 segundos para se ensaboar e usar o xampu. O início e o final de cada etapa são anunciados por uma voz feminina. É possível configurar o banho antes de começar (cabelo comprido ou não, por exemplo)
TEMPORIZADOR
DE CHUVEIRO
Muita gente odeia banho frio e esse aparelhinho apela para isso. Ele corta a água quente - o usuário indica o tempo do banho (de 6 a 15 minutos). Depois que o tempo é atingido, o chuveiro permanece desligado por até 10 minutos
Onde encontrar: bit.ly/1CTocb4
Valor: R$ 150
Crise hídrica afeta o Brasil e o mundo
A água é o recurso natural mais abundante no mundo. Como já sabemos, todos os organismos contém água em sua composição, elemento que se apresenta como constituinte químico mais abundante na célula, participando efetivamente dos principais processos vitais.
Nos dias atuais, uma das questões mais preocupantes no mundo é a quantidade de água disponível nos reservatórios, fator preocupante tanto para a vida humana, quanto para a economia, pois ela é vital para o dia-a-dia dos 7 bilhões de pessoas que habitam o planeta.
O Brasil inicia 2015 com uma das maiores crises hídricas da história. A questão da disponibilidade da água no país tomou as manchetes, principalmente quando se refere ao estado mais populoso do Brasil, São Paulo, onde os níveis de seca e redução da oferta de água atingiram níveis preocupantes.
Um dos fatores que ilustram este cenário de crise no Estado de São Paulo, é a acentuada diminuição nos níveis de água do Sistema Cantareira – reservatório administrado pela Sabesp, responsável pelo abastecimento de água da capital e região metropolitana de São Paulo.
De acordo com especialistas, este fato poderia ter sido evitado, caso dados meteorológicos dos últimos anos houvessem sido analisados rigorosamente. Segundo os dados, o Cantareira tem recebido justamente no verão, menos chuva do que esperado. Em 2014, por exemplo, choveu 87,12% do esperado para o ano todo na capital e apenas 61,58% no Cantareira.
Mas não se pode atribuir a escassez de água apenas aos humores de São Pedro, outros fatores externos têm contribuído para crise hídrica, como: Desmatamento, em especial na região Amazônica e Ocupação desenfreada de mananciais.
De acordo com estudos realizados pelo SOS Mata Atlântica, a cobertura florestal nativa na bacia hidrográfica e nos mananciais que compõem o Cantareira é ainda pior que o que se imagina, devido a ocupação indevida nestas áreas.
Ausência de planejamento na construção do Sistema Cantareira em 1967, que já previa a necessidade de ampliação de sua estrutura entre os anos 2015 e 2020.
Transparência
No ápice da crise, já não há como fugir do temido racionamento de água. O governo estadual que até pouco tempo descartava esta hipótese, só admitiu a crise eminente no país, no início de 2015.
A falta de transparência sobre o assunto trouxe conseqüências drásticas ao consumidor, medidas de contenção, que vão além do racionamento de água, como aplicação de multas para casos de desperdício, uma vez que medidas contra a crise deveriam ter sido tomadas enquanto havia maior volume de água disponível.
Desperdício
Quanto se usa e quanto se perde de água na região mais populosa do Brasil? De acordo com dados da Sabesp, a região metropolitana de São Paulo tem perda de 20 a 25% de água na transmissão e tubulação.
Com as chuvas registradas no último mês, o nível do Sistema Cantareira subiu 0,5 ponto percentual atingindo 8,3%, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo. Os níveis dos outros cinco sistemas que abastecem a Grande São Paulo também apresentaram melhora significativa.
Embora os sistemas estejam em elevação nos últimos dias, o percentual de chuva ainda não é o suficiente para normalizar o nível do reservatório. A situação do principal sistema de abastecimento da região paulista ainda é crítica, e requer cuidados. Atualmente o sistema recorre à cota do chamado segundo volume morto - reserva inativa do manancial, utilizada somente em situações de emergência.
Acesso a água de qualidade e quantidade suficiente para uso é um direito humano. Contudo, em tempos de crise é necessário coibir toda e qualquer forma de uso inadequado da água e estabelecer a cota de cada um. Medidas estratégicas já vêm sido exploradas pelo governo estadual, como o racionamento, no combate ao desperdício. Mas não basta contar apenas com a ajuda da chuva, é preciso investir em medidas simples, mas que trazem resultados eficazes no nosso cotidiano.
Vilão
Um grande vilão no Brasil, os chuveiros chegam a liberar 120 litros de água por minuto. Neste caso a solução pode ir além de diminuir o tempo no banho, mas também com a instalação de reguladores que controlem a vazão.
Outra medida é identificar e eliminar vazamentos. Descargas estragadas, torneiras pingando e bóias de caixa d’água representam grandes fontes de desperdício. Também neste caso, a solução é a instalação de reguladores de vasão e torneiras com temporizador.
Para as atividades domésticas, o ideal é adotar o uso da vassoura e não o da mangueira na hora da limpeza da calçada, pois em 15 minutos com a mangueira ligada, são perdidos 279 litros de água.
Ituverava
Após um período de escassez, os índices de vazão e nível do Rio Carmo – responsável pelo abastecimento da cidade -, voltaram a subir e atingiram a normalidade. Em 2014, o nível do Rio do Carmo, chegou a menos de 10%, o que colocou a população em estado de alerta.
Mas mesmo com a elevação no nível do Rio Carmo, o superintendente do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) Ivan Deienno alerta, “ainda é necessário evitar ao máximo o desperdício, pois caso contrário, Ituverava como tantas outras cidades, poderá sofrer com a falta de água”, destaca.
Para isso foram regulamentadas leis rígidas que multam os moradores flagrados desperdiçando água. De acordo com a lei, as pessoas que forem flagradas em situação de desperdício, serão advertidas por escrito, no ato da primeira infração. Na segunda será aplicada multa equivalente ao triplo do valor da última conta de consumo de água e esgoto.