População deve tomar cuidado com as quantidades de açúcarPor trás do sabor doce, o açúcar esconde inúmeros perigos para a saúde. Exemplo está até nos produtos salgados que também são ricos em açúcares, como é o caso do catchup.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, adultos e crianças devem reduzir a ingestão de açúcar para que corresponda a menos do que 10% das calorias ingeridas diariamente - seis colheres de chá por dia. No Brasil, 61% das pessoas consomem açúcar em excesso.
A preocupação da OMS é com o açúcar oculto, que vem nos alimentos industrializados. Entretanto, no Brasil, a indústria já está negociando a redução da quantidade de açúcar nos produtos prontos. O açúcar pode ser representado por vários nomes no rótulo: maltodextrina, açúcar invertido, xarope de milho, frutose e lactose.
Suco natural, adoçado ou néctar?
Algumas pessoas estão tomando o néctar do suco e acham que é o suco natural. Como diferenciar um do outro? A grande diferença entre o natural e o néctar é que o natural tem 100% de fruta, sem adição de água, corante ou conservante.
Já o suco adoçado não tem só a fruta. É a fruta, o açúcar e, geralmente, um pouquinho de conservante e corante. Um copo de suco adoçado pode ter até uma colher de chá de açúcar. O néctar é uma bebida feita com, no mínimo, 40% de suco da fruta. Em cada copo tem uma colher de sopa de açúcar.
Os efeitos do açúcar
Além da obesidade, o açúcar causa um efeito deletério nos vasos dos rins, cérebro e coração. Ele age diretamente no centro do prazer do cérebro, e além de dar energia rapidamente, o açúcar ativa o hipotálamo, que regula o quanto comemos, e a região frontal do cérebro, ligada à busca de recompensas.
Alimentos com alto teor de açúcar são logo absorvidos, aumentando muito rápido a glicemia. Esses picos glicêmicos podem dar uma sensação de prazer, fazendo a gente querer repetir a dose. Entretanto, quanto mais acontecem esses picos, maiores as chances de obesidade, diabetes, infartos e até doenças como depressão e demência.
Aumento no peso está entre os principais malefícios do açúcar
Se o consumo de açúcar for maior que o gasto de energia diária, contribui para o aumento de peso. De acordo com dados da pesquisa Vigitel 2013, feita pelo Ministério da Saúde e pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP, 50,8% dos brasileiros estão acima do peso ideal e 17,5% são obesos. Os percentuais são 19% e 48% superiores aos registrados em 2006, quando a proporção de pessoas acima do peso era de 42,6% e de obesos era de 11,8%.
“O açúcar faz parte de uma alimentação variada. Ele não pode ser visto como o único responsável”, ressalta Avany Fernandes Pereira, nutricionista e professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
De forma a isentar o açúcar, o nutrólogo e cardiologista Daniel Magnoni busca referência em estudos que comparam os problemas causados por ele a outras práticas diárias, além de afirmar que não há ligação direta com o aumento de colesterol e pressão arterial.
“Existem estudos recentes que afirmam que o consumo excessivo de açúcar e o sedentarismo são iguais em risco. Há outros que colocam a má higiene bucal como mais prejudicial do que o consumo de doces como um fator desencadeante da cárie”, afirma.
Para o endocrinologista Bruno Halpern, o açúcar pode estar sendo perseguido como a própria gordura já foi. O médico questiona a redução excessiva sugerida pela OMS.
“A extrema redução de açúcar adicionado nos alimentos e bebidas não é baseada em estudos. Não há grandes pesquisas que comprovem um impacto maior na saúde com menos de 5% de ingestão”, defende.
Afinal, pode ou não pode?
As opiniões dos especialistas podem divergir quanto ao radicalismo em cortar o açúcar totalmente da dieta, mas um ponto em comum é a redução do açúcar adicionado. Ou seja: tente não adoçar chás, cafés e qualquer outra bebida, além de evitar os alimentos processados que escondem o açúcar — como os refrigerantes e os sucos industrializados, por exemplo.
“Diminuindo a ingestão desses alimentos, já conseguimos uma dieta mais saudável”, afirma a nutróloga Elza Daniel de Mello.
E comer um doce por dia faz mal? O cardiologista e nutrólogo Daniel Magnoni acredita que não. “O ideal é o equilíbrio. Não faz mal comer um doce todos os dias, contando que a pessoa tenha uma alimentação saudável e balanceada. Ingerir um doce antes ou após o exercício é também uma boa dica, pois o alimento é útil para a recuperação dos músculos e dá energia”, afirma.
A opção por doces caseiros é uma das dicas da nutricionista Sophie Deram. “Fazer doces em casa é melhor, pois se pode controlar a quantidade de açúcar. Não indico tirar doces e bolos da dieta, já que o prazer de comer é importante”, completa a especialista.