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Para cada medicamento existe uma dosagem e modo de utilização diferente, não vai depender só da raça, depende também da idade e espécie de cada animal
16/05/2015

SÃO GRANDES OS RISCOS DE AUTOMEDICAÇÃO EM CÃES E GATOS


O uso de remédios próprios para animais também gera complicações quando não há o acompanhamento de um veterinário

A automedicação é uma é uma atitude perigoso para as pessoas, o perigo pode ser ainda maior é para animais domésticos. Ter um animal de estimação não é uma tarefa simples, principalmente naqueles momentos em estão passando mal. São nessas situações muitas pessoas tomam uma decisão precipitada: ao invés de recorrerem a um médico veterinário, optam pela automedicação.

Essa prática é condenada pelos médicos dos humanos e também por veterinários. Dependendo do medicamento ministrado ou da dosagem, pode haver riscos de intoxicações, alergias, gastrites medicamentosas, úlceras hemorrágicas e até mesmo levar a morte o animal. Por isso, é preciso ter muito cuidado com a automedicação, e pior ainda, mas não muito raro, com a utilização de remédios de uso exclusivo humano em animais.

De acordo com a médica veterinária do Hospital Veterinário HV Pró Vita, Rhéa Cassuli Lima dos Santos, os antigripais humanos contém princípios ativos altamente nocivos e até mesmo tóxicos para cães e gatos. “O paracetamol e o diclofenaco, por exemplo, podem levar à falência renal, ulcera gástrica e pancreatite. Muitas vezes, dependendo da dose, podem levar o animalzinho à morte. O diclofenaco é tão nocivo para aos animais que até mesmo o contato com pomadas e gel que contém a substância pode levar a problemas muito sérios", afirma.

A ingestão de medicamentos sem orientação médica dificulta o diagnóstico final da doença, mascara os sintomas, pode levar a um agravamento do quadro e induzir escolhas inadequadas de tratamento, além de ser a principal causa de intoxicações no país, à frente de produtos de limpeza, agrotóxicos e alimentos estragados. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 18% das mortes por envenenamento deve-se à automedicação e 23% dos casos de intoxicação infantil, à ingestão acidental de medicamentos.

Dosagem
Para cada medicamento existe uma dosagem e modo de utilização diferente, não depende só da raça, mas também da idade e espécie de cada animal. Existem alguns medicamentos que podemos utilizar em cães e não em gatos e vice-versa e, outros, ainda, para animais silvestres. Ainda existem aqueles princípios ativos que podemos utilizar só oralmente, outros só tópicos, outros só injetáveis.

Segundo a veterinária, a falta de conhecimento dos tutores pode intoxicar o animal ainda mais. “Muitas vezes após a intoxicação ocorre vômito, e por medo de ter “perdido” a medicação, ou por achar que o animalzinho está piorando, o tutor acaba dando uma nova dose da medicação, o que agrava o quadro ainda mais”.

Medicação apenas

sobre prescrição

Mas engana-se quem pensa que apenas o uso indevido de medicamentos humanos para o uso animal é nocivo à saúde dos pets. O uso de remédios próprios para animais também gera complicações quando não há um veterinário acompanhando todo o processo, para tanto antes de fazer o uso de qualquer medicamento para o seu animal, não deixe de fazer uma consulta com o médico veterinário, pois só ele poderá lhe responder qual o melhor medicamento e a dosagem para os diferentes tipos de doenças.

"Além da dose e freqüência serem nocivas se erradas, as medicações têm contraindicações em certos casos. Por exemplo, pacientes com problemas gastrointestinais e doença renal não devem receber certos anti-inflamatórios mesmo que de indicação veterinária. Nem todo medicamento para cães pode ser usado para gatos" conta Dra. Rhéa.

Gatos são mais sensíveis e apresentam grande intolerância a medicamentos que são usados sem maiores problemas em cães e humanos. Alguns medicamentos podem ser fatais, alguns princípios ativos têm seu uso proibido em cães e gatos tais como:

- Princípios ativos proibidos para gatos: ácido acetilsalicílico, paracetamol, diclofenaco sódico, ibuprofeno, peróxido de benzoíla, entre outros.

- Princípios ativos proibidos para cães: diclofenaco de potássio, diclofenaco de sódio, Piridium®, entre outros.

Chá ou remédio caseiro
A veterinária ainda fez um alerta sobre o uso de chás e remédios caseiros, que podem agravar ainda mais a situação do pets. "Na piora, o responsável procura o médico veterinário, mas muitas vezes não conta sobre o que ministrou, pois acredita que por ser caseiro não precisa ser mencionado", observa Dra. Rhéa, explicando que essas informações, quando omitidas, podem dificultar o trabalho do veterinário.

Atualmente existem vários produtos no mercado veterinário para as mais diversas finalidades, sendo os mais indicados, uma vez que foram elaborados especificamente para cães ou gatos. É importante que os proprietários se conscientizem dos perigos que a automedicação traz tanto para seus animais de estimação quanto para si mesmos.

A melhor solução ainda é consultar um médico veterinário sempre que houver qualquer alteração em seu animal doméstico antes de medicá-lo com qualquer tipo de remédio.

Medicamentos contra indicados PARA CÃES E GATOS


A utilização de anticoncepcionais (contraceptivos orais e injetáveis) está diretamente relacionada à ocorrência de neoplasias mamárias malignas (tumores) e doenças reprodutivas que requerem tratamento cirúrgico.

Creolina®, utilizada como desinfetante de ambientes pode ser tóxica para os animais. Seu uso indevido pode levar a lesões gravíssimas nos rins e fígado, queimaduras extensas, lesão nos pulmões, muito vômito, diarreia com sangue e até mesmo convulsão. Também pode intoxicar quem manuseia o produto.

Mata-bicheiras (spray roxo, spray prata): estes produtos possuem normalmente organofosforados em sua fórmula, que provocam intoxicações gravíssimas em cães e gatos. Os sintomas podem ocorrer mesmo sem a ingestão do produto, ou seja, o animal absorve pela pele e pela ferida.

Antiácidos: alguns antiácidos à base de bicarbonato de sódio, quando utilizados em dose e tempo inadequados, podem provocar alterações musculares, respiratórias, gastrintestinais e neurológicas

Antibióticos: os antibióticos são utilizados indiscriminadamente em animais Além de levar à criação de “superbactérias” por resistência, podem provocar lesões a longo prazo, como dificuldade na produção de células sanguíneas, farmacodermias (alterações na pele), alterações gastrointestinais e inclusive cegueira

Corticóides: produzem eveitos colaterais graves, principalmente em cães, que podem ser irreversíveis e necessitar de tratamento vitalício