Em novembro do ano passado completou um ano desde que ocorreram as primeiras prisões decorrentes do julgamento do mensalão, escândalo de corrupção que veio à tona durante o governo do ex-presidente Lula. No entanto, embora muitos tenham acreditado que as prisões foram um importante passo para o combate a corrupção no Brasil, sete dos 20 condenados a cumprir pena na cadeia já estão no regime aberto, pelo qual o preso pode ficar em casa.
Outros cinco estão no semi-aberto, regime pelo qual trabalham durante o dia e voltam à noite para a prisão. Desses, quatro já pediram progressão de pena para o aberto e aguardam a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em regime fechado, estão sete dos condenados no esquema. São os presos que receberam as penas mais elevadas, porém, nem um deles é político. É o caso do publicitário Marcos Valério; seus ex-sócios Cristiano Paz e Ramon Hollebach; a ex-funcionária Simone Vasconcelos; a ex-presidente do Banco Rural, Kátia Rabello, e os ex-dirigentes do Banco Rural, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane. Fica a dúvida, é uma questão relevante ou coincidência?
O julgamento do mensalão começou em agosto de 2012 e terminou em março de 2014, com a análise pelos ministros do STF, dos últimos recursos dos réus.Petrobras
Com investigação sobre corrupção, renúncia de diretores, processos, sobe e desce de ações, queda do preço do petróleo no mercado internacional, a Petrobras está desmoralizada e passa por uma fase turbulenta, que lembra o escândalo do mensalão. A investigação está sendo feita, mas a sensação de que os envolvidos não serão devidamente punidos é comum em boa parte dos brasileiros.
A operação Lava Jato, conduzida pela Polícia Federal (PF), teve início em março do ano passado, para apurar suposto esquema de corrupção na Petrobras, relativo a desvio e lavagem de dinheiro envolvendo diretores da estatal, grandes empreiteiras e políticos.
A operação recebeu este nome porque um dos grupos envolvidos no esquema fazia uso de uma rede de lavanderias e postos de combustíveis para movimentar o dinheiro ilícito.
Segundo a PF, a Petrobras contratava empreiteiras por licitações fraudadas. As empreiteiras combinariam entre si qual delas seria a vencedora da licitação e superfaturavam o valor da obra. Parte desse dinheiro "a mais" era desviado para pagar propinas a diretores da estatal, que, em troca, aprovariam os contratos superfaturados. O desvio é estimado em mais de R$ 10 bilhões pela PF.
O repasse era passado pelas empreiteiras ao doleiro Alberto Youssef, que distribuiria o suborno. De acordo com a investigação, políticos dos partidos PMDB, PP e PT também se beneficiariam do esquema, recebendo de 1% a 3% do valor dos contratos. Os políticos negam o envolvimento. Diretores da Petrobras e empreiteiros foram presos.
O balanço do terceiro trimestre de 2014 da Petrobras, que deveria ser divulgado em novembro, foi adiado duas vezes devido às investigações. No dia 28 de janeiro, a empresa divulgou os resultados, mas sem revisão e aprovação dos auditores independentes. O balanço também não incluiu nenhuma perda relacionada ao rombo da corrupção, decepcionando o mercado.
Enquete
Para saber os ituveravenses acreditam que os envolvidos serão devidamente punidos, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana. A maioria dos entrevistados acredita que não.