ENQUETES

Acidentes ocorridos em vicinais e avenida de Ituverava
06/07/2015

EDIÇÃO 3137 ENQUETES - ÍNDICES DE ACIDENTES DE TRÂNSITO EM 2015 JÁ SUPERAM OS DE 2014


Estatísticas da PM apontam que até o final de junho deste ano, Ituverava já havia registrado mais acidentes que todo o ano passado

Estudo recente do Ministério da Saúde aponta que o Brasil é a quinto país do mundo com mais mortes em decorrência de acidentes de trânsito. A cada hora, são milhares de acidentes em todo o país, muitos deixando feridos e até mortos. O maior motivo é a imprudência dos motoristas, que dirigem em alta velocidade, fazem ultrapassagens perigosas e não tomam medidas de segurança, como usar o cinto de segurança.

No município, levantamento feito pela Polícia Militar, a pedido da Tribuna de Ituverava, aponta dados assustadores: neste ano, até o final de junho, o número de acidentes com vítimas e sem vítimas, vítimas fatais e feridos já supera os índices registrados em 2014.

No ano passado foram 112 acidentes com vítimas; 212 sem vítimas; nenhuma vítima fatal e 136 com feridos. Já neste ano, já ocorreram 114 acidentes com vítimas, 260 sem vítimas, 4 com vítimas fatais, todos em estradas vicinais, e 149 acidentes com feridos.

Os dados de janeiro a junho de 2015, se comparados ao mesmo período de 2014, se tornam ainda mais preocupantes. Até junho do ano passado foram 57 acidentes com vítimas, contra 114 neste ano, o que representa 100% de aumento. No ano passado foram 107 acidentes sem vítima, e neste ano forma registrados 260, ou seja, aproximadamente143% a mais. Os acidentes com feridos em 2015 foram 149, contra e 71 de 2014, o que significa um aumento de aproximadamente 110%.

Um exemplo quanto o trânsito está preocupante em Ituverava ocorreu na última terça-feira, 30 de junho, quando um jovem morreu após se envolver em um acidente na vicinal que liga Ituverava a Guará.

Aumento da frota
É claro que o aumento na frota de veículos deve ser levado em consideração sobre o número de acidentes. Porém, ele é praticamente inexpressivo se comparado aos aumentos tão significativos nas estatísticas deste ano. Em 2014, existiam 23.536 veículos em Ituverava, número que passou para 24.002 neste ano, ou seja, houve aumento de 1,97%, índice ínfimo diante dos 100% de aumento no número de acidentes com vítimas, por exemplo.

Capitão da PM analisa estatísticas de Ituverava
Em entrevista à Tribuna de Ituverava, o comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar de Ituverava, o capitão Márcio Alves Cardoso, avalia as estatísticas.

“Uma parcela expressiva de motociclistas costumeiramente não respeita as normas de trânsito, principalmente na circulação viária. Em uma simples observação, vê-se que muitos ultrapassam pela direita e transitam entre os automóveis, quando deveriam transitar atrás, como um veículo. Em razão do tamanho reduzido da motocicleta, alguns maus condutores aproveitam essas características para circular nas vias de forma errada. Outro aspecto é o gosto dos jovens por motocicletas e muitos deles as utilizam para promover malabarismos, rachas e andar em alta velocidade. Essas últimas condutas também são praticadas em carros por jovens, mas é preciso observar que quando ocorre algo de errado nessas falsas aventuras, o motociclista está mais exposto a lesões, que muitas vezes levam ao óbito”, afirma o comandante.

Celular
“Analisando as estatísticas de trânsito de Ituverava, ando preocupado, pois houve um aumento nos acidentes de trânsito e no número de vítimas. Está sendo observado que um dos principais motivos deste aumento é o uso de celulares pelos motoristas, que, sem sombra de dúvida, aumenta a distração e diminui sua atenção no trânsito. Ainda quanto aos celulares, muitos motoristas os utilizam para acessar as redes sociais, enquanto dirigem. Um motorista autuado confessou que enquanto dirigia, falava com um amigo pelo viva-voz e mandava mensagens para a namorada pelo aplicativo WhatsApp. Isso é muito preocupante”, alerta o Capitão Cardoso.

Ainda de acordo com ele, muitos motoristas não estão respeitando as placas de sinalizações, principalmente, nos cruzamentos.

“Quero deixar claro que a Polícia Militar está autuando motoristas que desrespeitam as normas de trânsito e vai acentuar na medida do necessário a fiscalização, principalmente, quanto ao uso de celulares, a falta de cinto de segurança e o desrespeito às placas de parada obrigatória”, enfatiza.

“É necessário a comunidade entender os perigos no trânsito e a importância do respeito às normas de trânsito. Somente quem sofreu um acidente ou teve uma pessoa querida vitimada ou ferida no trânsito, sabe o que realmente é esse pesadelo que aflige a sociedade brasileira”, completa capitão Cardoso.

Acidentes são a principal causa de mortes de jovens
Os acidentes de trânsito são a principal causa de morte de jovens no mundo. Nas Américas, os traumatismos provocados pelos acidentes só matam menos que os homicídios.

Recentemente, os países do Mercosul assinam um acordo para tentar reduzir a violência no trânsito. A situação é tão grave no Brasil, que o primeiro compromisso vai ser evitar que o número de vítimas aumente.

O acidente sofrido por Neison Wille foi causado por excesso de velocidade. Ele ficou tetraplégico aos 28 anos. “Se eu estivesse de cinto de segurança, eu não teria sofrido a lesão”, diz.

Quando os acidentes não matam, a recuperação é sempre lenta. Dos pacientes em tratamento vítimas de acidentes de trânsito, a maior parte, 38%, tem entre 20 e 29 anos. O número de jovens que morrem ou sofrem graves seqüelas por acidente disparou um alerta e há motivos para isso.

A segunda causa de morte entre jovens de 18 a 24 anos no Brasil, também é por acidente de trânsito, atrás apenas dos homicídios. No geral, em 2009, o Brasil ocupava o quarto lugar no ranking de acidentes de transporte terrestre na região do Mercosul. Hoje, está na segunda colocação. A taxa de mortalidade, que era de 18,3 mortes por cem mil habitantes, subiu para 22,5 mortes no mesmo grupo.

Em comparação com países do bloco, o Brasil só perde para a Venezuela que tem uma taxa de 37,2 mortes para cada cem mil habitantes.

Reflexo no SUS
No Sistema Único de Saúde (SUS), o reflexo do problema é grande: em 2013, foram 170.805 mil internações por acidentes de trânsito, mais da metade envolvendo motociclistas, e foram gastos R$ 231 milhões no atendimento às vítimas.

Só no Estado de São Paulo, 20 mil motociclistas foram parar nas salas de cirurgia, em 2014. Um levantamento do Ministério da Saúde mostra que, em dez anos, o número de mortes provocadas por acidentes de moto aumentou 280%. São 12 mil vítimas por ano.

Hoje, mais de 23 milhões de motos circulam pelo Brasil, o que representa 26% de todos os veículos. Segundo o Ministério da Saúde, os acidentes com motos são responsáveis por um aumento de 115% no número de internações em hospitais públicos. As internações por ano custam quase R$ 30 milhões para o SUS (Sistema Único de Saúde).

Um hospital, em Bauru, por exemplo, precisou criar 30 leitos para atender as vítimas de acidentes de motos. Por lá, cerca de 10 pessoas passam por cirurgias diariamente.

Brasil tem 12 mil mortes por acidente de moto a cada ano
Estudo recente do Ministério da Saúde aponta que o Brasil é a quinta nação do mundo com mais mortes em decorrência de acidentes de trânsito. Como se não bastasse, o país ainda apresenta a impressionante estatística.

Segundo o levantamento feito pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, o Brasil registrou, somente em 2014, um número impressionante de 12.040 mortes em decorrência de acidentes de moto.

O número é 280% superior que o registrado em 2003, quando foram 4.292 mortes, índice já considerado bastante alto. Apesar de assustadores em todos os sentidos, para alguns especialistas, a verdade é que há uma explicação para este crescimento tão grandioso no número de mortes em decorrência dos acidentes de moto.

A frota de motos cresceu no Brasil 247% nos últimos dez anos. Além disso, a população brasileira aumentou em 11% durante o mesmo período.

Mas mesmo assim, é impressionante como se corre risco de morte no Brasil apenas por estar pilotando uma motocicleta, afinal de contas, em países desenvolvidos, estes números são muito menores.

Internações
Se os números de mortes em decorrência de acidentes de moto já são assustadores, o fato é que as internações por conta do mesmo problema também são impressionantes.

Somente em 2014, um total de 88.682 pessoas foram internadas por conta de acidentes de moto, o que acabou por gerar ao SUS um custo de R$ 114 milhões.

Causas.

A verdade é que o que ocorre no Brasil, em relação aos motociclistas é uma verdadeira batalha.

Os motociclistas, em muitos casos, desrespeitam as leis mais básicas de trânsito pilotando entre os carros, especialmente em cidades grandes, como São Paulo, por exemplo, onde há uma grande quantidade de motoboys e é necessário que se cumpram horários.

Já os motoristas de carros veem os motoqueiros como verdadeiros inimigos, e por isto, acabam por não respeitá-los, jogando-os para fora da pista por qualquer motivo.

Confira as respostas: