O prefeito Walter Gama Terra Júnior Nesta semana, o prefeito Walter Gama Terra Júnior concedeu entrevista ao jornal Tribuna de Ituverava e foi enfático ao descartar a instalação de unidades prisionais no município. Ele declarou que lutará para a não instalação do presídio na cidade e afirmou que não permitirá que o presídio que isso ocorra.
Depois de realizar um minucioso estudo, visitar diversas cidades do Estado com presídios e discutir exaustivamente o assunto, o prefeito Walter Gama Terra Júnior decidiu ouvir a sociedade, e na última terça-feira, dia 28 de julho, protocolou no Palácio dos Bandeirante, ofício para o governador Geraldo Alckmin, requerendo a revogação do Decreto Estadual nº 61.120, de 10 de fevereiro de 2015, que declara a desapropriação da área com dimensão de 22 hectares de terras, com o objetivo de instalar duas unidades prisionais no município.
Diz o ofício. “Esse minucioso estudo se faz necessário porque ao longo da história, Ituverava foi prejudicada perdendo muitos benefícios como, por exemplo, a instalação de indústrias, que hoje são localizadas em municípios vizinhos. Além disso, também por falta de prévia análise, Ituverava aceitou sem muitos questionamentos a instalação de uma praça de pedágio na Rodovia Anhanguera, que, como é notório, prejudicou sobremaneira o desenvolvimento desta cidade”, na s alegações ao governador.
“Portanto, como não poderia ser diferente em um Estado democrático, o assunto foi discutido exaustivamente com toda a nossa equipe e, principalmente, com a população. Agora, após toda essa análise, posso dizer que, assim como 80% da população, me coloco totalmente contrário à instalação das unidades prisionais em nosso município, seria irracional não ouvir o clamor popular”, ressalta Gama Terra.
Origem
Na entrevista, o prefeito Gama Terra explica como surgiu a possibilidade de instalação dos presídios. Ele lembra que assumiu a Prefeitura em uma situação financeira critica, com dívida enorme a serem pagas e cidade em péssimas condições.
“Nos primeiros dias da minha administração fiz uma profunda análise econômica e constatei que o município teria poucas chances de se desenvolver ao longo dos anos por uma série de fatores econômicos, e que para bancar as dívidas herdadas e fazer frente as despesas do município não seria uma tarefa fácil”, afirma o prefeito.
“Foi quando recebi a proposta para instalação de presídios em Ituverava. Analisei, e levado em consideração a estagnação econômica do município, me reuni com autoridades do alto escalão estadual que me convenceram que a instalação dos presídios seria uma maneira de voltar a fazer Ituverava entrar na rota do desenvolvimento. Em contrapartida solicitei investimentos para a cidade da ordem de R$ 50 milhões, além da instalação de um Batalhão de Polícia, uma Delegacia Seccional de Polícia Civil, que perdemos para São Joaquim da Barra, e uma Vara de Execução Criminal”, destaca Gam Terra.
Porém, quando ele levou a assunto para ser discutido com a sociedade, em uma reunião com professores, a idéia não foi aceita, o que o levou a repensar o assunto. “Em uma reunião com professores expliquei os prós e contras da instalação. Depois observei que a população rejeitou a idéia, fui a São Paulo no ano passado, onde fui recebido pelo deputado estadual Barros Munhoz, que também é totalmente contrário à vinda do presídio, e juntos solicitamos que isso não ocorresse”, relata.
“Depois fomos pegos de surpresa quando o decreto foi publicado, e ficamos indignados, e desde então, eu e o deputado Barros Munhoz estamos trabalhado para que o governo nos atenda, pois não queremos, de forma alguma, que esses presídios venham para a nossa Ituverava, pois a opinião do povo é soberana”, diz.
“Porém, existem algumas pessoas maldosas que fazem calúnias gratuitas, o que me levou a fazer o pronunciamento pelas rádios e jornais e esclarecer definitivamente meu posicionamento para a população”, observa Gama Terra.
Pronunciamento de Walter Gama Terra Júnior
“Bom dia a todos vocês ituveravenses. Venho pela segunda vez me pronunciar sobre a vinda da penitenciária.
Eu quero esclarecer que sou totalmente contra a instalação do presídio e vou impedir que a penitenciária venha para Ituverava.
No dia 17 de dezembro do ano passado, estive no gabinete do deputado Barros Munhoz e pedi a ele que intercedesse junto ao governador para desistir de construir um presídio no município. Sai de lá tranqüilo e confiante que o presídio não viria. Isso foi divulgado nas rádios, jornais locais, inclusive, em trio elétrico nas ruas. Não seria eu irresponsável e idiota de divulgar tudo isso, sabendo que a penitenciária poderia vir.
De repente, eu e o deputado Barros Munhoz fomos surpreendidos com a notícia da desapropriação de mais de 22 hectares pelo Governo do Estado em fevereiro desse ano. Depois disso, houve um clamor muito grande da população para que o governador desistisse da ideia. Tentaram me pressionar a assinar uma carta de repúdio para o governador, jogando a população contra mim, e fazendo terrorismo com inverdades e calúnias.
Foi um momento que me vi sem saída e por isso não me pronunciei. Estava esperando achar uma boa notícia para voltar a falar sobre isto para vocês.
Estudei muito, visitei várias cidades do estado com presídios e falei com vários prefeitos. Fiz um pedido ao Governo do Estado, que se não tivesse jeito de evitar a vinda do presídio, investisse, pelo menos, 50 milhões de reais na cidade. Além disso, pedi também um Batalhão de Polícia, uma Delegacia Seccional de Polícia Civil, que nos foi arrancada para São Joaquim da Barra, e uma Vara de Execução Criminal. Conversei com o Secretário de Administração Penitenciária, Lourival Gomes, em várias oportunidades, a última no dia 21 de maio.
Depois de muito esforço, vi que não era possível que isso acontecesse. Coloquei na balança os benefícios e os malefícios e tomei a decisão de lutar contra a instalação do presídio. O Governador Geraldo Alckmin nos ajudou bastante até agora. Estou com ele, mas a penitenciária eu não vou permitir que venha e espero que ele nos escute. Muito obrigada a todos”.