Detalhe de uma janela da Escola Municipal Alencastro Guimarães, em Copacabana: ar-condicionado já instalado, mas, funcionando, só o ventilador - Gabriel de Paiva / Agência O GloboRIO — Um calor insuportável, que impossibilita a concentração. Assim o professor de matemática Amâncio Cézar define a situação nas salas de aula da Escola municipal Alencastro Guimarães, que fica na Praça Cardeal Arcoverde, em Copacabana. A unidade recebeu aparelhos de ar-condicionado modernos e potentes, mas que não podem ser ligados, porque o prédio precisa receber reforço de carga por parte da Light. Em situação semelhante, estão outras 533 escolas da rede (36% do total). Segundo a Secretaria municipal de Educação, foram investidos mais de R$ 100 milhões no plano de climatização da rede, uma das principais reivindicações de professores e alunos.
— Na quinta-feira da semana passada, cheguei a passar mal durante a aula. A sala cheia de alunos fica ainda mais abafada. Quando os aparelhos chegaram, pensamos que, enfim, teríamos mais conforto. Os alunos reclamam, mas a direção não pode fazer nada. O prédio é antigo e, por isso, precisa passar por obras. Acho que deveriam ter preparado a estrutura primeiro, para depois instalar os aparelhos — disse o professor.
Para os alunos, os aparelhos instalados, mas sem funcionar, revelam-se uma frustração. Quando entraram de férias, eles ficaram sabendo que a escola teria ar-condicionado e, quando voltaram às aulas, se depararam com o mesmo clima de antes. Uma estudante do 6º ano do Ensino Fundamental da Alencastro Guimarães também reclama do calor:
— Acreditávamos que o ar-condicionado estaria funcionando quando voltássemos das férias, mas continuamos numa sala muito quente e com um ventilador que não dá conta de refrescar.
A situação é semelhante na Escola municipal São Tomás de Aquino, que fica na Praça Júlio de Noronha, no Leme. A maioria dos aparelhos de ar-condicionado já foi instalada, mas ainda não funciona.
A diretora-adjunta da escola, Cenira Carvalho, disse que já foram realizadas as obras da fiação interna, mas ela ainda aguarda que a Light conclua o aumento de carga:
— Temos ventiladores nas salas, mas o calor tem sido muito forte. Quando a sala fica muito quente, os professores deixam os alunos descerem para o pátio para pegar ar fresco. Temos também incentivado aulas externas para amenizar a situação. Agora, a situação está bem melhor. O pior foi nos primeiros dias do mês, quando as temperaturas estavam mais altas.
A Secretaria municipal de Educação, por meio de nota, informou que do total de 1.457 escolas da rede, 816 unidades (56%) já contam com salas totalmente climatizadas. Desde 2014, 428 escolas já foram climatizadas. Ainda segundo a nota, o processo vem sendo implementado de forma descentralizada, com cada unidade definindo seu próprio cronograma com base nas suas necessidades, como aumento de carga da rede elétrica, redistribuição de circuitos e instalação de aparelhos.
A Light informou que as escolas municipais São Tomás de Aquino, no Leme, e Alencastro Guimarães, em Copacabana, estão cientes das pendências que possuem, o que impossibilita à companhia conceder o aumento de carga, até que os ajustes já sinalizados sejam feitos pelas escolas.
LIGHT DIZ QUE INFORMA PENDÊNCIAS ÀS ESCOLAS
A Light informou ainda que mantém contato com todas as escolas municipais do Rio que solicitaram à concessionária aumento de carga, e informa a cada uma delas os procedimentos necessários à solicitação e também as pendências para que o serviço seja finalizado de maneira correta. Segundo a empresa, esse é um procedimento normal, feito com rigor, por questões de segurança.
Após formalizar pedido à empresa, com apresentação de toda a documentação necessária para realização dos estudos, a companhia de energia só pode conceder o aumento de carga quando forem concluídas as obras para adequação da rede e instalação, por parte das escolas, do padrão destinado a receber a nova medição.
ESTADO TEM 90% DAS ESCOLAS CLIMATIZADAS
Na rede estadual, o projeto de climatização foi iniciado em 2009. Atualmente, há 979 escolas das 1.088 que funcionam em prédios próprios com aparelhos de ar-condicionado. O número corresponde a 90% das unidades da rede. Os colégios que ainda não foram climatizados ficam em imóveis alugados, compartilhados ou históricos, nos quais o governo não pode fazer obras.
O estado também está expandindo a climatização para as unidades da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec). Segundo o órgão, 80% dos colégios da rede passam a contar com ar-condicionado este ano. A Escola Técnica República, com 106 anos de história, em Quintino, teve de passar por um estudo técnico para receber mais de 170 aparelhos.
Fonte: oglobo.globo.com